Filme "O Fundador" e a história do MCdonald's

O McDonald’s é um dos símbolos americanos mais marcantes do mundo. Seu logotipo se tornou onipresente em todos os EUA desde a década de 50 e levou a cultura do hambúrguer até países que nunca ouviram falar na iguaria.

Com um padrão de qualidade único e que não permite alterações, é possível comer um sanduíche do McDonalds em qualquer país e cidade. Com a certeza que encontrará o mesmo sabor, formato e padrão das lojas.

A trajetória dessa rede e de seu visionário fundador Ray Kroc é contada no filme The Founder (O Fundador), que no Brasil ganhou o nome de Fome de Poder. Estrelada por Michael Keaton como Ray, o filme mostra como a pequena lanchonete da Califórnia se transformou num símbolo cultural norte-americano, semelhante à Coca-Cola.

O Fundador 

A história quase inacreditável do vendedor de máquinas de milk shake que se transformou num dos empresários mais ricos e importantes do mundo é narrada no filme “Fome de Poder” (The Founder). O filme conta a trajetória da rede de lanchonetes McDonald’s, que em apenas dez anos já fazia parte da cultura pop americana e estava inserida em quase todos os países do mundo.

A história mostra que estar no lugar certo, com a pessoa certa e saber o que fazer naquela hora faz toda a diferença entre se manter na mediocridade ou mudar sua vida do avesso. Ray Kroc conheceu os irmãos McDonald’s por acaso e construiu um verdadeiro império alimentício que permanece no topo. Hoje serve de inspiração para novos empreendimentos semelhantes e também como símbolo de marketing.

O McDonald’s é o principal representante do capitalismo americano e de seu estilo de vida. O padrão de produção de hambúrguer criado pelos irmãos McDonald’s é utilizado até hoje. Com poucas mudanças apenas tecnológicas. O M formado em aros dourados está por toda parte, levando os mesmos cardápios e sabores rigorosamente idênticos para todos os continentes do mundo. Seja nos bairros mais pobres aos mais abastados.

O filme já é muito interessante por descortinar a verdadeira história da criação do McDonald’s, sem omitir o papel criador dos irmãos Maurice e Richard. Ele é contado sobre narrativa histórica, com Michael Keaton no papel de Ray Kroc e se inicia a partir da descoberta da pequena lanchonete dos irmãos McDonald’s, na Califórnia. No filme, o personagem de Keaton é uma pessoa determinada, visionária e muitas vezes inescrupulosa e que não abre mão da ética e da família quando é necessário.

Considerado um messias do capitalismo, Ray demonstra claramente o perfil do self made man, cheio de ambições e que não se contenta com pouco. O personagem vivido por Keaton valoriza a meritocracia e mantém viva a utopia do Sonho Americano. Usando o marketing com uma destreza de poucos. Apesar disso, o personagem nunca deixa de ser uma figura admirável pela sua persistência e habilidade.

O diretor John Lee Hancock usa cores quentes como base do filme, tal qual as cores principais da rede de restaurantes. Seu roteiro se define como um criador de dificuldades para que a solução seja criada. Onde o protagonista sempre encontra uma grande oportunidade diante de um eminente fracasso.

O Ray de Keaton é carismático, que sabe falar com rapidez e sempre sorrindo. A sua ironia como estilo de vida já começa pelo nome do filme. Já que na verdade Ray Kroc não é o fundador do McDonalds e sim aquele que o transformou num empreendimento de sucesso sem proporções.

O roteiro apresenta com maestria como o McDonald’s se transformou na “nova igreja” americana. Verdadeiramente cultuada e reproduzida como um verdadeiro ídolo carismático e divino. Apesar disso, ele tem como mérito não rotular os consumidores da rede.

Inovações criadas pelo McDonald’s

A marca tem um cuidado muito rigoroso com todos os detalhes de rede. Acompanha atentamente todos os franqueados para que sigam exatamente todas as regras propostas, desde decoração da loja até mesmo o atendimento.

Dentre as inovações que foi pioneira, estão a substituição de talheres, copos e pratos por descartáveis. Outra grande mudança é o fato da cozinha ser aberta e poder ser vista por qualquer cliente, logo na hora da compra. Dessa forma, todo o procedimento de preparo do sanduíche e a assepsia do local são observados por quem consumirá o produto.

O McDonald’s eliminou a garçonete para atender o cliente em suas mesas e servi-los, fazendo com que eles saiam de suas mesas e carros para se dirigir ao balcão, escolha seu produto e o receba em poucos minutos. E é o próprio cliente quem recolhe sua bandeja e leva até um dos lixos espalhados na lanchonete.

O cardápio enxuto e com alimentos criados com base em uma linha de montagem praticamente industrial, onde cada funcionário da cozinha é responsável por uma parte dele. Um cuida da fritura, outro do molho, outro da batata entre outras funções, até chegar o sanduíche no balcão, todo montado e dentro de uma caixa também inovadora.

Logo na gestão de Ray Kroc o cardápio foi reduzido em apenas nove itens, que virou um grande sucesso. Seu primeiro slogan foi “Famous Hamburgers” que em seguida virou “French Fries”, as famosas batatas do McDonalds.

O seu sanduíche mais famoso, o Big Mac, foi criado em 1968 e é o responsável pelo começo da idolatria à marca.

Em rara situações a empresa cede ao acréscimo de produtos que fazem muito sucesso regionalmente e são amplamente requisitados pelos frequentadores. Um deles é o McHot Dog, que é vendido em poucos países. Outro é o pastel, que já foi vendido no Rio de Janeiro e que ficou por alguns anos no cardápio.

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McDonald e a cultura

O McDonald’s é um restaurante democrático. Seus sanduíches são conhecidos e saboreados por todas as classes sociais do planeta. Seu principal público sempre foi o jovem, que por conta de sua comida estilo junk food vem causando muitas polêmicas durante toda sua existência. É notório que a profusão de obesos americanos tem a influência da rede de lanchonetes, que incentiva o consumo do lanche em troca de uma refeição. Inclusive em crianças a partir do acréscimo de brinquedos do McLanche Feliz.

O chef britânico Jamie Oliver foi autor de um dos mais recentes escândalos, ao provar na TV que a rede usava hidróxido de amônio para transformar partes gordurosas da carne e acrescentar em seus recheios. A denúncia causou uma mudança na fabricação dos hambúrgueres, mas não foi a única.

A pressão sobre as calorias de seus pratos fez com que a rede começasse a mudar radicalmente seus conceitos. Em 2004 a rede começou a oferecer um cardápio mais saudável, acrescentou saladas como opção de acompanhamento, assim como frutas e iogurte para o lanche das crianças, o que amenizou as críticas em prol do bem estar. Inclusive as embalagens passaram a conter as informações nutricionais dos produtos, que passaram a ter menos sódio e calorias. Também passou a investir em campanhas contra a obesidade infantil, patrocinou esportes e programas em prol de uma vida saudável.

Mas mesmo sendo odiada por uma parte da população e também contestada, alvo de protestos, o McDonald’s continua no topo das marcas mais importantes do mundo. Mesmo com sua concorrência pesada e que em muitos locais, principalmente nos EUA conseguiram atingir a liderança, a rede é referência de comida rápida, de sabor padronizado e de tudo o que Ray Kroc idealizou quando decidiu vender a franquia dos irmãos McDonald’s.

Um exemplo de sua representatividade econômica é que seu principal sanduíche, o Big Mac, serve como referência comparativa de poder de compra entre os países.

Quem foi Ray Kroc

O americano de Illinois Raymond Alexander Kroc nasceu em 1902 de pais imigrantes de origem tcheca. Começou a trabalhar desde cedo como motorista de ambulância da Cruz Vermelha, vendedor de copos, pianista e músico de jazz. Até começar a trabalhar em paralelo a carreira de músico, num alojamento de alimentação.

Foi ali que começou a aprender muito sobre esse tipo de negócio, se interessando cada vez mais pela área de alimentação, onde continuou trabalhando mesmo que como vendedor de máquinas de Milk shake. Até os 52 anos Ray Kroc vivia de suas comissões como vendedor, e foi a partir dessas vendas que conheceu os irmãos McDonald, numa pequena lanchonete na Califórnia.

Mesmo com o sucesso local da lanchonete pela sua inovadora forma de produção, os donos estavam insatisfeitos com o pouco lucro obtido e estavam abertos a ideias inovadoras que pudessem mudar o quadro. Logo Ray Kroc ofereceu vender franquias da marca e se apresentou como uma espécie de sócio do negócio, que foi imediatamente aceita pelos irmãos.

Os irmãos McDonald’s haviam criado um novo método de fabricação de hambúrguer, que permita um atendimento ultrarrápido e padronizado. Mas isso não era suficiente para expandir os negócios e Ray precisou ser muito habilidoso para superar a concorrência, que nunca foi pequena e nem fácil de lidar.

O visionário vendedor decidiu usar seu tino para os negócios e deixar sua ambição aflorar para rapidamente fazer crescer as franquias. Começou com uma taxa de U$ 900 para iniciar a loja, até a comprar o terreno e alugar para os franqueados, como forma de aumentar o rendimento.

Ao abrir uma loja em Illinois, sua terra natal Ray obteve um sucesso extraordinário para a época e do dia de sua inauguração é comemorada pela rede até hoje. Sendo o marco inicial do sucesso que ela se transformou.

Sua carta na manga era o rigor na qualidade da marca, que impunha a todos os franqueados que fizessem tudo absolutamente igual. As mudanças propostas eram avaliadas e, normalmente, descartadas. O intuito era obter um padrão real e que não deixasse escapar detalhes.

Em pouco tempo Kroc comprou o restante da marca dos irmãos McDonald’s por uma boa quantia na época e se dedicou de corpo e alma na rede. Começou a fazer negócios, expandindo a marca, ampliando a rede de franquias e, principalmente, investindo maciçamente na propaganda.

Ray Kroc, que era um vendedor habilidoso e astuto, se tornou um empresário sagaz e até perverso no mundo dos negócios. Não media esforços para expandir sua marca. Sua ambição desregrada fez alguns poderosos inimigos, inclusive a própria família McDonald’s que relata que Kroc não cumpriu com promessas financeiras feitas e proibiu os irmãos a usarem o próprio nome em outros negócios.

Em 1967, já com mais de mil franquias só nos Estados Unidos, Ray Kroc inicia sua expansão internacional começando pelo Canadá e Porto Rico, já com o design padrão arquitetônico do telhado ao redor do restaurante e mesas internas. O restaurante chegou na Ásia em 1971, com uma loja em Tóquio. A primeira loja na Europa foi na Holanda e da América do Sul no Brasil.

Tanto esforço deu certo: Em menos de dez anos da gestão de Ray Kroc o McDonald’s se tornou uma das marcas mais conhecidas em todo o mundo, e morreu bilionário, com um faturamento anual de cerca de 40 bilhões de dólares.

Ray Kroc pouco falava sobre sua vida pessoal, sequer mencionando seus filhos em seu livro autobiográfico. Teve três mulheres, cuja primeira era Ethel de quem se divorciou logo que começou a empreitada do McDonald’s. A segunda mulher foi Jane Dobbins de quem logo se divorciou ao se encantar por Joan, que era mulher de um franqueado, com quem se casou e viveu até a morte.

Com Joan, Ray encontrou a parceria ideal para suas empreitadas. Tão ambiciosa quanto ele e com imenso prazer em usufruir a fortuna do marido, o casal passou por momentos positivos e negativos, sempre um apoiando o outro. Uma delas foi quando Kroc sofreu um AVC e precisou parar de beber para tomar seus medicamentos. Sabiamente alcoólatra, Ray Kroc começou a frequentar grupos de ajuda para controlar sua doença e a apoiar financeiramente outros destinados a ajudar os alcoólatras.

Seu modelo de filantropia aliada ao marketing da rede de fast food acabou abrindo as portas para a responsabilidade social corporativa, mais comum nos dias de hoje. Ainda baseado em business, suas investidas no ramo se mantiveram após sua morte, ajudando milhares de pessoas como a Casa Ronald McDonald, que apoia crianças com câncer, além de centros de pesquisa para tratamento de doenças de alcoolismo, diabetes, câncer e outros vícios.

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Escrito por eGestor
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