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Nota Fiscal EletrônicaAtualizado

CFOP: o que é, tabela completa e como usar na nota fiscal

Consulte a tabela CFOP atualizada, entenda a lógica dos códigos de entrada e saída (1, 2, 5, 6...) e como escolher o CFOP certo na NF-e.

Gabrielly Vizzotto Cruz

· atualizado em · 13 min de leitura

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CFOP - Natureza da Operação

O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) é um campo obrigatório em toda nota fiscal eletrônica (NF-e) emitida no Brasil. Formado por quatro dígitos, ele classifica a natureza de cada operação fiscal — venda, compra, devolução, remessa, prestação de serviço — e determina quais impostos incidem sobre ela. Usar o CFOP errado pode gerar inconsistências no SPED Fiscal, autuações fiscais e até cancelamento de notas. Entender como funciona e consultar a tabela correta é indispensável para qualquer empresa que emite ou recebe notas fiscais. Neste guia completo, você encontra a tabela CFOP atualizada para 2026, os principais códigos de entrada e saída, exemplos práticos e respostas para as dúvidas mais frequentes.

CFOP - Natureza da Operação

CFOP/Natureza da Operação: entenda tudo sobre este campo da NF-e

O que é o CFOP?

CFOP é a sigla para Código Fiscal de Operações e Prestações. Trata-se de um código numérico de quatro dígitos, obrigatório em toda NF-e, que identifica a natureza da transação realizada com mercadorias ou serviços entre municípios, estados e com o exterior.

É com base no CFOP que o Fisco sabe rapidamente do que se trata cada operação: se é uma compra para revenda, uma devolução, uma remessa para conserto ou uma exportação. O código também determina o tratamento tributário correto, incluindo a incidência de ICMS, IPI e outros tributos.

Ao todo, a tabela CFOP oficial possui centenas de códigos, mas na prática a maioria das empresas utiliza apenas algumas dezenas deles, dependendo do seu ramo de atividade.

Para que serve o CFOP?

O CFOP serve para três propósitos principais:

  • Classificar fiscalmente a operação: define se é uma venda, compra, devolução, remessa ou outra transação.
  • Determinar a tributação correta: a partir do CFOP, o sistema calcula quais impostos incidem e orienta o tratamento tributário aplicável à operação.
  • Alimentar as obrigações acessórias: o CFOP é usado no preenchimento do SPED Fiscal, do SPED Contribuições e de outras declarações ao Fisco.

Além disso, o CFOP ajuda na gestão interna: um bom sistema de emissão de NF-e usa esses códigos para alimentar automaticamente o controle de estoque, o financeiro e o relatório de vendas.

Como funciona a estrutura do CFOP?

O CFOP é formado por quatro dígitos, e cada um tem um significado específico:

Primeiro dígito: tipo de operação

O primeiro dígito é o mais importante. Ele determina se a operação é de entrada ou saída e qual a origem ou destino geográfico:

Dígito Tipo Descrição
1 Entrada Mercadoria ou serviço do mesmo estado
2 Entrada Mercadoria ou serviço de outro estado
3 Entrada Mercadoria ou serviço do exterior
4 — Prefixo não utilizado (reservado para uso futuro na legislação)
5 Saída Mercadoria ou serviço para o mesmo estado
6 Saída Mercadoria ou serviço para outro estado
7 Saída Mercadoria ou serviço para o exterior

Segundo, terceiro e quarto dígitos

Os três dígitos seguintes identificam, em conjunto, a natureza específica da operação:

  • Segundo dígito: indica o grupo de operação (ex.: compra, devolução, serviço de transporte, substituição tributária).
  • Terceiro dígito: detalha a destinação do produto (industrialização, comercialização, uso e consumo, ativo imobilizado).
  • Quarto dígito: especifica variações dentro do mesmo grupo (produção própria vs. mercadoria de terceiros, por exemplo).

Exemplo: o CFOP 5.102 significa — 5 (saída para o mesmo estado) + 1 (grupo de vendas) + 02 (mercadoria adquirida de terceiros). Veja mais detalhes no post sobre o CFOP 5102.

Para evitar erros, o ideal é usar um sistema emissor de NF-e que identifique o CFOP automaticamente. Você também pode consultar os códigos atualizados diretamente na Tabela CFOP.

Tabela CFOP: grupos de entrada e saída

Grupos de CFOP de entrada (1.xxx, 2.xxx e 3.xxx)

Grupo Descrição
x.1xx Compras para industrialização, produção rural, comercialização ou prestação de serviços
x.2xx Devoluções de vendas e retornos
x.3xx Aquisições de serviços de comunicação e transporte
x.4xx Entradas de mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária
x.5xx Entradas de mercadorias para o ativo imobilizado e uso/consumo
x.6xx Créditos e ressarcimentos de ICMS
x.9xx Outras entradas e aquisições não especificadas

Grupos de CFOP de saída (5.xxx, 6.xxx e 7.xxx)

Grupo Descrição
x.1xx Vendas de produção própria e de mercadorias adquiridas de terceiros
x.2xx Devoluções de compras
x.3xx Prestações de serviços de comunicação e transporte
x.4xx Saídas de mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária
x.5xx Saídas de bens do ativo imobilizado e material de uso/consumo
x.9xx Outras saídas e prestações de serviço não especificadas

Principais CFOPs de entrada

A seguir, os códigos de entrada mais utilizados no dia a dia das empresas. Lembre-se: para operações internas (mesmo estado) use o prefixo 1; para interestaduais use 2; para importações use 3.

CFOP Descrição
1.101 / 2.101 Compra para industrialização ou produção rural
1.102 / 2.102 Compra para comercialização (revenda)
1.201 / 2.201 Devolução de venda de produção do estabelecimento
1.202 / 2.202 Devolução de venda de mercadoria adquirida de terceiros
1.352 / 2.352 Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial
1.353 / 2.353 Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento comercial
1.403 / 2.403 Compra para comercialização em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária
1.406 / 2.406 Compra de bem para o ativo imobilizado
1.407 / 2.407 Compra de mercadoria para uso ou consumo interno — quando o item é do mesmo tipo que a empresa comercializa ou produz, mas não será revendido
1.556 / 2.556 Compra de material de uso ou consumo alheio à atividade-fim — como papelaria, limpeza ou itens de escritório
3.102 Compra para comercialização — importação
3.551 Compra de bem para o ativo imobilizado — importação
3.949 Outra entrada de mercadoria ou serviço do exterior não especificado

Principais CFOPs de saída

Os códigos de saída mais comuns. Use prefixo 5 para operações internas e 6 para interestaduais. Veja também os detalhes do CFOP 5102, do CFOP 5405, do CFOP 6108 e da remessa para industrialização por encomenda (CFOP 5901).

CFOP Descrição
5.101 / 6.101 Venda de produção própria do estabelecimento
5.102 / 6.102 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros
5.201 / 6.201 Devolução de compra para industrialização ou produção rural
5.202 / 6.202 Devolução de compra para comercialização
5.401 / 6.401 Venda de produção própria em operação com produto sujeito à substituição tributária — contribuinte substituto
5.403 / 6.403 Venda de mercadoria de terceiros sujeita à ST — contribuinte substituto
5.405 Venda de mercadoria de terceiros sujeita à ST — contribuinte substituído (somente intraestadual)
5.551 / 6.551 Venda de bem do ativo imobilizado
5.556 / 6.556 Devolução de compra de material de uso ou consumo
5.910 Remessa em bonificação, doação ou brinde
5.911 Remessa de amostra grátis
5.915 / 6.915 Remessa de mercadoria para conserto ou reparo
5.916 / 6.916 Remessa em consignação mercantil ou industrial
5.949 / 6.949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificada
7.101 Exportação de produção própria do estabelecimento
7.102 Exportação de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros

Como identificar o CFOP correto para cada operação?

Para escolher o CFOP certo, responda a estas quatro perguntas na ordem:

  1. A operação é de entrada ou saída? Entrada (compra, recebimento, devolução de venda) ou saída (venda, remessa, devolução de compra)?
  2. Qual é a origem ou destino geográfico? Mesmo estado (1 ou 5), outro estado (2 ou 6) ou exterior (3 ou 7)?
  3. Qual é o grupo da operação? Compra para revenda (1xx), devolução (2xx), serviço de transporte (3xx), substituição tributária (4xx), ativo/uso e consumo (5xx), outra (9xx)?
  4. Qual é a destinação específica do produto? Produção própria ou mercadoria de terceiros? Sujeito à ST? Para uso e consumo ou para revenda?

Na prática, um bom sistema emissor de NF-e — como o eGestor — já identifica o CFOP automaticamente a partir do cadastro do produto, do NCM, do CSOSN e da operação selecionada, eliminando a necessidade de memorizar os códigos.

Importância do CFOP

Usar o CFOP correto é fundamental para evitar inconsistências no SPED Fiscal, rejeições de NF-e pela SEFAZ e autuações fiscais. Um código errado pode gerar créditos indevidos de ICMS ou IPI, além de complicar a apuração de tributos.

Por isso, contar com um sistema de gestão que preenche o CFOP automaticamente reduz riscos e aumenta a produtividade da equipe fiscal.

Uma NF-e pode ter mais de um CFOP?

É possível — e legal — emitir uma nota fiscal com mais de um CFOP, desde que as operações sejam de natureza semelhante. Por exemplo:

  • Uma NF-e pode conter produtos com CFOP 5.101 (venda de produção própria) e CFOP 5.102 (venda de mercadoria de terceiros) ao mesmo tempo, pois ambos dizem respeito a vendas.
  • Também é possível ter CFOP 5.102 (venda) e CFOP 5.910 (bonificação) na mesma nota, já que bonificação é tratada como complemento da venda.

O que não é permitido é misturar operações de naturezas opostas. Venda (5.xxx) e devolução (5.2xx), por exemplo, não podem estar na mesma nota fiscal, pois representam fatos geradores distintos perante o Fisco.

nota fiscal para micro e pequenas empresas

Diferença entre CFOP e Natureza de Operação

Essa é uma das dúvidas mais comuns entre quem emite NF-e. Entenda a distinção:

  • Natureza de Operação: é o texto descritivo que aparece no campo correspondente da nota fiscal — por exemplo, "Venda de Mercadoria", "Devolução de Compra", "Remessa para Conserto". Ela resume em linguagem natural o que está sendo feito.
  • CFOP: é o código numérico que traduz essa mesma operação para a linguagem fiscal e tributária, permitindo que o sistema da Receita Federal processe automaticamente as informações.

Uma mesma Natureza de Operação pode corresponder a CFOPs diferentes dependendo de onde está o cliente (mesmo estado ou outro estado). Por isso, é comum que um sistema de gestão preencha automaticamente o CFOP a partir da Natureza de Operação cadastrada, ajustando o primeiro dígito conforme o endereço do destinatário.

Exemplo prático: a Natureza de Operação "Venda de Mercadoria Adquirida de Terceiros" corresponde ao CFOP 5.102 para clientes no mesmo estado e 6.102 para clientes em outros estados.

Diferença entre CFOP e NCM

Embora ambos apareçam na NF-e e causem confusão, CFOP e NCM têm funções completamente diferentes:

CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) classifica o que está sendo feito com a mercadoria — se está sendo vendida, devolvida, remetida para conserto etc. É um código da operação.

NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) classifica o que é a mercadoria em si — sua categoria, composição e finalidade. É um código do produto, com 8 dígitos, baseado na tabela internacional do Sistema Harmonizado (SH).

Por exemplo, se você vende uma cadeira de escritório, o NCM descreve o que é a cadeira (mobiliário, código 9401.30.00), enquanto o CFOP descreve o que você está fazendo com ela (vendendo para um cliente no mesmo estado = CFOP 5.102).

CFOP NCM
O que classifica A operação (venda, compra, devolução…) O produto (categoria, composição)
Nº de dígitos 4 8
Base legal CONFAZ / SEFAZ Receita Federal / MDIC
Onde aparece na NF-e Campo "CFOP" por item Campo "NCM/SH" por item
Muda conforme o destinatário? Sim (1, 2, 3 / 5, 6, 7) Não

Os dois campos são obrigatórios e complementares na NF-e: o NCM define a alíquota de IPI e auxilia no cálculo do ICMS, enquanto o CFOP define o tipo de operação e o tratamento tributário aplicável.

CFOP nas notas de serviço (NFS-e)

Uma dúvida muito comum entre prestadores de serviço é: "Qual CFOP usar na nota fiscal de serviço?". A resposta é direta: a NFS-e (Nota Fiscal de Serviços Eletrônica) não utiliza CFOP.

A NFS-e é um documento fiscal municipal, regulamentado pela Prefeitura de cada cidade, e tem como tributo principal o ISS (Imposto Sobre Serviços). Como o CFOP é um campo da legislação estadual — voltado para o controle de ICMS e operações com mercadorias —, ele simplesmente não existe no modelo de nota fiscal de serviços.

O campo equivalente na NFS-e é o código do serviço, baseado na Lista de Serviços da Lei Complementar 116/2003, que classifica o tipo de serviço prestado para fins de incidência do ISS.

Documento Tributo principal Código de classificação
NF-e (mercadorias) ICMS / IPI CFOP
NFS-e (serviços em geral) ISS Código de serviço (LC 116/2003)
NF-e (transportadora) ICMS CFOP grupo x.3xx

⚠️ Atenção: há um caso em que serviços aparecem na NF-e com CFOP: serviços de transporte interestadual e intermunicipal e serviços de comunicação, pois esses são tributados pelo ICMS (e não pelo ISS) e, portanto, entram na NF-e normalmente com CFOPs específicos, como 1.352/2.352 (aquisição de frete) ou 5.932/6.932 (prestação de serviço de transporte).

CFOP e a Reforma Tributária

A Reforma Tributária, aprovada pela Emenda Constitucional nº 132 em 2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, criou o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que substituirão progressivamente ICMS, ISS, PIS e COFINS durante o período de transição (2026–2033).

Durante o período de transição, o CFOP continua obrigatório e segue as mesmas regras atuais. A tabela CFOP não foi modificada pela reforma. No entanto, à medida que o IBS e a CBS forem entrando em vigor, novas regras de preenchimento e novos campos na NF-e deverão surgir — portanto, mantenha seu sistema de emissão de notas sempre atualizado.

Como o CFOP é gerado no sistema emissor de NF-e?

Em um sistema de gestão integrado, como o eGestor, o processo funciona assim:

  1. Você cadastra o produto com o NCM correto e a destinação (revenda, industrialização, uso e consumo);
  2. Ao emitir a nota, seleciona a Natureza de Operação (venda, devolução, remessa etc.);
  3. O sistema identifica automaticamente o CFOP correto com base no estado do destinatário e no tipo de operação;
  4. O XML da NF-e é gerado com todos os campos preenchidos corretamente, incluindo o CFOP item a item.

Isso evita erros manuais e garante que sua empresa esteja sempre em conformidade com o Fisco — sem precisar memorizar centenas de códigos.

Perguntas frequentes sobre CFOP

O que significa CFOP?

CFOP significa Código Fiscal de Operações e Prestações. É um código de quatro dígitos obrigatório em todas as notas fiscais eletrônicas (NF-e) emitidas no Brasil, que classifica a natureza da operação fiscal realizada.

Quantos CFOPs existem?

A tabela CFOP oficial contém centenas de códigos. Na prática, a maioria das empresas utiliza entre 5 e 30 códigos, dependendo do porte e do ramo de atividade.

Qual o CFOP para venda de mercadoria?

O CFOP para venda de mercadoria adquirida de terceiros é 5.102 (para clientes no mesmo estado) ou 6.102 (para clientes em outros estados). Para venda de produção própria, os códigos são 5.101 e 6.101, respectivamente.

Qual o CFOP para compra de mercadoria para revenda?

O CFOP para compra de mercadoria para comercialização (revenda) é 1.102 (fornecedor no mesmo estado) ou 2.102 (fornecedor em outro estado).

Qual o CFOP para devolução de mercadoria?

Depende do tipo de devolução: devolução de venda usa CFOP 1.202 ou 2.202 (na nota de entrada do cliente que devolveu). Devolução de compra usa CFOP 5.202 ou 6.202 (na nota de saída que você emite devolvendo ao fornecedor).

O que é substituição tributária no CFOP?

Operações com mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (ST) têm CFOPs específicos do grupo 4xx. O CFOP 5.405 é o mais comum — indica venda de mercadoria de terceiros sujeita à ST na condição de contribuinte substituído. Veja mais sobre CFOP 5405 e sobre as alíquotas interestaduais de ICMS.

Como consultar a tabela CFOP atualizada?

A tabela CFOP oficial é publicada e atualizada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ) e pode ser consultada no portal da Secretaria da Fazenda do seu estado ou diretamente no portal do SPED da Receita Federal. Banner-conversao-eGestor-blog