Numa abordagem literal, o supply chain nada mais é que a tradução de cadeia de suprimentos. Consiste num processo complexo que se inicia na produção da matéria prima e termina na entrega do produto manufaturado ao consumidor. Logo, fica claramente identificado um tema ligado intimamente à indústria.

O supply chain não é, entretanto, uma preocupação exclusiva do fabricante. Ao contrário, permeia todas as atividades econômicas integradas nesse processo. O produtor da matéria-prima está integrado nesse processo desde o momento em que é definido o negócio a ser explorado.

No caso da agricultura, por exemplo, há uma série de questões operacionais e estratégicas, como escolha dos grãos, quantidade a ser produzida, armazenagem e escoamento. Trata-se de um processo que requer uma gestão inteligente, de modo a maximizar os resultados. Entram nessa conta fatores como a quantidade a ser produzida, o custo de produção, o custo do transporte e impostos.

A importância da cadeia de valor

O supply chain está presente na rotina do distribuidor. Dentro da cadeia de valor, que é a rede de processos contínuos e integrados cuja finalidade é fazer com que o produto chegue ao consumidor, o distribuidor precisa administrar uma série de variáveis, como: armazenagem, planejamento e logística de transporte, bem como gestão de estoques. Todos esses fatores, em todos os segmentos da cadeia de valor, vão determinar o custo e a qualidade do que será entregue ao consumidor final.

Em outras palavras, a cadeia de valor é a responsável pelo que será entregue ao consumidor. É responsável por gerar valor para todos os envolvidos na cadeia, seja através da redução dos custos, possibilitando a redução do preço, seja através da pontualidade e da qualidade da entrega, fatores que são responsáveis diretos pela satisfação e lucratividade de todas as partes envolvidas.

Apenas para ficar mais clara essa questão, o que acontece quando um varejista fica sem determinado produto com grande procura na prateleira? Para o varejista, isso significa perder vendas, com consequente perda de lucratividade. Para o fabricante, por sua vez, isso significará criar oportunidades para os concorrentes verem consumidores fiéis experimentarem outro produto. Tudo isso são valores que entram no cálculo da importância de uma correta gestão de toda essa cadeia.

Guia de Gestão Estratégia

Supply Chain e Logística

Quando se fala em cadeia de valor, cadeia de suprimentos e logística, se está falando de temas muito íntimos, que, em comum, habitam a mesma atmosfera. Por isso, há certa confusão entre esses conceitos e uma leitura de autores especialistas no assunto só leva à conclusão de que, na verdade, eles se confundem de fato.

Supply Chain, como já foi abordado, é a cadeia de suprimentos. A logística é todo o processo que compreende da compra da matéria prima à entrega do produto ao consumidor final, abrangendo transporte, armazenagem, produção, estoque e distribuição. O conceito de logística se diferencia pela sua amplitude.

Na origem, o conceito de logística está ligado às guerras. Trata-se de todo o processo estratégico e operacional cuja finalidade é abastecer as tropas com armas e suprimentos. Entenda-se por suprimentos, alimentos, medicamentos, agasalhos e tudo que é necessário para empreender uma guerra. Mas alguém haverá de perguntar se as armas também não se enquadrariam nessa categoria, se são elas, assim como as munições, elementos centrais para que se possa empreender as guerras. Sim, os temas, de fato, se confundem mais uma vez.

A logística, porém, está também relacionada a eventos. O que é uma logística de eventos? É um processo que tem como atribuição garantir que tudo seja entregue e funcione dentro da programação. O conceito se expande na medida em que os serviços de entrega a domicílio vão se tornando mais comuns e se ampliam para o recolhimento de materiais recicláveis, mas também de mercadorias com defeito para a efetuação das trocas.

O que resta claro dessa pequena análise é que mais importante que definir o que é cada elemento desse complexo, que sempre termina no que se chama de “entrega” ao cliente, ao consumidor, é o entendimento de como se dá esse processo, de como ele impacta nos resultados e na satisfação das partes envolvidas. Mais importante ainda é procurar entender de que forma ele pode ser otimizado e levado ao máximo de eficiência e eficácia.

Uma abordagem mais ampla

Essa abordagem mais ampla, sofisticada e dirigida às soluções leva à abordagem dos recursos gerenciais e tecnológicos disponíveis e aplicáveis à gestão da logística e da cadeia de suprimentos. Dentro do âmbito de uma organização empresarial, fiquemos aqui no terreno industrial, que é um elo entre diversos atores econômicos e integrantes da cadeia de valor. A gestão desse processo é uma variável de alta importância estratégicas, razão pela qual deve ser abordada como tal.

Em se tratando de questões estratégicas, todos concordam que a informação seja ela a mais simples ou a mais complexa, é a base de todas as decisões. Seja na guerra, seja no âmbito governamental, seja na indústria. Sendo assim, cada aspecto deve ser cuidado sob o enfoque estratégico. Uma indústria de sucos, por exemplo, é abastecida por diversos fornecedores. Fazem parte desse mix, por exemplo, os produtores de frutas e os de embalagem, exceto a própria indústria fabrique suas embalagens. Mas isso implicaria em novos fornecedores de outros tipos de matérias primas.

Ficando no primeiro exemplo, em que essa indústria compra embalagens de outro fabricante, a primeira preocupação é estabelecer uma rede de fornecedores ampla e confiável. É preciso estabelecer políticas para momentos de escassez, quando, invariavelmente, haverá um encarecimento da matéria prima. O que não deve ocorrer é a dependência de um único ou poucos fornecedores, o que deixa a empresa numa situação vulnerável.

Estoque, armazenagem e transporte

Outro aspecto a ser trabalhado é a relação entre custo de estoque e armazenagem x garantia de abastecimento. Manter um estoque pequeno, com alta rotatividade, é o ideal para não comprometer a liquidez da empresa. Mas outros fatores precisam ser levados em consideração. A empresa precisa atender aos pedidos, que é condição para sua sobrevivência no mercado. Logo não pode adotar uma política em que se arrisque a ficar sem os suprimentos. Percebe-se, mais uma vez, a importância da gestão da cadeia de suprimentos. Um erro no planejamento pode paralisar a produção.

Essa questão do tamanho dos estoques e do custo da armazenagem, sobretudo com instalações, mão de obra, estrutura e segurança está contemplada em toda a cadeia de valor. Cada integrante da cadeia de valor precisa gerenciar cada um desses aspectos, de modo a não romper com a normalidade e provocar problemas de desabastecimento. Outro ponto relacionado à logística é o transporte. Esse fator é uma variável que impacta fortemente o custo das empresas, mas esse custo pode ser maior ou menor de acordo com a qualidade da gestão desse processo.

Fatores como escolher entre ter veículos de transporte próprios e terceirizar, ou mesmo adotar uma solução híbrida, devem ser fruto de um processo penoso de planejamento. Estabelecer rotinas e rotas de distribuição também é algo que deve obedecer a um rigoroso planejamento. O ideal é que um veículo de transporte sai cheio e atenda ao máximo de clientes dentro de um mínimo espaço geográfico. Se isso ocorre, a utilização da frota é otimizada, o tempo é otimizado e o custo com manutenção, combustível e até mão de obra é reduzido.

Produção e Marketing

No centro de todo esse processo está a produção, que é o ponto mais crítico. Este ponto é influenciado por diversos fatores: fluxo adequado de suprimentos, pela qualidade da mão de obra, pela atualização dos componentes tecnológicos e dos bens de produção.A produção precisa funcionar como um relógio e isso inclui estar o setor preparado para as oscilações de demanda e sazonalidade.

O importante é que fique clara a interdependência de uma série de decisões e rotinas para que o processo tenha sua integridade preservada. Pode-se até dizer que o supply chain é o conjunto de variáveis vitais para que não se rompa a cadeia de valor.Quando se fala em cadeia de valor, entra em campo outra variável importante dentro desse processo de negócios, que é o marketing.

O marketing é a disciplina responsável por mapear o mercado, identificar as oportunidades e os riscos, elaborar estimativas de vendas e, consequentemente, influenciar no volume da produção e na estrutura necessária para que ela ocorra dentro de cenários diferentes do atual.

São valores estratégicos que se cruzam e, consequentemente, estão profundamente ligados à informação como matéria prima das decisões. É importante que profissionais de todas essas áreas percebam a importância dessa integração de disciplinas. Trata-se de visão sistêmica, que é o entendimento da interdependência das diversas disciplinas. É vital, hoje, em ambientes empresariais complexos, que o bom profissional de gestão tenha essa visão sistêmica, porque toda decisão impacta em todo o restante da organização.

A importância da tecnologia da informação

Esse é o ponto para onde converge tudo que foi abordado acima. A tecnologia da informação é um valor inseparável do supply chain. Falamos de integração, visão sistêmica e necessidade de controle. Há dois aspectos que entram em pauta: inteligência corporativa e visão única do sistema.

Como é possível integrar todos os gestores de uma empresa complexa como uma indústria se eles não têm a mesma visão do que está acontecendo? A tecnologia da informação oferece a oportunidade de todos terem a mesma visão através de um sistema integrado de gestão. O gestor de marketing, o de vendas, o de logística, o de compra e o de produção têm acesso aos mesmos relatórios.

Um pedido de compra é recebido pelo vendedor e cadastrado no sistema. Toda a cadeia terá acesso em tempo real a essa informação. Há um problema com fornecimento de determinada matéria prima. O comprador registra que faltará aquela matéria-prima durante um período. A produção recebe essa informação e percebe que, de acordo com o fluxo da demanda, faltará produto em uma semana. A empresa suspende as vendas daquele produto de modo a não prometer aquilo que não poderá entregar.

O que é a inteligência corporativa se não a capacidade de tomar decisões rápidas e corretas? No momento em que o histórico de acontecimentos constrói um mix de relatórios inteligentes, é possível que, com bases nessa informação, se faça todo o planejamento da cadeia de suprimentos. Fazendo isso, ocorre uma melhora na gestão dos estoques, favorecendo também a gestão do transporte.

Supply Chain Management, um passo mais à frente

O mundo perfeito alavancado pela tecnologia como fator de aprimoramento da gestão e maximização dos resultados vem, nas últimas décadas, se expandindo para uma visão que tende a romper paulatinamente as fronteiras organizacionais.O Supply Chain Management é um conceito do final do século passado, que ainda vem sendo digerido pelas empresas. Mas este conceito deve ser visto, antes de qualquer coisa, como um elemento de aprimoramento de alianças estratégicas.

Guia de Otimização de Processos

Dentro desse novo conceito, a visão de um sistema integrado, de compartilhamento de informações e atualizações em tempo real se expande para toda a complexa cadeia de valor.Esse modelo é facilitado pelo arrebatador processo de desenvolvimento das telecomunicações e da tecnologia digital.

Nesse novo mundo, todos os integrantes da cadeia de valor estão integrados em seus processos de negócios, cooperando mutuamente, trocando informações e realizando esforços coordenados para otimizar a operação e os resultados nos canais de distribuição. As empresas administram de forma compartilhada os processos-chave da cadeia de logística e suprimentos, respaldado na tecnologia.

O resultado a ser alcançado é redução nos custos e ganho de vantagens competitivas, restando ressalvar que esse processo passa necessariamente pelo desenvolvimento de relações de confiança e excelentes práticas de governança. Trata-se de um passo enorme a ser dado dentro da espiral da visão estratégica, porque requer que a organização amplie sua visão para além da competição tradicional, onde os concorrentes são os antagonistas e todos os esforços estão ligados a oferecer melhores produtos, com melhores serviços, a melhores preços, com excelência na entrega e outros fatores ligados à logística.

Essa nova visão está pautada nas alianças estratégicas para que empresas de diferentes segmentos, mas integradas pelo fenômeno da cadeia de valor, compartilhem informações e decisões de modo a beneficiar cada uma delas, com aumento de eficiência, redução de custos e uma ótima injeção de liquidez, alívio no fluxo de caixa e lucro.

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Escrito por eGestor
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