Novo MEI: lei sancionada perdoa dívidas e aumenta o limite de faturamento
Lei sancionada perdoa dívidas federais do MEI e eleva o limite para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. Veja as regras, os prazos e o que fazer agora.

As regras do MEI vão mudar em 2027. A lei que perdoa dívidas e aumenta o limite de faturamento do microempreendedor individual foi sancionada em 21 de outubro de 2026.
O texto nasceu como Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 186/2026, parte do programa Prospera MEI, e foi aprovado por 461 votos a 4 na Câmara e por 78 a 0 no Senado. Com a sanção, virou a Lei Complementar nº 238/2026.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), o perdão pode beneficiar mais de 3,6 milhões de microempreendedores e soma mais de R$ 18,7 bilhões em dívidas, com valor médio de R$ 3,4 mil por débito. Ao todo, as medidas podem alcançar 17,6 milhões de empreendedores (Agência Brasil).
Em resumo, a nova lei:
- aumenta o limite anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028;
- perdoa dívidas tributárias federais do MEI constituídas até 13 de outubro de 2026;
- permite contratar até dois funcionários;
- amplia a participação de pequenos negócios em compras públicas.
Neste artigo, você vai entender cada mudança, quando ela começa a valer e o que fazer agora para não perder o benefício.
Qual é o novo limite de faturamento do MEI?
O teto de R$ 81 mil, sem reajuste desde 2018, sobe em duas etapas:
| Ano | Limite anual | Média mensal |
|---|---|---|
| 2026 (atual) | R$ 81.000 | R$ 6.750 |
| 2027 | R$ 110.000 | R$ 9.166,67 |
| A partir de 2028 | R$ 140.000 | R$ 11.666,67 |
Até 31 de dezembro de 2026, vale o limite atual de R$ 81 mil. Quem ultrapassar esse valor em 2026 ainda está sujeito às regras de desenquadramento.
E quem abrir o MEI no meio do ano?
O limite é proporcional. Em 2027, serão R$ 9.166,67 por mês, do início da atividade até dezembro. Fração de mês conta como mês inteiro.
Exemplo: um MEI aberto em 10 de abril de 2027 tem 9 meses no ano (abril a dezembro). O limite dele será de 9 × R$ 9.166,67, ou seja, cerca de R$ 82,5 mil.
Quem saiu do MEI pode voltar?
Sim. Empresas do Simples Nacional que faturarem dentro do novo limite poderão voltar a ser MEI, desde que cumpram os demais requisitos, como exercer uma atividade permitida e não ter sócios.
Como funciona o perdão de dívidas do MEI?
A lei perdoa 100% das dívidas tributárias federais do MEI constituídas até 13 de outubro de 2026. O nome técnico é remissão.
Quais dívidas entram?
- Débitos inscritos ou não na Dívida Ativa da União.
- Contribuições previdenciárias em atraso (o INSS do DAS).
- Multas, juros e encargos de cobrança.
- Saldos de parcelamentos em andamento.
- Dívidas que estão na Justiça.
Dívidas com bancos não entram no perdão. Elas serão tratadas em outra frente do Prospera MEI, a renegociação pelo Desenrola 3.0.
Precisa pedir o perdão?
Não. De acordo com a Agência Brasil, o perdão será automático a partir de 1º de janeiro de 2027, sem necessidade de pedido à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Os detalhes de aplicação ainda dependem de regulamentação da PGFN.
Existe alguma condição?
Sim, e ela é importante. Para manter o perdão, o MEI precisa pagar o DAS em dia nos seis primeiros meses de vigência das novas regras, ou seja, de janeiro a junho de 2027.
Quem atrasar nesse período pode ter o perdão cancelado. A dívida volta a ser cobrada.

Outros pontos de atenção
- Valores já pagos não serão devolvidos.
- Quem contesta a dívida na Justiça precisa desistir da ação para obter a baixa definitiva, sem pagar honorários advocatícios por isso.
- Dívidas que surgirem depois de 13 de outubro de 2026 não entram no perdão.
Quantos funcionários o MEI pode ter agora?
Até dois. Antes, o limite era de apenas um empregado.
A regra de salário continua: cada funcionário deve receber um salário mínimo ou o piso salarial da categoria.
A lei também permite contratar substitutos, inclusive por prazo determinado, quando um empregado estiver em afastamento legal, como a licença-maternidade.
Com mais gente na equipe, cresce também a rotina de folha, eSocial e FGTS. Vale organizar esses custos no fluxo de caixa antes de contratar.
O que muda nas compras públicas?
A lei amplia o espaço dos pequenos negócios nas licitações:
- o limite das licitações exclusivas para microempresas e empresas de pequeno porte passa de R$ 80 mil para R$ 130.984,20;
- a administração pública poderá fazer licitações exclusivas para MEIs;
- na plataforma Contrata+Brasil, o valor máximo para contratar MEIs sobe de R$ 13 mil para R$ 25 mil, segundo a Agência Brasil.
Para quem presta serviços como pintura, elétrica ou manutenção, o governo pode virar um novo cliente.
O que não muda?
Algumas regras seguem iguais:
- Limite do Simples Nacional: continua o mesmo. A nova lei não alterou o teto de R$ 4,8 milhões por ano.
- DAS mensal: o MEI continua pagando a guia todo mês. Depois do perdão, não há isenção das guias futuras.
- Declaração anual (DASN-SIMEI): segue obrigatória, com o faturamento do ano anterior.
- Atividades permitidas: a lei não mudou a lista de ocupações que podem ser MEI.
O que o MEI deve fazer agora?
As regras começam em 2027, mas a preparação começa já:
- Consulte suas dívidas. Veja no Portal do Simples Nacional e no Regularize (PGFN) quais débitos você tem hoje.
- Respeite o limite de 2026. Até dezembro, o teto ainda é de R$ 81 mil. Passar disso agora pode gerar desenquadramento.
- Programe o DAS de 2027. Reserve o valor das guias de janeiro a junho de 2027. Um atraso nesse período pode cancelar o perdão.
- Controle o faturamento mês a mês. Com o novo teto, saber quanto você já faturou no ano evita surpresas.
- Planeje contratações. Se pretende ter dois funcionários, calcule o custo total antes.
- Converse com seu contador. Principalmente se você tem parcelamento ou ação judicial em andamento.
Conclusão
A nova lei dá ao MEI mais espaço para crescer e uma chance de recomeçar sem dívidas federais. Mas o benefício tem condição: DAS em dia de janeiro a junho de 2027.
Com um teto maior, controlar o faturamento fica ainda mais importante. Saber quanto entrou no mês, quanto falta para o limite e quando vence cada guia evita surpresas.
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Perguntas frequentes sobre perdão de dívidas e novo limite do MEI
Quando começa a valer o novo limite do MEI?
Em 1º de janeiro de 2027, com R$ 110 mil. O limite de R$ 140 mil vale a partir de 1º de janeiro de 2028.
O perdão de dívidas do MEI é automático?
Sim, a partir de janeiro de 2027. Os detalhes ainda dependem de regulamentação da PGFN. Para manter o benefício, é preciso pagar o DAS em dia de janeiro a junho de 2027.
Quem tem MEI baixado também recebe o perdão?
A lei garante o perdão mesmo para quem tiver o CNPJ desenquadrado, excluído ou com a situação cadastral alterada depois da publicação da lei, em 21 de outubro de 2026. Para baixas anteriores, a regra deve ser detalhada na regulamentação. Confirme com seu contador.
Quem pagou a dívida recebe o dinheiro de volta?
Não. A lei não prevê devolução de valores já pagos.
O MEI pode ultrapassar R$ 81 mil em 2026?
Não sem consequências. O novo limite só vale a partir de 2027. Em 2026, continuam as regras atuais de desenquadramento.
Quantos funcionários o MEI pode contratar com a nova lei?
Até dois, com salário mínimo ou piso da categoria. Em caso de afastamento legal, é possível contratar substitutos.

