Como montar um quiosque na beira da praia

O Brasil é um país de empreendedores. Por estranha e surpreendente que possa parecer essa afirmativa, o empreendedorismo está no sangue do brasileiro, uma característica que se reflete nos dados, em que pese o arcabouço cultural e histórico do país sugerir o contrário.

Ainda que o país tenha em sua formação cultural e histórica um conjunto de valores que se defrontam com as tendências atuais, elas são incontestáveis. A ideia do concurso público como fator de estabilidade, do bom emprego e da carteira assinada ainda ocuparem espaço de destaque na mente do brasileiro, o empreendedorismo cada vez mais vai se tornando um forte traço cultural, sobretudo a partir da década passada, quando o governo passou a colaborar com a simplificação do processo de abertura de microempresas e, através do BNDES, oferecer condições vantajosas de crédito para quem deseja abrir seu próprio negócio.

Dados apresentados pelo estudo do GEM – Global Entrepreneurship Monitor – revelam que, em 2015, a taxa total de empreendedorismo no país foi de 39,3%, o que significa que se pode estimar 52 milhões de brasileiros envolvidos com projetos próprios nos seus diversos estágios, da criação à maturidade. Tais números superam 2014, quando a taxa era de 34,4%. Em 2010, essa taxa era de 17,5%. Naquela ocasião, o Brasil só ficava atrás da China.

As condições para abrir uma empresa ainda não são as ideais, do ponto de vista burocrático. Abrir um negócio formal no Brasil ainda é complicado. A demanda de tempo é extremamente alta em relação a praticamente todos os países do mundo, mas há evolução nesse processo.

O primeiro passo é encontrar um contador de confiança, que é quem vai cuidar de todo o processo de pesquisa e registro do nome da empresa junto aos órgãos competentes. Caberá a ele fazer a tramitação da documentação, preparar o contrato social e criar a identidade da empresa.

Planejamento estratégico

O planejamento estratégico pode ser feito em paralelo ao processo burocrático, até porque o melhor planejamento é aquele feito com tempo, calma, precisão e muita pesquisa.

A primeira questão a ser levada em conta é o negócio da empresa, no caso em questão, a abertura de um quiosque. Sendo que é preciso salientar que o negócio da empresa é determinado a partir do benefício entregue ao público consumidor. Sendo assim, é preciso entender quais são as vocações das pessoas envolvidas no empreendimento. Sobretudo porque um quiosque na praia está ligado a fatores diversos, como interação social, entretenimento e, por incrível que pareça, alimentação.

O importante é que se defina as características do negócio. Existem praias, por exemplo, que trabalham com quiosques padronizados, previamente orientados para atender a um determinado tipo de cliente com um serviço também padronizado. É o caso de praias essencialmente turísticas, como a de Copacabana, no Rio de Janeiro.

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Mercado, consumidor e posicionamento

Há outros casos em que o público é diferente e segmentado, propiciando a oportunidade de abordagens mais criativas e personalizadas. Nesse aspecto, é muito importante ter uma noção clara da praia e do trecho da mesma em que o empreendimento será instalado. É preciso conhecer o comportamento dos diversos públicos que frequentam aquele espaço, quais seus hábitos, atitudes e preferências. O lado bom é que tudo isso pode ser feito na praia, com muita observação e anotações.

Observar os quiosques mais frequentados, o que eles vendem, qual a forma de se relacionar com seus clientes e qual o impacto da sazonalidade são ações importantíssimas para a definição da oferta, daquilo que a empresa vai se propor entregar aos clientes. A vida melhorou bastante para quem empreende com a facilidade encontrada para oferecer condições diversas de pagamento, como cartão de débito, crédito ou até, eventualmente, tickets refeição. Inclusive, no aspecto “segurança”.

A noite não deve ser desprezada, sobretudo porque a frequência noturna à orla se concentra mais nos quiosques e fica praticamente nula a concorrência dos ambulantes, que é enfrentada de dia. É salutar tentar entender o que buscam os consumidores e o que os faz clientes assíduos. Encontrar um nicho de mercado também pode ser extremamente lucrativo. Trata-se de fazer o que ninguém faz para aqueles por quem ninguém se preocupou em fazer. É o caso, por exemplo, do público GLS.

É sempre bom lembrar que a oferta deve ser desenhada em prol do público definido como alvo da empresa. Música? Bebidas? Refeições rápidas? Estilo de tratamento? Banheiros? Tudo isso faz parte, mas é preciso lembrar que um pouco de criatividade não faz mal a ninguém. Há outras possibilidades, como venda de lembranças e artigos de praia, entre outros. Tudo é questão de definir bem qual o seu negócio.

Estudo de viabilidade

É possível e necessário fazer o estudo de viabilidade econômica. Pode parecer algo muito complexo, mas esse negócio, em particular, oferece boas informações sem necessidade de grande investimento. Simplificando, consiste em fazer, com base nos estudos realizados, uma projeção de faturamento, receita líquida e lucro diário, contemplando, claro, a sazonalidade. Dentro desse cálculo estão as despesas com funcionários, taxa de concessão, mercadoria, armazenagem, transporte e impostos.

Assim é possível a empresa estabelecer um período de avaliação, que deve ser de um ano, abrangendo toda a sazonalidade. Os meses do verão, certamente, vão propiciar um faturamento e um lucro maior. É preciso confrontar esses resultados com os dos meses de baixa frequência para calcular a projeção de superavit anual. É assim que será possível saber se o negócio vale a pena e se vale a pena o investimento feito, inclusive a partir do cálculo de em quanto tempo ele será recuperado.

Investimento necessário

Sobre o montante do investimento necessário para abrir o negócio, a boa notícia é que o investimento não é alto. No primeiro momento, consiste em aportar mercadorias, material de limpeza e equipamentos. No regime de franquia, o custo tende a ser ainda menor, já que o quiosque vem equipado e existe um treinamento. Em compensação é preciso se precaver com o custo de aluguel ou concessão, que varia dos R$ 3.500 aos R$ 10 mil mensais, ficando mais caro na medida em que a praia ofereça maiores oportunidades de receitas.

Dependendo da praia, essa situação pode se inverter. Em praias menores, menos badaladas e com menos presença do poder público na gestão comercial do espaço, é possível obter o alvará junto à prefeitura para a montagem do quiosque. Nesse caso, o custo inicial pode chegar à casa dos R$ 70 mil. Em compensação, o custo mensal fica bastante reduzido.

Sob todas as hipóteses, é o planejamento que determinará que tipo de negócio o empreendedor irá procurar, com base no local, suas características, fluxo de frequência, perfil do consumidor e público-alvo.

Questões jurídicas e sanitárias

De um modo geral, a abertura de um quiosque ocorre em regime de concessão, que é obtida através de processo de licitação junto à prefeitura. Mais uma boa razão para que a empresa apresente um projeto consistente, onde fique claro quais são os diferenciais que terá a oferecer. Um projeto claro já é um diferencial, assim como estar com toda a situação da empresa regularizada, razão pela qual os passos acima são tão importantes.

Quanto à documentação, é exigido o registro comercial, certidão negativa municipal e estadual, certidão negativa de débito, CNPJ e outras e outras condições que serão informadas na apresentação do edital, que é o anúncio pela prefeitura das condições para a participação na licitação.

Muito importante… Não é concorrer e depois montar o planejamento. Isso pode levar o negócio ao fracasso. É a mesma coisa que ganhar um kit de ferramentas sem saber o que fazer com elas. É preciso planejar. Quando vier a concessão, todos os passos seguintes devem estar planejados e em condição de serem viabilizados, seja técnica ou financeiramente.

Dentro dessa perspectiva, outro cuidado que se impõe são as questões sanitárias. De uma forma ou de outra, um quiosque lida com alimentação, atividade em que a higiene, a armazenagem e a conservação dos alimentos são fatores preponderantes e de alto risco. Sendo assim, ao determinar o que irá oferecer aos clientes, é preciso pesquisar todas as condições impostas pela vigilância sanitária e como manipular da forma correta cada alimento.

Controle da demanda

Esses cuidados servem também para as bebidas. Nada pode depor tanto contra um quiosque na beira da praia quanto bebida quente, sobretudo a cerveja, preferida da maioria, sempre exigente com esse quesito.

Outro ponto que precisa ser muito bem trabalhado é a estimativa da demanda. Pior que a bebida quente é não ter bebida nenhuma. Vale para os quiosques o mesmo que para os demais estabelecimentos comerciais que lidam com bebidas e alimentação. Se o cliente procura e não tem, é provável que ele não volte.

Utilize um sistema de gestão

Para ter o controle de todos esses aspectos do negócio, é essencial que o empreendedor tenha um software de gestão. É através dele que irá estabelecer um controle preciso de questões como sazonalidade, demanda por estoque, fluxo de saída de produtos no balcão, entrada e saída de caixa por período, além de oferecer os relatórios para controle financeiro e contabilidade.

Um excelente software existente no mercado é o eGestor. É uma solução barata frente aos benefícios que traz à empresa. É claro que a adoção de um software sofisticado não substitui o fator humano. É preciso saber trabalhar com as informações. Sendo assim, é o ideal que o empreendedor busque conhecimentos de finanças e marketing antes de se lançar à empreitada. Como não se deve esperar que cada pessoa tenha domínio de tantas disciplinas, convém buscar sociedades onde as capacidades se completam.

Estrutura e logística

Em geral, quando o empreendedor usa o sistema de aluguel, concessão ou franquia a estrutura já vem pronta e adaptada às necessidades. No caso de ser um projeto todo da empresa, é preciso que a mesma faça um projeto consistente.

Um bom exemplo do quanto isso pode ser vital até para a sobrevivência do negócio, é o espaço interno, que precisa oferecer conforto às pessoas que lá estarão trabalhando por horas. É preciso que esse espaço seja otimizado, de modo que a operação seja viável. Para que ele seja otimizado, é preciso, antes de tudo, que a empresa saiba o que pretende oferecer aos seus clientes hoje e no futuro. Quais as perspectivas de crescimento do negócio? Abrir o quiosque e daqui a um ano ter que reformar ou se antecipar e fazer um projeto estrutural já preparado para absorver o crescimento?

Outro ponto é que o quiosque, ao final do expediente, precisa ser fechado. Mesas e cadeiras precisam ser recolhidas. Ou seja, o equipamento deve ser planejado de modo a oferecer as condições para que tudo seja guardado em segurança.

Atendimento

É preciso haver a compreensão, antes de qualquer coisa, de que a praia é um ambiente de descontração, onde as pessoas passam suas horas de folga. Tudo que elas não querem é aborrecimento. Um quiosque é como um bar ou um restaurante. Ninguém está ali com pressa, mas ninguém quer esperar ou ser ignorado.

Em geral, negligencia-se esse aspecto, ficando mais por conta do jeito de ser de cada atendente. Não é essa a forma correta. Enquanto empresa, é preciso que se estabeleça um conjunto de normas, um padrão de atendimento, algo que deve ser seguido por todos. Bons atendentes fidelizam clientes tanto quanto a bebida gelada e os petiscos saborosos.

Deve-se sempre perguntar aos clientes qual a opinião que os mesmos têm do serviço. Se o cliente está na praia e o atendimento do quiosque contribui para que ele se sinta ainda melhor, não há dúvida de que ele vai fazer propaganda, vai voltar e ainda levar os amigos.

Por isso, é preciso perguntar sempre. Ninguém pode oferecer melhores respostas que os clientes. Eles devem ser o foco. Clientes satisfeitos fazem negócios lucrativos e duráveis.

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Escrito por eGestor
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