DRE: O que é, como fazer e modelos [Planilha Grátis]

Escrito em: 28/06/22
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O que é o DRE

A DRE, ou Demonstração do Resultado do Exercício, é um relatório contábil que define se a empresa teve lucro ou prejuízo. Ou seja, ele traz o resumo financeiro dos resultados.

Uma DRE avalia os indicadores de receitas, despesas, investimentos, custos e provisões apurados. Esse relatório é, praticamente, um cálculo que utiliza essas informações para dar à empresa o resultado final do ano. No caso de ser positivo, a empresa teve lucro, consequentemente, se negativo, a empresa teve prejuízo.

Ele é um documento obrigatório, e deve ser entregue todo ano. Mas, não é incomum que sejam feitas DREs mensais mais simples, para fins administrativos. Podem ser feitas também DREs trimestrais, para o monitoramento dos gastos fiscais.

Para que serve a DRE

Como parte da contabilidade, o objetivo primário da demonstração é relatar os resultados da forma que mostramos acima. Mas, na prática, com o uso da ferramenta na gestão, a DRE tem outros objetivos importantes. Por exemplo:

Avaliação do regime tributário

Como citamos há pouco, o demonstrativo apresenta o lucro da empresa no ano antes e depois dos impostos. Dessa forma, é possível observar se os tributos do regime no qual a empresa está enquadrada são os menores possíveis.

Ou seja, utilizando a Demonstração do Resultado do Exercício e dados financeiros e contábeis de outras fontes, o responsável consegue simular qual seria o impacto financeiro de outro regime tributário. Na geração da demonstração simulada, a comparação dos resultados é direta e esclarecedora.

Comparação de períodos

Todo relatório contábil tem como uma das funções permitir a comparação entre diferentes períodos. O mesmo ocorre com a Demonstração do Resultado do Exercício, que pode ser utilizada para comparação de elevação de lucro bruto e líquido, despesas e impostos entre anos ou períodos menores.

Avaliação de potencial de geração de resultados

Sabemos que o lucro da empresa importa mais do que seu faturamento. É o número que revela seu potencial de elevar o patrimônio, crescer e ter base para investir e cobrir despesas inesperadas.

Portanto, se a DRE do ano apresenta um resultado positivo e adequado ao negócio e seu ramo, significa que o planejamento, as ações e o gerenciamento financeiro e tributário tiveram sucesso. Ou seja, a empresa tem de apenas continuar no caminho em que está — potencializando pontos fortes e alinhando detalhes que podem ser melhorados.

Cálculo do ponto de equilíbrio

O ponto de equilíbrio, também chamado de break even, é o quanto a empresa tem de gerar em vendas para ter lucro zero, cobrindo todos os gastos. Assim, a partir desse ponto, ocorre o lucro líquido.

A conta é importante para revelar, além da necessidade do número de vendas para cumprir com as obrigações, o tempo necessário para atingir o ponto, pois, quanto mais rápido for, maior é o lucro.

Para isso, a Demonstração do Resultado do Exercício é uma ferramenta útil, porque ela inclui dados como faturamento, despesas fixas e variáveis, lucro bruto e resultado líquido.

Acompanhamento de indicadores financeiros além da DRE

Os resultados de alguns indicadores financeiros podem ser obtidos utilizando informações da DRE. Veja cinco deles e como chegar aos seus números por meio das informações do documento:

1. Lucratividade

Calcular o percentual da lucratividade é simples. Basta dividir o lucro pelo faturamento e multiplicar o resultado por 100. Por exemplo;

  • resultado líquido do ano: R$ 235 mil;
  • faturamento do ano: R$ 610 mil;
  • (235 ÷ 410) x 100;
  • 0,3852 x 100 = 38,52%.

O cálculo pode ser feito também mensalmente, com a emissão de uma Demonstração do Resultado do Exercício para visualização a cada período.

2. Ponto de equilíbrio

Como vimos antes, o break even, ou ponto de equilíbrio, é a relação de todas as despesas com o volume de vendas ou ainda com o ticket médio da empresa. Veja o cálculo hipotético:

A divisão entre os valores resulta em R$ 54,54. Ou seja, o empreendimento tem de fechar 55 vendas para não ter prejuízo e começar a gerar lucro.

Caso se considere o número de negócios fechados no período calculado, é possível observar em que ponto na linha do tempo atinge-se o equilíbrio da empresa.

3. Margem de contribuição

Esta margem é o quanto do faturamento gerado contribui para geração de lucro e cobertura de despesas fixas. Dessa forma, para chegar a ela, deve-se subtrair impostos diretos e demais gastos de vendas da receita bruta operacional. Observe:

  • faturamento em vendas do período: R$ 100 mil;
  • tributos das vendas: R$ 13 mil;
  • custo de mercadorias: R$ 35 mil;
  • demais despesas diretas de vendas: R$ 16 mil;
  • margem de contribuição do período: R$ 36 mil.

4. Retorno sobre ativos

Como o nome diz, significa o quanto a empresa tem de retorno sobre os ativos investidos. Portanto, o resultado é obtido com a divisão do lucro líquido pelo total do ativo, que deve ser localizado no balanço patrimonial.

5. Retorno sobre patrimônio líquido

O patrimônio líquido é o que resta quando o passivo é subtraído do ativo. Tecnicamente, é devido ao proprietário da empresa ou sócios, incluindo o capital aportado por eles.

E o retorno sobre o patrimônio demonstra quanto os investimentos deles geram de lucro. Assim, para calculá-lo, somente é preciso dividir o resultado líquido pelo patrimônio líquido, que também consta no balanço.

Auxílio à tomada de decisões

Todos os objetivos acima possibilitam que o gestor da empresa utilize a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) para tomar decisões. Por exemplo, na análise dos indicadores financeiros, que serve para avaliação do negócio e tomada de decisões de crescimento, reversão de quadros negativos e replanejamento estratégico.

Modelo de DRE

Por ser um documento com entrega obrigatória, que diz respeito às informações financeiras da empresa, existe uma lei que determina o que a DRE discriminará. Assim, vamos mostrar como fazer uma Demonstração do Resultado do Exercício seguindo a estruturação — respeitando os critérios legais de escrituração e apresentação dos números.

Ainda, é importante lembrar que ela pode ser realizada por um contador, que deve estar habilitado juntamente ao CRC, e deve estar de acordo com a Lei 6.404/1976, Artigo 187 (e sua modificação pela Lei 11.638/2007).

Receita bruta

O passo mais simples e inicial é o faturamento do ano. Assim, basta somar toda a receita gerada de vendas e prestações de serviços. Ainda, devem estar inclusos os cancelamentos e devoluções.

– deduções

A primeira parte de montar um DRE é fazer a dedução de vendas da receita bruta. Ou seja, devem ser subtraídos os valores referentes a impostos sobre a venda, descontos oferecidos sobre ela, e outros relacionados.

= receita líquida

O equivalente a receita bruta menos as deduções de venda é chamado de receita líquida.

– custo da mercadoria vendida

Agora, é deduzido da receita líquida os valores de custo de mercadoria. Aqui são avaliados os gastos com a compra, fabricação e/ou preparação de um produto ou serviço. São avaliados os valores do CMV (Custos de mercadorias vendidas), CPV (Custo de produtos vendidos) e CSP (Custo dos Serviços Prestados).

= lucro bruto

A receita líquida menos gastos com CMV, CPV e CSP é chamada de lucro bruto.

– despesas com vendas

As despesas com vendas podem incluir comissões de vendedores, custos com representantes, brindes, fretes e outros gastos diretos que são necessários à finalização dos negócios gerados.

– despesa administrativa

Aqui a lista é mais longa. As despesas administrativas incluem várias despesas necessárias ao funcionamento da empresa e sua gestão, por exemplo:

  • aluguel;
  • energia elétrica;
  • água;
  • internet;
  • telefone;
  • IPTU;
  • material de escritório;
  • mensalidades de softwares;
  • depreciação de bens;
  • folha de pagamentos e seus encargos;
  • honorários contábeis;
  • seguros da empresa e de seus bens;
  • IPVA;
  • combustível;
  • pró-labore de sócios;
  • material de limpeza.

Além desses, outros ainda podem surgir. Tudo depende da empresa: seu tamanho, atividades, número de funcionários e outros fatores.

– despesas financeiras

Geralmente, trata-se de juros pagos, descontos concedidos e despesas bancárias com manutenção de contas e demais tarifas.

= resultado operacional líquido

O resultado operacional líquido, também chamado de margem de contribuição, é o resultado do lucro bruto menos as despesas variáveis da empresa.

– despesas extra operacionais

Agora, são descontadas as despesas relacionadas à receita com dividendos, juros sobre empréstimos e outros relacionados.

= resultado antes do Imposto de Renda e Contribuição Social

Chegando ao final, aqui é o resultado da receita bruta menos todas as variáveis da empresa, menos os impostos.

– provisões Imposto de Renda e Contribuição Social

O IRPJ e o CSLL são impostos federais. O IRPJ, ou Imposto de Renda de Pessoa Física, incide sobre a renda bruta de empresas em geral. Já o CSLL, Contribuição Social sobre Lucro Líquido, incide sobre a renda líquida de empresas antes da provisão dos impostos de renda. Mas, esses valores não se aplicam aos optantes do Simples Nacional, já que eles incidem sobre a receita bruta.

= resultado líquido

Chegamos ao fim do DRE: esse é o valor final, levando em conta todas as perdas e ganhos.

Estrutura da DRE

   Receita bruta
– deduções
= receita líquida
– custo da mercadoria vendida
= lucro bruto
– despesas com vendas
– despesa administrativa
– despesas financeiras
= resultado operacional líquido
– despesas extra operacionais
= resultado antes do Imposto de Renda e Contribuição Social
– provisões Imposto de Renda e Contribuição Social
= resultado líquido

Não existe um modelo único, mesmo que exista uma lei com os detalhes. Mas, como o DRE é um relatório que dependerá das exigências e das preferências de cada empresa, os empreendedores podem excluir ou adicionar linhas, caso necessário.

O que deve constar na DRE?

O Artigo 187 da Lei 6.404/1976 que determina a DRE, deixa pouca ou nenhuma liberdade de personalizar esse relatório contábil. Por isso, elas apontam vários tópicos que deverão ser apontados no demonstrativo.

Então, para se apurar o lucro que a empresa adquiriu no período, devem estar indicadas na DRE as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda. Assim, também devem estar apontados os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes às receitas e rendimentos.

A ferramenta deve ser preparada respeitando o regime de competência. Ou seja, ela deve estar conforme a ocorrência do fato gerador do registro contábil, apesar do efetivo recebimento da receita ou do pagamento da despesa.

Quais informações estão no DRE?

Na estrutura da DRE são discriminados os valores referentes à receita bruta de vendas e serviços, juntamente com suas respectivas deduções, e os impostos incidentes sobre as operações de venda e demais abatimentos.

Em seguida, chegamos ao valor da receita líquida do período, do qual devem ser subtraídos os custos dos produtos vendidos, bem como dos serviços prestados, a fim de chegar ao resultado operacional bruto. Desse valor são subtraídas as despesas incorridas no período e acrescidas as demais receitas financeiras, originando o resultado operacional líquido, antes da incidência dos impostos.

Então, uma vez subtraídos os valores dos impostos, finalmente chegamos ao resultado líquido antes da participação nos lucros. Ela é calculada sobre o valor do resultado líquido do exercício menos o valor do prejuízo acumulado nos exercícios anteriores.

Métodos de análise de DRE

De nada adianta realizar todos esses cálculos, conseguir todos os números do financeiro e não analisar a demonstração.

Como fazer isso? É fácil!

Existem dois métodos utilizados como avaliação dessa ferramenta:

Análise horizontal

Existem diversos meios de avaliar se sua empresa está crescendo. Normalmente vemos se os valores de lucro e rendimento são maiores que os do mês ou período anterior. Na análise horizontal da DRE é isso que acontece. São comparados os períodos do DRE para que se entenda se a rentabilidade da empresa está crescendo, por exemplo.

Assim, a análise horizontal demonstra como a empresa anda, de acordo com os resultados de vendas e impostos.

Análise vertical

Ao contrário da análise horizontal de DRE, a análise vertical identifica os valores que estão dispostos na estrutura. Dessa forma, são analisados os percentuais dos componentes da ferramenta. Assim, podem ser feitas comparações entre períodos.

Qual é sua importância prática?

A elaboração correta da DRE possibilita ter uma visão geral do status financeiro da empresa. Assim, se pode extrair informações extremamente relevantes, como, por exemplo, o montante das despesas gerais da organização, a composição dos custos relacionados aos produtos e serviços, a receita total de vendas, o lucro obtido pela empresa com suas operações, a incidência dos impostos sobre os produtos comercializados, o nível de endividamento em que se encontra e quais serão as estratégias consequentemente adotadas, por exemplo.

Não se esqueça de que as possibilidades apresentadas pela DRE não devem ser usadas apenas para fins legais ou fiscais. Atualmente, visando uma gestão estratégica do negócio, essa demonstração vem se apresentando como uma ferramenta muito útil para a gestão interna do negócio, sendo o instrumento utilizado pelo gestor do negócio para pautar suas decisões e traçar suas metas.

Vê-se, portanto, que é a partir das informações coletadas pela DRE que se torna possível analisar os números apresentados e mensurar a eficiência das práticas adotadas pela empresa no período analisado. Assim, se possibilita um planejamento estratégico para otimizar suas atividades no período seguinte. Além disso, proporciona a elaboração de cenários alternativos para suas operações, a fim de promover economias financeiras e fiscais para o futuro.

Planilha de DRE

Pensando justamente na dificuldade que o empresário tem com essa ferramenta contábil, o eGestor montou uma planilha de DRE. Assim, com ela, basta inserir os dados que devem constar no modelo e pronto.

Entenda:

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<a href="https://blog.egestor.com.br/author/pedro-henrique-escobar/" target="_self">Pedro Henrique Escobar</a>

Pedro Henrique Escobar

Pedro Henrique Escobar é formado em Administração e gerente de marketing no eGestor. O eGestor é uma ferramenta online para gestão de micro e pequenas empresas. Teste gratuitamente em: eGestor.

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7 Comentários

  1. Arivaldo Paulatti Filho

    Material muito bom!
    De fácil entendimento.

    Responder
    • Rosangela

      Achei muito boa a explicação
      Simples e Direta e fácil de entender

      Responder
  2. MARTA B ARAUJO

    Professor Marcos Barros explicou com muita propriedade, excelente!!
    Parabéns pelo material, bem proveitoso.

    Responder
  3. Maria José Sales da Silva

    Prof foi muito bom explanação deste assunto sobre DRE

    Responder
  4. Luiz Carlos

    Excelente explanação. Simples, didático e de fácil compreensão. Parabéns!

    Responder
  5. Eudes Soares da Silva

    Aula excelente. Gostei! Técnica fácil para o pequeno empreendedor fazer sua contas no final do mês, principalmente MEI.

    Responder
  6. JOSE UBIRATAN LOPES DO NASCIMENTO

    Parabéns a todos envolvidos!
    excelente material

    Responder

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