Alíquotas Interestaduais de ICMS: tabela completa e como calcular [2026]

As alíquotas interestaduais de ICMS são os percentuais que incidem sobre a circulação de mercadorias entre estados diferentes. São elas que determinam quanto de ICMS o vendedor deve recolher ao seu estado de origem quando emite uma nota fiscal para outro estado.

No Brasil, existem três alíquotas interestaduais possíveis: 12%, 7% e 4%. A que se aplica a cada operação depende de três fatores: o estado de origem da mercadoria, o estado de destino e a origem do produto (nacional ou importado).

Entender essa lógica é essencial para emitir notas fiscais interestaduais sem erro, calcular corretamente o DIFAL e apurar o ICMS-ST quando há substituição tributária.

O que são alíquotas interestaduais de ICMS?

Quando uma empresa vende para outra empresa em um estado diferente, o ICMS não é cobrado pela alíquota interna do estado de origem — é cobrado pela alíquota interestadual. Essa alíquota é menor, justamente para que parte da arrecadação fique no estado de destino (que vai “consumir” o produto).

As alíquotas interestaduais foram estabelecidas pela Resolução do Senado Federal nº 22/1989 e valem para todos os estados. A lógica central é redistribuir a receita de ICMS entre estados mais e menos desenvolvidos economicamente.

É importante distinguir dois cenários:

  • Venda para empresa contribuinte do ICMS (indústria, distribuidor, varejista): aplica-se a alíquota interestadual. O comprador utiliza o valor como crédito de ICMS.
  • Venda para consumidor final (pessoa física ou empresa não contribuinte do ICMS): aplica-se a alíquota interestadual, mas o vendedor deve recolher o DIFAL (diferencial de alíquota) para o estado de destino.
Coleção de moedas de vários tamanhos e cores, indicando diferentes denominações e possivelmente diferentes moedas. As moedas estão empilhadas, com algumas sobrepondo-se a outras. Remetendo ao pagamento das alíquotas interestaduais.

Tabela de alíquotas interestaduais de ICMS 2026

Existem três alíquotas interestaduais vigentes em 2026:

AlíquotaEstado de origemEstado de destino
12%Qualquer estadoSul ou Sudeste (exceto ES)
12%Norte, Nordeste, Centro-Oeste ou ESQualquer estado
7%Sul ou Sudeste (exceto ES)Norte, Nordeste, Centro-Oeste ou ES
4%Qualquer estadoQualquer estado (mercadoria importada)

Quando a alíquota é 12%

A alíquota de 12% é a mais comum e se aplica quando:

  • A operação ocorre entre estados das regiões Sul e Sudeste (exemplo: SP → RJ, PR → SC, MG → RS);
  • A mercadoria parte de um estado do Norte, Nordeste ou Centro-Oeste, independentemente do destino (exemplo: AM → SP, BA → PR, GO → RJ).

A justificativa é que nesses casos não há desigualdade regional a compensar.

Quando a alíquota é 7%

A alíquota de 7% é aplicada quando a mercadoria parte de um estado das regiões Sul ou Sudeste (exceto Espírito Santo) com destino a estados das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste ou ao Espírito Santo.

A lógica é favorecer os estados menos desenvolvidos: ao reduzir a alíquota interestadual, a diferença que o estado de destino pode tributar internamente é maior, ficando mais arrecadação no destino.

Exemplos de operações com 7%:

  • SP → BA: 7%
  • RJ → AM: 7%
  • PR → DF: 7%
  • SC → ES: 7%
  • MG → CE: 7%

Quando a alíquota é 4% (mercadorias importadas)

A Resolução do Senado nº 13/2012 instituiu a alíquota de 4% para operações interestaduais com bens e mercadorias importados do exterior, ou com conteúdo de importação superior a 40%.

Essa medida foi criada para reduzir a “guerra fiscal” entre estados que concediam benefícios para atrair operações de importação. Ao uniformizar a alíquota em 4%, independentemente do estado de origem, eliminou-se a vantagem tributária.

A alíquota de 4% se aplica quando:

  • O produto foi importado diretamente e não passou por processo de industrialização no Brasil que reduzisse seu conteúdo de importação abaixo de 40%;
  • A operação é interestadual (para operações internas, vale a alíquota normal do estado);
  • O produto não constar na lista de exceções do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ).

Atenção: quando o bem importado passa por industrialização no Brasil e o conteúdo de importação cai abaixo de 40%, a alíquota volta a ser 7% ou 12%, conforme a regra geral de origem e destino.

Estados por região — referência rápida

Use esta tabela para identificar rapidamente se a operação usa 7% ou 12%:

RegiãoEstadosRecebe 7% de Sul/Sudeste?
SudesteSP, RJ, MG, ESES: sim | SP, RJ, MG: não
SulPR, SC, RSNão
NorteAM, PA, AC, RO, RR, AP, TOSim
NordesteBA, SE, AL, PE, PB, RN, CE, PI, MASim
Centro-OesteGO, MT, MS, DFSim

Como calcular o ICMS em uma operação interestadual

O cálculo é direto para operações entre contribuintes do ICMS (empresa para empresa):

ICMS interestadual = Base de cálculo × alíquota interestadual

A base de cálculo inclui o valor do produto mais frete, seguro e outras despesas acessórias cobradas do comprador — o chamado valor total da operação. O IPI não compõe a base do ICMS quando a operação é entre contribuintes e o produto é destinado à industrialização ou comercialização.

Exemplo prático — venda entre empresas (B2B)

Uma indústria em São Paulo vende R$ 8.000,00 em produtos para um distribuidor no Paraná. Frete incluso no valor: R$ 500,00.

  • Base de cálculo: R$ 8.500,00
  • Alíquota interestadual SP → PR (Sul): 12%
  • ICMS interestadual = R$ 8.500 × 12% = R$ 1.020,00

A indústria paulista destaca R$ 1.020,00 de ICMS na NF-e e recolhe ao estado de São Paulo. O distribuidor paranaense registra esse valor como crédito de ICMS para abater de suas saídas.

Exemplo prático — venda de estado do Nordeste para o Sudeste

Uma empresa no Ceará vende R$ 3.000,00 para um cliente em Minas Gerais.

  • Origem: CE (Nordeste) → Destino: MG (Sudeste)
  • Alíquota: 12% (origem em estado do Nordeste = sempre 12%)
  • ICMS = R$ 3.000 × 12% = R$ 360,00

DIFAL — o que muda quando o destino é consumidor final

Quando a venda interestadual é destinada ao consumidor final — seja pessoa física ou empresa que não é contribuinte do ICMS —, entra em cena o DIFAL (Diferencial de Alíquota), regulamentado pela Emenda Constitucional nº 87/2015 e pela Lei Complementar nº 190/2022.

Segundo a Emenda Constitucional 87/15:

VII – Nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final, contribuinte ou não do imposto, localizado em outro Estado, adotar-se-á a alíquota interestadual e caberá ao Estado de localização do destinatário o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna do Estado destinatário e a alíquota interestadual.

O DIFAL corresponde à diferença entre a alíquota interna do estado de destino e a alíquota interestadual:

DIFAL = Base de cálculo × (alíquota interna do destino − alíquota interestadual)

Esse valor é recolhido integralmente ao estado de destino, via GNRE (Guia Nacional de Recolhimento de Tributos Estaduais) ou pela própria inscrição estadual do remetente no estado de destino.

Exemplo de DIFAL — venda de SP para consumidor final em BA

  • Valor da venda: R$ 2.000,00
  • Alíquota interestadual SP → BA: 7%
  • Alíquota interna da Bahia: 20,5%
  • DIFAL = R$ 2.000 × (20,5% − 7%) = R$ 2.000 × 13,5% = R$ 270,00

O vendedor paulista recolhe R$ 270,00 para a Bahia como DIFAL. Esse valor não é crédito do consumidor final — é o complemento de ICMS que vai para o estado onde o produto foi consumido.

Para uma explicação completa do DIFAL, fórmulas para produtos com MVA e cálculo em operações com substituição tributária, veja o guia sobre DIFAL: o que é o Diferencial de Alíquota de ICMS

Grande navio cargueiro atracado em um porto, com vários contêineres de carga a bordo. Há guindastes próximos ao navio, provavelmente usados para carregar e descarregar os contêineres. Um rebocador é visto na água perto da proa do navio. Remetendo as transações que geram as alíquotas interestaduais.

CFOP para operações interestaduais

Na nota fiscal eletrônica, toda operação interestadual de saída usa CFOP com o dígito inicial 6. Os mais comuns são:

CFOPDescriçãoQuando usar
6.101Venda de produção do estabelecimentoFabricante que vende produto que ele mesmo industrializou
6.102Venda de mercadoria adquirida de terceirosDistribuidor ou varejista que revende produto comprado pronto
6.401Venda de produção com ICMS-ST retidoFabricante (substituto tributário) vendendo produto sujeito à ST
6.404Venda de mercadoria com ICMS-ST retidoRevendedor (substituto tributário) vendendo produto sujeito à ST
6.108Venda de produção para não contribuinteFabricante vendendo diretamente a consumidor final em outro estado
6.109Venda de mercadoria para não contribuinteComerciante vendendo para consumidor final em outro estado (DIFAL obrigatório)

O CFOP errado na NF-e pode causar rejeição pela SEFAZ ou divergências na escrituração fiscal. Em caso de dúvida sobre o código correto para a sua operação, consulte o guia completo de CFOP.

Alíquotas interestaduais e a MVA (Substituição Tributária)

Quando há substituição tributária em uma operação interestadual, a alíquota interestadual entra na fórmula da MVA Ajustada — usada para calcular a base do ICMS-ST. Nesse cálculo, a diferença entre a alíquota interestadual (7% ou 12%) e a alíquota interna do estado de destino é o que “ajusta” a Margem de Valor Agregado.

A fórmula é: MVA Ajustada = {[(1 + MVA Original) × (1 − ALQ inter) ÷ (1 − ALQ intra)] − 1} × 100. Veja o passo a passo completo com exemplos no guia sobre Margem de Valor Agregado (MVA).

Reforma tributária e o futuro das alíquotas interestaduais

A Emenda Constitucional nº 132/2023 aprovou a substituição gradual do ICMS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). No modelo do IBS, o imposto será cobrado no destino do consumo — o que elimina, a longo prazo, a distinção entre operações internas e interestaduais.

Durante a transição (que vai até 2032), as regras atuais do ICMS continuam vigentes na íntegra. Em 2026, o IBS começa a ser testado com alíquota de 0,1%, mas as empresas seguem obrigadas a aplicar as alíquotas interestaduais de 7%, 12% e 4% normalmente.

A partir de 2033, quando o IBS estiver plenamente implantado, o conceito de alíquota interestadual deixará de existir — cada transação terá o imposto calculado pela alíquota do estado de destino, sem distinção de origem.

Pessoa usando um laptop. As mãos da pessoa estão visíveis, com uma mão no trackpad e a outra digitando no teclado. A tela do laptop exibe o que parece ser uma página da web com várias seções, incluindo uma que diz “Serviços” e outra que parece mostrar imagens de paisagens. Há também um smartphone ao lado do laptop e um mouse branco à direita do laptop.

Perguntas frequentes sobre alíquotas interestaduais de ICMS

  1. Como saber qual alíquota usar na minha operação?

    Identifique o estado de origem e o estado de destino da mercadoria. Se a origem for Sul ou Sudeste (exceto ES) e o destino for Norte, Nordeste, Centro-Oeste ou ES: use 7%. Se o produto for importado com conteúdo de importação acima de 40%: use 4%. Em todos os outros casos: use 12%. Em caso de dúvida, consulte o RICMS do seu estado.

  2. A alíquota interestadual é sempre menor que a interna?

    Sim, na maioria dos casos. As alíquotas internas estaduais variam de 17% a 22% (dependendo do estado e do produto), enquanto as interestaduais são 7% ou 12%. Essa diferença é exatamente o que gera o DIFAL nas vendas para consumidor final.

  3. Quem paga o ICMS interestadual — o comprador ou o vendedor?

    O vendedor (remetente) é responsável por destacar e recolher o ICMS interestadual ao seu estado de origem. O comprador (destinatário) que for contribuinte do ICMS registra esse valor como crédito. Nas vendas a consumidor final, o vendedor também recolhe o DIFAL ao estado de destino.

  4. MEI paga ICMS interestadual?

    O MEI recolhe ICMS de forma simplificada dentro do DAS (documento de arrecadação do Simples). Quando vende para outro estado, a operação é emitida com CFOP interestadual (6.xxx), mas o cálculo de ICMS está incluído no regime do SIMEI. Em compras interestaduais, o MEI pode estar sujeito ao DIFAL dependendo do estado de destino — consulte a legislação estadual ou seu contador.

  5. Qual a alíquota para venda de SP para o Espírito Santo?

    7%. O Espírito Santo é estado do Sudeste, mas recebe 7% nas operações originárias das regiões Sul e Sudeste. Quando o ES é a origem, aplica-se 12% para qualquer destino.

  6. O que acontece se usar a alíquota errada na NF-e?

    A SEFAZ pode rejeitar a NF-e na emissão (se houver validação automática) ou autuar o contribuinte na fiscalização. Calcular a menor gera diferença de imposto a recolher com juros e multa. Calcular a maior implica em crédito de ICMS a maior para o destinatário, o que também pode gerar contingência fiscal na escrituração dele.

  7. A alíquota interestadual se aplica a serviços?

    Não. Serviços são tributados pelo ISS (municipal) ou pelo ICMS em casos específicos como transporte interestadual e telecomunicações. Para o ICMS de transporte interestadual, consulte a legislação específica — existe tabela própria de alíquotas para esse serviço.

Conclusão sobre alíquotas interestaduais de ICMS

Aplicar a alíquota interestadual correta não é apenas uma obrigação fiscal — é um ponto crítico para evitar autuações, garantir o crédito de ICMS do seu cliente e precificar suas operações com precisão.

A regra prática é simples: verifique sempre o estado de origem, o estado de destino e a origem do produto (nacional ou importado) antes de emitir a nota. Se a mercadoria partir do Sul ou Sudeste (exceto ES) com destino ao Norte, Nordeste, Centro-Oeste ou ES, use 7%. Nos demais casos, 12%. Produto importado com conteúdo de importação acima de 40%? 4%, independentemente da rota.

Com a transição para o IBS em andamento, as regras atuais do ICMS continuam valendo integralmente até 2032 — então dominar esse cálculo ainda vai fazer diferença por muitos anos.

Se a sua empresa realiza vendas interestaduais com frequência, contar com um sistema de gestão que automatize o cálculo do ICMS e a emissão da NF-e reduz erros e poupa tempo.

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Escrito em: 20/05/26
Rafaela Konze

Rafaela Konze

Rafaela Konze é analista de marketing e SEO na Zipline Tecnologia. Especialista em criação de conteúdo e estratégias de crescimento orgânico, escreve sobre gestão, empreendedorismo e tecnologia nos blogs do eGestor e do NFe+. Teste gratuitamente em eGestor.

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