Dentro do mercado varejista existe uma grande variedade de tipos de vendas, e cada uma delas se encaixa melhor em um modelo de negócio diferente. Escolher o formato certo — venda consultiva, direta, consignada, corporativa ou dropshipping, por exemplo — pode ser o que separa um processo comercial eficiente de um que só gera retrabalho.
Neste guia você vai entender as principais modalidades de venda, os modelos de processo comercial (Service Sales, Field Sales e Inside Sales) e os canais disponíveis para colocar cada uma delas em prática.

Como identificar o tipo de venda ideal para o seu negócio?
Antes de escolher um formato de venda, é essencial entender o público-alvo do seu produto ou serviço. Isso passa por conhecer bem o próprio produto e o mercado em que ele está inserido, além de mapear informações como idade, profissão, gênero e interesses do consumidor. Também vale identificar se a venda é B2B (empresa para empresa) ou B2C (empresa para consumidor final), já que isso muda completamente a abordagem comercial. Com o público-alvo definido, fica mais fácil alinhar as estratégias de marketing e vendas aos objetivos do negócio.
Quais são os tipos de vendas?
A seguir, veja as principais modalidades de venda usadas no mercado brasileiro e quando cada uma faz mais sentido.
1. Venda consultiva
Na venda consultiva, o vendedor atua como um consultor: em vez de empurrar um produto, ele ouve o cliente e oferece a solução que realmente atende à necessidade apresentada. Esse modelo segue a lógica do Customer Centric (centrado no cliente), em que as decisões de venda partem do que o cliente precisa, não do que a empresa quer vender.
2. Venda direta
A venda direta é uma das modalidades mais comuns, já que não exige um ponto físico. Ela é feita por vendedores autônomos que compram produtos de uma marca para revender, com margem de lucro definida em contrato. Pode acontecer por catálogo, em um site próprio ou porta a porta.
Vantagens: margem de lucro pré-definida e nenhuma necessidade de loja física.
3. Venda consignada
Na venda consignada, o fornecedor distribui uma quantidade de produtos a um comerciante e retorna em uma data combinada para recolher o que não foi vendido e acertar a comissão. As porcentagens de lucro de cada parte ficam definidas em contrato.
Vantagens: liberdade de estoque, possibilidade de devolução dos produtos não vendidos, baixo investimento inicial e dispensa de loja física.
4. Venda corporativa (B2B)
Diferente da venda direta ao consumidor, a venda corporativa acontece de empresa para empresa, no modelo B2B (Business to Business). Ela exige conhecimento profundo do mercado e dos objetivos da empresa compradora, já que as propostas costumam passar por várias camadas de decisão antes de serem aprovadas. É um processo mais racional, guiado por dados e resultados esperados, no qual as duas empresas evoluem juntas ao longo do relacionamento comercial. Empresas de SaaS, fornecedores de matéria-prima e agências de publicidade são exemplos comuns desse modelo.
5. Venda casada
A venda casada é a prática de só vender um produto se o cliente também comprar outro que não é do seu interesse — e, apesar de ainda aparecer em alguns comércios, é considerada uma prática ilegal no Brasil. O Código de Defesa do Consumidor (artigo 39, inciso I) proíbe expressamente “condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos”.
Alguns exemplos comuns dessa prática:
- Condicionar um plano de internet à contratação de TV a cabo e telefone
- Exigir consumação mínima em bares, restaurantes e boates
- Proibir a entrada com alimentos de outros estabelecimentos em cinemas
- Incluir garantia estendida sem autorização do cliente
- Exigir buffet específico no aluguel de um espaço de eventos
6. Dropshipping
No dropshipping, o vendedor não precisa manter estoque próprio: depois que o cliente paga, o fornecedor é acionado e entrega o produto diretamente, com o varejista atuando apenas como intermediário da venda.
Vantagens: baixa exigência de capital, baixo risco, nenhuma perda de valor com estoque parado e possibilidade de operar em home office.

Modelos de processo de vendas: Service Sales, Field Sales e Inside Sales
Além do tipo de venda em si, também vale observar o modelo de processo comercial usado para conduzi-la — ou seja, como o vendedor (ou a ausência dele) se relaciona com o cliente até o fechamento.
Service Sales
No Service Sales não há intervenção direta de um vendedor: o cliente avalia sozinho preço, qualidade e necessidade antes de decidir pela compra. Esse modelo depende de estratégias como e-mail marketing, publicidade em redes sociais e anúncios pagos para conduzir o cliente até a conversão.
Field Sales
No Field Sales, a venda é presencial: o vendedor vai até o cliente para apresentar a proposta, destacar os benefícios do produto e fechar o negócio pessoalmente. É comum em vendas mais complexas, que exigem do vendedor conhecimento completo do produto e boa capacidade de comunicação.
Inside Sales
O Inside Sales acontece de forma remota, mas com a intervenção ativa de um vendedor, apoiado por recursos tecnológicos como chamadas e videoconferências. O fluxo costuma seguir esta sequência:
- Contato inicial para entender o interesse do lead
- Apresentação da solução por chamada ou videoconferência
- Esclarecimento de dúvidas
- Apresentação de propostas e condições de pagamento
- Fechamento da venda
Canais de vendas
Depois de definir o tipo de venda e o modelo de processo, falta escolher o canal por onde ela vai acontecer — dentro ou fora do ambiente digital.
Canais físicos
- Vendedores: constroem relacionamento direto com o consumidor; são comuns na venda direta e consultiva.
- Publicidade tradicional: TV, rádio, outdoor, material impresso e eventos promocionais.
- Loja física: oferece uma experiência sensorial que reforça a confiança do cliente na marca.
Canais digitais
- Loja virtual: reproduz a experiência de uma loja física com a comodidade da compra online.
- Redes sociais: funcionam como vitrine e ferramenta de relacionamento, com recursos de marketplace embutidos em plataformas como Instagram e Facebook.
- Conteúdo promocional: e-books, newsletters e e-mails interativos que ajudam a nutrir o relacionamento com o lead antes da compra.
Se o seu canal principal for digital, vale se aprofundar em como vender pela internet e, caso ainda não tenha uma loja no ar, no passo a passo para criar um site para empresa.

Qual tipo de venda escolher para o meu negócio?
Não existe uma modalidade “melhor” — a escolha depende do produto, do público e da estrutura que você já tem. Como ponto de partida:
- Vende produtos técnicos ou de ticket mais alto? A venda consultiva tende a converter melhor.
- Quer começar sem loja física e com pouco investimento? Venda direta, consignação ou dropshipping reduzem a barreira de entrada.
- Vende para outras empresas? Estruture o processo como venda corporativa (B2B), com um ciclo de decisão mais longo.
- Quer escalar sem depender de vendedores? O modelo Service Sales, apoiado por marketing digital, costuma funcionar melhor.

Perguntas frequentes sobre tipos de vendas
Dropshipping precisa de CNPJ?
Assim como qualquer outra venda online recorrente, o dropshipping pode ser operado como pessoa física no início, mas formalizar com um CNPJ facilita a emissão de nota fiscal, o acesso a fornecedores e a abertura de conta em plataformas de pagamento e marketplaces.
Posso combinar mais de um tipo de venda no mesmo negócio?
Sim, e isso é bastante comum. Uma empresa pode vender diretamente ao consumidor final (B2C) por uma loja virtual e, ao mesmo tempo, manter uma operação B2B para revendedores, ou combinar consignação em pontos físicos parceiros com dropshipping no canal online.
Qual a diferença entre venda direta e venda consignada?
Na venda direta, o revendedor compra o produto do fornecedor antes de revender, assumindo o risco do estoque. Na consignada, o produto continua sendo do fornecedor até ser vendido — o comerciante só paga a comissão sobre o que efetivamente saiu, o que reduz o risco de capital parado.
Venda casada é crime?
É uma infração ao Código de Defesa do Consumidor (artigo 39, inciso I), passível de multa e outras penalidades administrativas para o estabelecimento — não necessariamente um crime no sentido penal, mas uma prática proibida e que pode gerar denúncia às autoridades de defesa do consumidor aos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon.



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