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Como calcular o índice de endividamento da empresa?

Escrito em: 10/04/17
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Para que se possa entender a finalidade e a importância do cálculo do índice de endividamento de uma empresa, o primeiro passo é entender o que é o endividamento, como ele funciona e por qual razão ele acontece.

Uma empresa pode contrair dívidas por diversas razões. A pior delas é quando a empresa se endivida para pagar as despesas. Significa que o resultado operacional (receitas – despesas) é negativo e que é preciso fazer algo para obter o equilíbrio ou o superávit operacional.

A dívida, quando contraída para cobrir o buraco orçamentário, tende a se tornar uma bola de neve, uma vez que a empresa, caso já possua dívidas de longo prazo, corre o risco de não conseguir também cobrir as despesas financeiras com o pagamento das parcelas.

Em outras palavras, uma empresa obtém R$ 600 mil em receitas, mas R$ 700 mil em despesas. Como pagar esses R$ 100 mil de diferença, se não contraindo uma nova dívida?

Suponha, no entanto, que a empresa pagou R$ 80 mil em parcelas da dívida dentro daqueles R$ 600 mil… Isso significa que a dívida aumentou em R$ 100 mil, mas diminuiu R$ 80 mil, significando que o aumento será de R$ 20 mil. Porém, o custo financeiro da dívida no mesmo período foi de R$ 60 mil (juros, variação cambial, etc). Esse valor vai se somar ao montante da dívida. Sendo assim, ao valor de R$ 20 mil deve se somar os R$ 60 mil, o que significa que a empresa terá um aumento da dívida de R$ 80 mil.

O grande problema nessa equação não é o aumento da dívida, mas o fato de não haver uma compensação econômica. A empresa está trabalhando para pagar as despesas e não para gerar lucro. Aos poucos, vai comprometendo seu patrimônio.

A dívida boa

A outra forma de endividamento ocorre quando ele é contraído para fazer investimentos. Por exemplo, na compra de bens de capital, que vão incrementar a produtividade sem a necessidade de contratação de mais mão de obra. Acontece, também, quando a empresa investe em tecnologia da informação para agilizar processos, aumentar eficiência, ter ganhos de marketing e, ao mesmo tempo, reduzir custos.

Nesse caso, o que ocorre é uma dívida com contrapartida. A empresa deve ter feito um cálculo levando em consideração o custo dessa dívida ao longo do tempo, como os pagamentos impactam o dia a dia do fluxo de caixa, qual o volume de aumento de receitas esperado, como elas impactarão o fluxo de caixa frente às parcelas do empréstimo e em quanto tempo será recuperado o investimento. Esse investimento é o valor total da dívida.

A diferença é clara. Quando a dívida é contraída em favor de um investimento, a empresa está pensando em reduzir custos e/ou ampliar suas receitas. Logo, espera-se que o aumento de receitas seja capaz de cobrir, exercício a exercício, o valor das parcelas a serem pagas, ou que cubram pelo menos parte delas, sem que se comprometa o fluxo de caixa, levando em consideração a perenidade das receitas frente à efemeridade das parcelas.

É diferente de contrair dívida para pagar despesas, pois, nesse caso, se está contraindo uma nova despesa, que são as parcelas da dívida, sem haver geração de novas receitas.

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Cálculo do índice de endividamento

Tudo que foi abordado acima serve como introdução ao tema em questão. O índice de endividamento de uma empresa está relacionado precisamente à política praticada por ela, não somente no aspecto financeiro, mas na gestão econômica.

Se uma empresa se endivida por problemas de má gestão, ou seja, se o endividamento é ruim, ele vai acarretar indicadores de longo prazo ruins. Em certa medida, face ao agravamento da situação financeira, tende a acumular muitas dívidas de curto prazo e não conseguir refinanciá-las. Por que isso acontece? Porque as instituições financeiras, ao fazer a análise de crédito, constatam que a empresa não terá condição de pagar a dívida, mesmo parcelada. Sem crédito, a empresa terá que recorrer a outros meios para liquidar suas dívidas de curto prazo, e isso pode significar encolhimento e consequente redução da capacidade de pagamento, o que pode levar à venda de ativos ou liquidação da empresa.

O índice de endividamento é um indicador de riscos e deve ser feito pela empresa para avaliar o grau de comprometimento dos ativos com o passivo da empresa.

Há, na verdade, dois indicadores de índice de endividamento: o “Índice de endividamento geral” e a “Composição do Endividamento”, cada qual com suas finalidades, observando-se que devem ser integrados a outros indicadores para que façam parte da análise e da avaliação da situação da empresa, como será visto em seguida.

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Índice de Endividamento Geral (EG)

O EG é utilizado pelas empresas para identificar até que ponto os ativos da empresa estão financiados com capital de terceiros, logo comprometidos com a liquidação da dívida.

Trata-se de um cálculo bastante simples, feito com base no balanço da empresa. Todo balanço é dividido em ativo e passivo, de curto e de longo prazo. O ativo são os direitos e o passivo as obrigações, o curto prazo é o exercício (período de um ano) e o longo os próximos exercícios.

O método consiste em somar todo o passivo da empresa (de curto e longo prazo) e dividir pelo total do ativo (curto e longo prazo). Em seguida, o resultado dessa divisão deve ser multiplicado por 100.

Exemplo:

Uma empresa tem um passivo total de R$ 2,5 milhões e um ativo de R$ 4 milhões. O cálculo a ser feito é (2,5 milhões, divididos por 4 milhões) x 100 = 62,5%.

Trata-se, evidentemente, de um grau de comprometimento muito alto do ativo, mas não significa, exatamente, que a empresa tenha a saúde financeira comprometida. Esse indicador deve ser cruzado com a capacidade de pagamento da empresa, do ponto de vista financeiro. Se esse endividamento estiver concentrado num prazo curto, pode significar que a empresa está se impondo um aperto para reduzir a dívida rapidamente e ganhar fôlego para novos investimentos.

Em qualquer situação, no entanto, o EG alto não pode ser um bom indicador. Há algumas razões óbvias para isso. A curto ou longo prazo, o EG alto significa alto comprometimento das receitas com pagamento de dívida, o que indica redução da capacidade de investimento, o que fragiliza a empresa perante a concorrência.

Dentro da perspectiva da concorrência, há outro fator que deve ser levado em conta, que é o EG da concorrência. A empresa pode ter um EG alto, mas se os concorrentes estiverem na mesma situação isso significa que a empresa não estará em desvantagem.

Para trabalhar em cima de uma situação bem real e ilustrativa, suponha-se que uma empresa concorre no ramo de tecnologia, produzindo componentes para telecomunicação. O faturamento e a margem das empresas do setor são muito parecidos, porém essa empresa tem um grau de endividamento muito mais alto que o da concorrência. O setor de tecnologia vive de pesquisa e desenvolvimento permanente para suplantar a concorrência. Se essa empresa está com seus ativos comprometidos, com baixo poder de investimento, vai ter sua capacidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento reduzida perante os concorrentes, o que vai torná-la menos competitiva.

Composição de endividamento

A CE é um indicador que serve para identificar a composição do endividamento de uma empresa. Serve para mostrar se o endividamento é mais de curto ou longo prazo.

Assim como o EG, a CE é calculada com base no balanço contábil.

No caso da CE o cálculo é feito com a divisão do passivo de curto prazo pela soma do passivo de curto prazo + passivo de longo prazo. O resultado obtido é multiplicado por 100.

Exemplo:

Uma empresa tem um passivo de curto prazo de R$ 40 mil e o passivo de longo prazo de R$ 220 mil.

Para obter a CE basta dividir 40 mil por (220 mil + 40 mil) x 100 = 15,38%

Significa que a composição do endividamento é 15,38% de curto prazo e 84,62% de longo prazo.

Essa é uma boa composição. A empresa, se tiver endividamento, deve estar concentrado no longo prazo. Por que isso? O impacto em juros da dívida de curto prazo é maior. Além disso, a dívida de curto prazo não pode comprometer o fluxo de caixa e a capacidade de investimento da empresa.

Por outro lado, uma composição de dívida majoritariamente de curto prazo pode não significar nada demais, muito pelo contrário, pode mostrar que a empresa tem uma ótima situação financeira. Ela pode ter recorrido a um empréstimo de curto prazo, por exemplo, para aproveitar uma grande oportunidade de lançar um novo produto com alto valor agregado, que vai aumentar as vendas e os lucros. Ela tinha dinheiro em caixa, mas sua atividade requer muito capital de giro, logo era necessário captar novos recursos, os quais ela tem plena condição de pagar no período de um ano.

É por isso que o índice de endividamento precisa ser analisado em conjunto com outras variáveis para dar respaldo a decisões gerenciais.

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<a href="https://blog.egestor.com.br/author/pedro-henrique-escobar/" target="_self">Pedro Henrique Escobar</a>

Pedro Henrique Escobar

Pedro Henrique Escobar é formado em Administração e gerente de marketing no eGestor. O eGestor é uma ferramenta online para gestão de micro e pequenas empresas. Teste gratuitamente em: eGestor.

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3 Comentários

  1. wilhian

    Amei o texto. Tenho muita dificuldade com números e o meu professor me pediu para ler o Cap. 5 de “Análise das demonstrações contábeis” sobre exatamente este assunto.
    Lá, não consegui compreender nada! Agora aqui eu consegui desenvolver toda a atividade proposta.
    Muito Obrigado mesmo !!

    Responder
  2. Élio

    Ótimo texto. Bem elucidativo, de fácil compreensão, didaticamente bem posto facilitando a quem não é iniciado no assunto.
    Parabens.

    Responder
  3. Sandro

    Ótima didática. Tocando nos pontos específicos com clareza. Acrescentaria apenas que, quando do aprofundamento da análise, observar, gerencialmente, o motivo pelo qual foi realizado os endividamentos mais expressivos, pelo menos.

    Responder

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