Planejamento orçamentário 2027: passo a passo para pequenas empresas
Veja como fazer o planejamento orçamentário de 2027 em 8 passos, com exemplo prático, impactos da reforma tributária (CBS) e datas para a sua agenda.

O ano de 2027 vai mudar a forma como muitas pequenas empresas calculam custos, preços e impostos. E quem entra no ano sem um planejamento orçamentário definido costuma descobrir os problemas tarde demais: no caixa negativo, no imposto que não foi provisionado ou na compra que não cabia no mês.
Um orçamento bem feito resolve isso. Ele transforma metas em números e mostra, com antecedência, quanto a empresa precisa vender, quanto pode gastar e quanto deve guardar.
Neste guia, você vai ver o que é o orçamento empresarial, o que muda em 2027 e um passo a passo prático para montar o seu, mesmo sem equipe financeira.
O que é planejamento orçamentário?
Planejamento orçamentário é o processo de prever, mês a mês, quanto a empresa vai faturar, gastar e lucrar em um período. Na prática, ele vira um documento: o orçamento anual.
Pense nele como um mapa. Ele não garante o caminho, mas mostra para onde você vai e avisa quando está saindo da rota.
Orçamento, fluxo de caixa e planejamento financeiro: qual a diferença?
Os três se complementam, mas cada um responde a uma pergunta diferente.
| Ferramenta | Pergunta que responde | Horizonte |
|---|---|---|
| Orçamento | Quanto pretendo vender, gastar e lucrar? | Ano, dividido em meses |
| Fluxo de caixa | Quanto dinheiro entra e sai, e quando? | Dias e semanas |
| Planejamento financeiro | Como vou financiar, investir e crescer? | Médio e longo prazo |
O orçamento é a previsão do resultado. O fluxo de caixa mostra quando o dinheiro de fato entra e sai, e também pode ser projetado. Comparar o orçado com o realizado todo mês é o que mantém a empresa no controle.
Quais são os tipos de orçamento?
Você não precisa escolher um modelo complexo. Veja os mais usados:
- Orçamento estático: definido no início do ano e mantido até o fim. É o mais simples e funciona bem para quem tem receitas previsíveis.
- Orçamento flexível: os gastos variam conforme as vendas. Se o faturamento sobe 10%, o limite de despesas variáveis também sobe.
- Orçamento contínuo (rolling forecast): revisado a cada trimestre, sempre projetando os próximos 12 meses. Ideal para negócios sazonais.
- Orçamento base zero: cada despesa precisa ser justificada do zero, sem copiar o ano anterior. Ótimo para cortar custos, mas dá mais trabalho.
Para a maioria das pequenas empresas, o melhor começo é um orçamento estático com revisão trimestral. Com o tempo, você evolui para o contínuo.
Por que o orçamento de 2027 exige atenção especial?
Porque 2027 é o primeiro ano em que a reforma tributária pesa de verdade no caixa. Somam-se a isso um novo salário mínimo e juros ainda altos.
O que muda nos impostos em 2027?
Pela Lei Complementar nº 214/2025, em 1º de janeiro de 2027 PIS e Cofins deixam de existir e a CBS passa a ser cobrada no lugar deles. O IPI vai a zero para a maioria dos produtos (exceto os incentivados na Zona Franca de Manaus), e o IBS segue com alíquota-teste de 0,1% em 2027 e 2028. Também começa a valer o Imposto Seletivo, que incide sobre itens prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas e açucaradas.
O ponto de atenção: a alíquota da CBS de 2027 ainda não foi definida. Segundo a Agência Senado e o portal Reforma Tributária, o TCU tem até 30 de outubro de 2026 para enviar o cálculo ao Senado, que tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota de referência. Estimativas de mercado citadas pela Forbes Brasil giram entre 9,2% e 9,4%, mas não são oficiais.
Na prática, monte o orçamento com uma alíquota provisória e marque na agenda a revisão de dezembro.
E quem é do Simples Nacional?
O Simples continua existindo. A empresa pode manter IBS e CBS dentro do DAS ou recolhê-los por fora, no chamado regime regular (ou "híbrido"), enquanto paga os demais tributos pelo Simples.
A opção pelo regime regular para o 1º semestre de 2027 foi prorrogada pela Resolução CGSN nº 194/2026 até 30 de outubro de 2026, como detalha o Jornal Contábil. Quem não optar fica com IBS e CBS no DAS de janeiro a junho e, segundo o CRC-SP, terá nova janela em março de 2027 para o 2º semestre.
Essa escolha afeta preço, margem e caixa. Por isso, vale simular os dois cenários com o seu contador antes de fechar o orçamento.
Quais indicadores econômicos usar como base?
Use como ponto de partida a previsão de salário mínimo do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2027 e as projeções do Boletim Focus de 26/10/2026, do Banco Central, para reajustar custos, salários e preços:
| Indicador | Projeção para 2027 |
|---|---|
| Salário mínimo | R$ 1.741 (hoje R$ 1.621, +7,4%) |
| Inflação (IPCA) | 4,34% |
| Selic no fim do ano | 11,75% |
| Crescimento do PIB | 1,31% |
O salário mínimo definitivo sai por decreto em dezembro, depois do INPC de novembro. Até lá, R$ 1.741 é uma projeção.
Como fazer o planejamento orçamentário de 2027: passo a passo
São oito etapas. Você pode montar tudo em uma planilha ou direto no sistema de gestão. O importante é ter os números do ano por mês, e não só o total anual.
1. Como está a empresa hoje?
Comece pelo diagnóstico. Reúna os dados de 2026: faturamento mês a mês, custos, despesas, lucro, dívidas e saldo de caixa.
Se o ano ainda não acabou, use os últimos 12 meses. Anote também os meses mais fortes e mais fracos. Essa sazonalidade vai guiar a sua projeção.
2. Quais são as metas para 2027?
Defina poucas metas, com número e prazo. Por exemplo: "faturar R$ 720 mil em 2027" ou "manter margem líquida de 10%". Evite metas vagas, como "vender mais".
Uma boa referência é o método SMART: metas específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo.
3. Quanto a empresa vai faturar?
Projete a receita mês a mês. Parta do histórico, aplique a meta de crescimento e respeite a sazonalidade.
Se você pretende reajustar preços, considere a inflação projetada para 2027 (4,34%) e o novo peso dos impostos. Seja conservador: é melhor se surpreender com uma venda a mais do que com um mês no vermelho.

4. Quais serão os custos e despesas?
Separe os gastos em três grupos:
- Custos variáveis: sobem e descem com as vendas, como mercadoria, matéria-prima, comissões, fretes e taxas de cartão.
- Despesas fixas: existem mesmo sem vendas, como aluguel, internet, sistemas, contador e pró-labore.
- Despesas com pessoal: salários, encargos e benefícios. Se você tem funcionários no piso, recalcule tudo com o salário mínimo projetado de R$ 1.741.
Aplique um reajuste realista em cada linha. Contratos de aluguel, por exemplo, costumam ser corrigidos por IGP-M ou IPCA.
5. Quanto separar para impostos e provisões?
Esse é o passo que as pequenas empresas mais esquecem. Inclua no orçamento:
- Impostos sobre a venda: DAS (no Simples) ou os tributos do seu regime. Em 2027, considere a troca de PIS e Cofins pela CBS e revise quando a alíquota oficial sair.
- 13º salário e férias: guarde um pouco todo mês. Assim, dezembro não estrangula o caixa.
- Obrigações anuais: IPVA, alvarás, renovação de certificado digital e seguros.
Dica: crie uma linha "provisões" no orçamento e transfira esse valor para uma conta separada todo mês.
6. Quanto vai sobrar (ou faltar) em cada mês?
Subtraia custos, despesas e impostos da receita. O resultado mostra o lucro previsto de cada mês.
Olhe também para o caixa. Uma venda a prazo em março pode entrar só em maio. Por isso, cruze o orçamento com o fluxo de caixa para ver quando o dinheiro realmente entra.
Calcule ainda o ponto de equilíbrio: quanto você precisa vender por mês para pagar todas as contas, sem lucro nem prejuízo.
7. E se as coisas não saírem como o previsto?
Monte três cenários: pessimista, realista e otimista. Por exemplo: vendas 15% abaixo, na meta e 10% acima.
Para cada um, defina uma ação. No pessimista, quais gastos você corta primeiro? No otimista, qual investimento você antecipa? Inclua também uma reserva de emergência, idealmente de três a seis meses de despesas fixas.
8. Como acompanhar ao longo do ano?
Todo mês, compare o orçado com o realizado. Diferenças acima de 10% em uma linha merecem investigação.
A cada trimestre, revise as projeções. Em 2027, a primeira revisão deve vir logo em janeiro, com a alíquota oficial da CBS e o salário mínimo definitivo em mãos.
Exemplo prático: o orçamento de uma loja em 2027
Veja como fica na prática. A Loja Bem Vestir é uma loja de roupas do Simples Nacional, com três funcionários. A meta para 2027 é faturar R$ 720 mil, uma média de R$ 60 mil por mês.
Como fica um mês médio?
| Linha do orçamento | Valor mensal | % da receita |
|---|---|---|
| Receita de vendas | R$ 60.000 | 100% |
| (–) Custo das mercadorias | R$ 24.000 | 40% |
| (–) Taxas de cartão e comissões | R$ 3.000 | 5% |
| (–) DAS (alíquota efetiva de exemplo) | R$ 4.800 | 8% |
| = Margem de contribuição | R$ 28.200 | 47% |
| (–) Aluguel | R$ 5.000 | 8,3% |
| (–) Salários (3 × R$ 2.000) | R$ 6.000 | 10% |
| (–) FGTS e benefícios | R$ 1.200 | 2% |
| (–) Provisão de 13º e férias | R$ 1.170 | 2% |
| (–) Pró-labore | R$ 5.000 | 8,3% |
| (–) Energia, internet, sistema e contador | R$ 3.000 | 5% |
| = Lucro previsto | R$ 6.830 | 11,4% |
A alíquota do DAS é só ilustrativa. A sua depende do anexo, da faixa de faturamento e, em 2027, da escolha entre recolher IBS e CBS dentro ou fora do Simples.
A provisão de 13º e férias segue uma conta simples: 1/12 do salário para o 13º e 1/12 mais o terço constitucional para as férias. Para R$ 6.000 em salários, isso dá cerca de R$ 1.170 por mês.
Quanto a loja precisa vender para não ter prejuízo?
O ponto de equilíbrio é a despesa fixa dividida pela margem de contribuição:
Ponto de equilíbrio = Despesas fixas ÷ Margem de contribuição (%) = R$ 21.370 ÷ 0,47 ≈ R$ 45.470
Ou seja, a loja precisa vender cerca de R$ 45,5 mil por mês só para empatar. A partir daí, cada R$ 1 vendido a mais gera cerca de R$ 0,47 de lucro.
E se as vendas mudarem?
| Cenário | Receita mensal | Lucro previsto | Ação planejada |
|---|---|---|---|
| Pessimista (–15%) | R$ 51.000 | R$ 2.600 | Adiar compras de coleção e renegociar aluguel |
| Realista | R$ 60.000 | R$ 6.830 | Seguir o plano e reforçar a reserva |
| Otimista (+10%) | R$ 66.000 | R$ 9.650 | Antecipar a reforma da vitrine |
Repare: mesmo no cenário pessimista, a loja fica acima do ponto de equilíbrio. Esse é o tipo de segurança que o orçamento dá.
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Quais erros evitar no orçamento de 2027?
A maioria dos orçamentos falha por detalhes, não por grandes erros de cálculo. Fique atento a estes:
- Copiar o orçamento de 2026 com um reajuste geral. Em 2027, impostos, folha e juros mudam em ritmos diferentes. Revise linha por linha.
- Usar uma alíquota da CBS como definitiva. Até dezembro, qualquer percentual é estimativa. Trate como provisório e revise.
- Esquecer as despesas pequenas. Tarifas bancárias, fretes e assinaturas parecem pouco, mas somam centenas de reais por mês.
- Ignorar a sazonalidade. Dividir a meta anual por 12 esconde meses fracos, como janeiro e fevereiro em muitos varejos.
- Não provisionar 13º, férias e impostos. É o motivo mais comum de aperto no fim do ano.
- Misturar contas pessoais e da empresa. Sem essa separação, o orçamento nunca fecha com a realidade.
- Fazer o orçamento e engavetar. Sem a comparação mensal entre orçado e realizado, o plano perde o valor em poucas semanas.
Quais ferramentas e datas usar para acompanhar o orçamento?
No passo 8, você viu o que comparar todo mês. Agora, veja onde fazer esse controle e quais datas marcar na agenda.
Planilha ou sistema de gestão?
A planilha é um bom começo. Ela é gratuita e flexível. Um bom ponto de partida é a planilha de orçamento empresarial do eGestor. O ponto fraco é que você precisa digitar tudo à mão, e um erro de fórmula passa despercebido.
O sistema de gestão busca os dados direto das vendas, das notas fiscais e das contas a pagar e receber. Assim, o realizado se atualiza sozinho e sobra tempo para analisar, em vez de digitar.
Quais datas colocar na agenda?
Os prazos abaixo seguem o que informam o Jornal Contábil, a Agência Senado e o CRC-SP. Coloque cada data na agenda e use-a como gatilho para revisar o orçamento:
| Data | O que acontece | O que fazer no orçamento |
|---|---|---|
| Até 30/10/2026 | Prazo para empresas do Simples optarem por IBS e CBS fora do DAS no 1º semestre de 2027 | Decidir com o contador e usar a opção escolhida na projeção de impostos |
| Até 30/10/2026 | TCU envia ao Senado o cálculo da alíquota da CBS | Atualizar a estimativa de impostos |
| 03/11 a 20/12/2026 | Período para cancelar as opções feitas para 2027 | Revisar a decisão, se os números mudarem |
| Até 15/12/2026 | Senado fixa a alíquota de referência da CBS | Trocar a alíquota provisória pela oficial |
| Dezembro de 2026 | Decreto do salário mínimo de 2027 | Ajustar a folha de pagamento |
| 01/01/2027 | CBS começa a ser cobrada; PIS e Cofins são extintos | Conferir notas fiscais e o primeiro DAS ou guia do ano |
| Março de 2027 | Nova janela de opção do Simples para o 2º semestre | Reavaliar a escolha com base no 1º trimestre |
| Abril, julho e outubro de 2027 | Fim do trimestre anterior (março, junho e setembro) | Revisar as projeções do orçamento |
Conclusão
O planejamento orçamentário de 2027 não precisa ser complicado. Com o histórico de 2026, metas claras e uma projeção mês a mês, você já sabe quanto precisa vender, quanto pode gastar e quanto guardar.
O diferencial deste ano é a flexibilidade. Monte o orçamento agora com estimativas, marque as datas de dezembro na agenda e revise assim que os números oficiais saírem.
E para acompanhar o orçado e o realizado sem digitar tudo à mão, conte com um sistema de gestão. Teste o eGestor grátis e tenha vendas, notas fiscais e financeiro integrados em um só lugar.
Perguntas frequentes sobre Planejamento Orçamentário
Quando devo começar o orçamento de 2027?
O ideal é entre outubro e novembro de 2026. Assim, dá tempo de usar os números do ano e ajustar tudo quando saírem a alíquota da CBS e o salário mínimo oficial, em dezembro.
Qual a diferença entre orçamento e fluxo de caixa?
O orçamento é a previsão do que a empresa pretende vender e gastar. O fluxo de caixa acompanha quando o dinheiro de fato entra e sai do caixa. Um orienta, o outro mostra se o plano está se cumprindo.
MEI também precisa fazer planejamento orçamentário?
Sim. Mesmo com o DAS fixo, o MEI precisa prever compras, despesas e a própria retirada. Também precisa acompanhar o faturamento para não ultrapassar o limite anual da categoria.
A alíquota da CBS de 2027 já está definida?
Não, até a data deste texto. O TCU envia o cálculo ao Senado até 30 de outubro de 2026, e o Senado tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota de referência. Se o Senado não votar a tempo, vale o cálculo do TCU.
Com que frequência devo revisar o orçamento?
Compare orçado e realizado todo mês e revise as projeções a cada trimestre. Revise também sempre que algo grande mudar, como a perda de um cliente importante ou uma mudança de regime tributário.
Preciso de um contador para fazer o orçamento?
Você pode montar o orçamento sozinho. Mas, em 2027, vale validar a parte de impostos com o contador, principalmente a escolha entre recolher IBS e CBS dentro ou fora do Simples.

