Gestão financeira: Como fazer a de pequenas e médias empresas

Escrito em: 22/02/22
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Para que pequenas e médias empresas possam crescer de maneira sustentável, é fundamental que os processos sejam gerenciados de forma correta. Isso requer uma gestão financeira eficiente – afinal de contas, são as finanças que vão garantir que as contas sejam pagas, que não haja dívidas e que os investimentos necessários sejam realizados.

Você, provavelmente, também deve sentir essa necessidade no seu dia a dia e perceber que uma melhor gestão poderia fazer sua empresa crescer ainda mais. Mas o que esse procedimento abrange?

O que é a gestão financeira?

Tomar decisões estratégicas, que permitam elevar o valor da sua empresa, é feito por práticas como administração do fluxo de caixa, análise da criação de valor a partir de ferramentas financeiras e otimização da estrutura de capital. Ou seja, a gestão financeira é saber tomar as decisões certas e com o suporte de dados reais.

A gestão das finanças, portanto, traz uma visão ampla do negócio e não analisa somente pelo lucro. Na realidade, ela considera as possibilidades de investimento e de financiamento.

A dúvida que fica é como fazer uma gestão de finanças adequada para que a sua empresa apresente uma performance melhor. O primeiro passo é cuidar do orçamento empresarial.

Gestão Financeira: entenda a importância para a organização

A importância de ter essas informações atualizadas parte do princípio que, sem esses dados, a rotina administrativa e processos acabam ficando sem suporte, uma vez que tudo está relacionado ao controle financeiro.

A gestão do capital também permite analisar como foi o resultado no passado e o que está acontecendo no presente, além de possibilitar a identificação de despesas desnecessárias e o ajuste de falhas anteriores.

A partir disso, se descobre quais investimentos estão sendo prejudicados pela retirada de capital de giro, ou se os colaboradores de determinada área poderão sofrer reajuste salarial devido a seu desempenho, por exemplo.

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Os 4 pilares da gestão financeira

Existem quatro pontos que são os mais importantes na hora de fazer uma gestão financeira eficiente. Esses também são conhecidos como ciclo PDCA. São eles:

Planejar

O que quer que seja feito, deve sempre ter um planejamento, e com o financeiro de uma empresa não pode ser diferente. O planejamento é o primeiro passo para realizar uma gestão financeira eficiente. Mas, também, ele serve para entender onde se quer chegar.

Com o planejamento é possível estabelecer as metas de acordo com o que é planejado, fazendo com que elas estejam mais perto da realidade. Também, é quando é definida a equipe e as tarefas a serem realizadas.

Controlar

Basicamente, esse é o controle do controle financeiro. Para ter uma gestão financeira bem feita, é necessário que todos os dados sejam registrados. Por isso, é importante que se tenha alguém responsável pelo controle financeiro e uma atenção a mais.

Analisar

Com a inserção das informações financeiras, se tem mais dados para análise. Com essa análise se pode entender o que funciona e o que não funciona na gestão financeira do negócio.

Assim, se analisa tanto dados quanto resultados. Com isso é possível avaliar se as metas estão condizentes com a realidade, por exemplo.

Investir

Com os resultados obtidos através da análise, baseado nos dados e resultados obtidos, a escolha dos novos investimentos é mais assertiva. Ainda, os investimentos já realizados devem ser medidos através da gestão financeira.

Saiba como fazer a Gestão Financeira corretamente

Conheça todos os seus vencimentos

Mais do que conhecer, é preciso ter controle e registro de todos os vencimentos — seja de fornecedores, impostos ou contas de consumo da empresa.

Pagar as obrigações em atraso gera mais despesas em multas e juros. Além disso, é possível que se perca a concessão de descontos para quitação adiantada no caso dos fornecedores.

Em relação aos impostos, o não pagamento em dia suspende as Certidões Negativas de Débitos (CNDs) — documentos que sempre devem ser mantidos válidos e atualizados.

Portanto, mesmo que seja apenas em uma planilha, mantenha registro de todos os vencimentos com descrição das obrigações e seus valores. De preferência, utilize um programa de gestão financeira para PMEs e acompanhe os seus relatórios.

Separe as finanças pessoais e empresariais

Esse é um dos erros mais comuns nos negócios, se não o mais comum. Ainda que a empresa seja totalmente sua e todo o dinheiro necessário para o início tenha sido seu, não se pode tratar as finanças dessa forma.

Essa prática facilita o descontrole das contas, do capital de giro e do caixa. Por fim, pode acabar faltando dinheiro para operações e obrigações. Além disso, se torna quase impossível ter uma escrituração contábil exata e correta — o que é passível de multa.

Defina um salário para você e o retire mensalmente, de forma oficial via pró-labore. Não saque dinheiro do negócio frequentemente para o seu bolso. E quando fizer as retiradas de lucro previstas, siga o procedimento contábil correto.

Controle o estoque com excelência

O estoque não tem só produtos ou materiais disponíveis para gerar faturamento. Ele tem dinheiro em bens que influenciam nas finanças atuais e em curto prazo.

Não controlar o estoque é facilitar a ocorrência de perdas por motivos diversos. Então, novas compras — desnecessárias — precisam ser feitas.

E o mesmo ocorre quando algum item é armazenado em excesso, além do fato de isso não ser identificado para que o gestor crie uma estratégia de liquidação das sobras.

Então, primeiramente, tenha o registro de tudo o que está estocado detalhadamente. Depois, atualize o histórico com as saídas e entradas de itens.

Novamente, recomendamos que dê preferência a uma ferramenta de gestão financeira de pequenas e médias empresas. Pois o trabalho se torna mais fácil, rápido e exato, integrado ao gerenciamento das finanças e notas fiscais dentro da plataforma.

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Faça planejamento financeiro

As finanças empresariais devem ser planejadas logo no começo do ano, com as previsões de faturamento e despesas e lançamento dos custos já conhecidos para o período.

Assim, o gestor sabe anteriormente se os saldos em caixa são suficientes ou se terá dificuldades ao longo do ano — o que dará tempo para agir.

O contrário, cuidar das finanças mês a mês, pode fazer com que de repente, por exemplo, o negócio se veja sem capital de giro e com contas próximas a pagar.

Acompanhe os números mensalmente

O planejamento financeiro deve ser anual, mas as análises precisam ser mensais. O acompanhamento próximo facilita na identificação de oportunidades e necessidades e também permite que se avalie se o andamento das finanças está conforme o planejado, abaixo ou acima das expectativas.

Mantenha o fluxo de caixa impecável

O fluxo de caixa pode ser visto como uma das bases para uma boa gestão financeira de pequenas e médias empresas. Isso porque ele registra todas as entradas e saídas de dinheiro e, por meio das suas projeções — que sempre devem ser feitas —, dá suporte ao planejamento financeiro e às análises mensais.

Então, faça do seu uma boa ferramenta por meio de ações simples, como:

  • Não deixe as anotações para depois. Fazê-las no momento de cada movimentação ou pelo menos a cada fim de expediente;
  • Não ignorar valores pequenos. Dar importância a todos os ganhos e gastos menores, pois somados podem se tornar relevantes;
  • Fazer conciliação bancária, pois alguns recebimentos podem entrar diretamente pelas contas bancárias. Então, precisam ser registrados e devem fazer parte dos saldos das disponibilidades mesmo não entrando diretamente no caixa;
  • Não adiantar ou atrasar datas. O fluxo de caixa precisa ser fiel à realidade da empresa. Então, se um pagamento é recebido em atraso pela empresa, seu saldo pode ficar para o próximo mês, e o fluxo deve mostrar exatamente isso.

Estabeleça e acompanhe indicadores financeiros

Os indicadores auxiliam na gestão financeira para PMEs porque medem o sucesso por meio de aspectos relevantes e distintos, mas que podem influenciar uns aos outros. Mas como escolhê-los?

Existem alguns que são básicos e servem a todas as empresas. Então, partindo disso, acompanhe sempre, no mínimo:

  • A lucratividade;
  • O ticket médio;
  • As despesas fixas e variáveis;
  • O faturamento;
  • Os recebíveis em curto e longo prazo.

Além deles, você pode definir indicadores não gerais mas importantes especificamente para a sua empresa. Por exemplo, para um escritório de contabilidade é fundamental medir o Lifetime Value, que significa o valor que cada cliente representa por período de relacionamento — pois os serviços contábeis são contínuos e adquiridos por meio de contratos periódicos.

Para cada indicador, além do período de acompanhamento, defina metas a serem alcançadas. Dessa forma, se tornam úteis e não servem apenas como relatórios gerenciais de visualização de números.

Isso porque os objetivos auxiliam na análise da evolução de quesitos como o ticket médio e no controle de indicadores como despesas fixas e variáveis.

Outra ação muito importante para a gestão financeira de pequenas e médias empresas é sempre continuar adquirindo conhecimento sobre a área.

Quais são os impactos de uma má gestão financeira?

Como pessoas físicas, sabemos como uma falta de controle financeiro pode ser impactante. Em uma empresa não há como ser diferente. A taxa de mortalidade das empresas no Brasil é o que mais demonstra isso.

Segundo pesquisa realizada pelo IBGE, grande parte das empresas que fecharam, declararam que o principal motivo foi a falta de gestão financeira. Isso só mostra que a falta de um controle financeiro, ou até a decisões erradas, podem ser fatais para um negócio.

Por isso, um controle financeiro pode até ser o mais básico possível, desde que seja bem feito.

Também, o resultado de uma má gestão pode fazer com que a empresa não cresça. Afinal, ela pode até conseguir realizar seus pagamentos, mas isso não quer dizer que há valores para realizar investimentos, por exemplo.

Tudo isso afeta questões como produtividade dos funcionários, as vendas, o controle de estoque e, principalmente, os resultados.

Quais são os principais erros da gestão financeira?

A gestão financeira está ligada ao controle feito de valores de entrada e saída. Muitas vezes essa falta de controle é o principal erro. Mas, existem outros que podem influenciar. Por exemplo:

  • Não fazer análise do desempenho: a análise é muito parecida com o pilar de controle. É muito importante cuidar constantemente do dinheiro. E a análise de desempenho faz com que seja visto com mais clareza esses valores, o que será usado para investimento ou pagamento, por exemplo.
  • Não controlar o estoque: o estoque é o principal ativo da empresa. Ou seja, a principal forma do negócio ganhar dinheiro é com a venda de produtos do estoque. Consequentemente, ele é o ativo de mais importância. Assim, não cuidar dele e desses produtos, é o mesmo que não cuidar do dinheiro, ou jogar dinheiro fora.
  • Não separar finanças pessoais com as da empresa: uma prática muito comum em empresas é o dono, ou até o sócio, pegar dinheiro do caixa para pagar despesas pessoais. Mesmo que esse controle seja feito na hora da retirada, ele não consegue ser contabilizado corretamente. Também, essa é uma das maneiras com que se abre brecha para roubos, por exemplo.
  • Não considerar o capital de giro: o capital de giro é o valor que a empresa precisa para continuar operando. Desconsiderar esse indicador pode trazer os mais diversos problemas. Uma vez que a empresa recebe ou faz pagamentos parcelados, ela deve ter em mente que esses valores devem ser considerados no tempo correto.
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7 dicas de gestão financeira para a sua empresa

1. Entenda ao menos o básico de finanças

De fato, você não precisa ser um grande especialista em finanças, mas, de novo: lembre-se de que esse é o seu negócio. Você investiu muita energia, dinheiro e expectativas nele, então, não deixe suas finanças abandonadas!

Para começar, aprenda a gerenciar seu fluxo de caixa. Saiba quanto você tem de caixa, quanto entrou e quanto saiu nos meses e anos anteriores. Então, levando isso em consideração, projete os próximos meses.

Inclusive, é sempre importante ser conservador nas projeções. Ou seja, para nunca ser surpreendido por um desempenho pior do que o esperado, utilize sempre os “piores” números possíveis.

2. Faça um bom controle mensal

Esta dica deriva da primeira: não deixem acumular vários meses sem fazer controle de fluxo de caixa. Insira essa atividade na sua rotina — assim, você reduz muito o risco de ser pego de surpresa e não ter os recursos necessários para honrar seus compromissos ou fazer os investimentos necessários.

3. Registre tudo e organize seus documentos

Nenhum dono de negócio pode se dar ao luxo de não ter seus documentos organizados. A empresa tem que estar sempre apta a prestar conta dos seus negócios, seja para o governo — Receita Federal, estado e município —, para fornecedores ou para os clientes e ex-clientes.

Então, registre tudo e guarde todos os documentos de forma organizada e sistemática. Acredite: isso vai poupar tempo e muita dor de cabeça!

4. Gerencie o seu tempo

Sabemos que um empresário tem muitas responsabilidades e uma vida sempre atribulada. Por isso, você precisa ter bem definidas quais são as metas para o seu negócio.

Além disso, estabeleça quanto tempo vai dedicar a cada uma delas. E não se esqueça de que ter uma boa saúde financeira deve ser uma meta permanente para a sua empresa!

Na verdade, isso não é apenas uma meta — é uma premissa. Um negócio sem boa gestão financeira não é sustentável, portanto, defina quanto tempo você vai dedicar a esse tema.

5. Separe as contas da empresa das suas contas pessoais

Fazendo um fluxo de caixa realista, você vai saber quanto pode retirar mensalmente. Então, abra uma conta para a sua empresa e use o cartão da empresa apenas para contas relativas ao negócio.

Com base nisso, defina o seu pró-labore e não misture as suas contas com as da empresa. Se não houver essa separação, você pode perder o controle rapidamente, gastando mais do que ganha, e não conseguir atingir seus objetivos.

6. Planeje seu crescimento com base nos dados

Agora que você já se organizou e conhece bem suas receitas, suas despesas, de onde elas vêm e qual é sua natureza, ficará muito mais fácil planejar o futuro da sua empresa.

Assim, você conseguirá detectar melhor as oportunidades — tanto com relação à redução de custos quanto perceber onde há mais oportunidades de negócios, de captar novos clientes e aumentar suas vendas.

Contudo, é importante sempre estar atento à realidade e corrigir rumos. Então, lembre-se de rever seu planejamento estratégico periodicamente, analisando os novos dados que vão sendo inseridos.

7. Conte com um bom sistema de gestão financeira

Muitas vezes, começamos a fazer a gestão financeira em uma planilha. O tempo passa, e acabamos abrindo outra planilha, com outro objetivo. Então, certo dia em que estamos com pressa, fazemos uma anotação no bloquinho mesmo.

Quando vamos ver, o caos já se instalou, e vai tomar um bom tempo para reorganizar tudo. Isso na melhor das hipóteses, porque ainda pode acontecer de perdermos informação no meio dessa bagunça toda.

Por isso, o mais recomendado é contar com um bom software de gestão financeira. Assim, você ganha agilidade e tem mais tempo para se concentrar na parte estratégica da sua empresa, sem correr riscos desnecessários.

Além disso, usar um sistema é mais prático, pois todas as informações ficam centralizadas em um mesmo lugar, de fácil acesso, e podem ser compartilhadas com quem for preciso — equipe, fornecedores, clientes.

Por fim, isso ainda minimiza a ocorrência de erros e reduz custos com recursos humanos e com espaço para armazenamento de documentos. De fato, são muitas as vantagens de contar com um bom software de gestão financeira.

Gestão financeira: Planejamento orçamentário

O orçamento é um elemento importante para qualquer empresa, porque ele oferece a possibilidade de avaliar o histórico da organização e planejar investimentos econômicos e financeiros futuros. É, por isso, uma previsão que vai embasar as decisões da organização.

Quando falamos em planejamento orçamentário estamos abordando especificamente a projeção de despesas, custos, receitas e investimentos que você pretende fazer na sua empresa por determinado período de tempo futuro, que pode ser mensurado em meses ou anos.

É uma tentativa de antecipar o futuro e prever o que poderá vir pela frente para que a empresa esteja preparada para diferentes cenários. Isso não significa, porém, que o planejamento do orçamento é feito com base naquilo que você supõe ou deseja.

Sua base são os aspectos financeiros e operacionais, que ajudam a determinar estratégias, objetivos e políticas a fim de que os objetivos organizacionais estejam equilibrados com as atividades necessárias, as datas em que elas devem ser executadas e com o uso dos recursos.

Compreendendo a parte teórica, é necessário saber o que o planejamento orçamentário contempla. Os passos que devem ser seguidos são:

Levantamento das receitas

São os valores que a empresa tem a receber no período de tempo avaliado. Abrange as seguintes etapas:

  • Determinação do volume de vendas atual e o valor médio de cada produto;
  • Estipulação da taxa de crescimento de vendas que se espera para o ano seguinte – processo que considera o índice de evolução identificado em períodos anteriores, a situação econômica e previsões para o mercado consumidor, as suas metas para o negócio e possíveis períodos de sazonalidade (como períodos de clima mais ou menos ameno, férias e entressafra);
  • Previsão do montante esperado de vendas para o ano seguinte, especificando mensalmente;
  • Cálculo dos impostos sobre o faturamento, tomando como base as vendas projetadas;
  • Contabilização da receita líquida da empresa (ou seja, já excluindo os impostos).

Avaliação dos custos

A partir da definição do volume de vendas aguardado para o próximo ano, pode-se contabilizar o custo dos produtos e mercadorias vendidos (indústria e comércio, respectivamente) ou serviços prestados.

Devem ser incluídos a mão de obra direta, os insumos diretos e outros elementos relacionados. Além disso, deve-se projetar uma expectativa de inflação para planejar de forma adequada os gastos relacionados à comercialização, produção ou serviço.

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Análise das despesas

Nesse momento, o objetivo é avaliar o total de despesas que a sua empresa possui atualmente, considerando aquelas relativas a finanças, administração e vendas.

Em seguida, considere os orçamentos identificados para custos e receitas e verifique a necessidade de ampliar a estrutura das despesas. Por exemplo: contratando mais pessoas para trabalhar na área de vendas, oferecendo prêmios para os funcionários que alcançarem as metas estipuladas etc.

Verificação dos resultados

Você analisou despesas, custos e receitas. Agora, deve-se verificar se os resultados esperados são condizentes. Por exemplo: sem elevar os custos de produção, a receita não poderá aumentar por meio da venda de produtos. Da mesma forma, a empresa não vai produzir mais com menos recursos se não houver investimentos no processo de produção nem capacitação para os empregados.

Outro item que deve ser analisado são os resultados intermediários, como o lucro antes do Imposto de Renda e o lucro bruto. Eles devem estar de acordo com as expectativas e os objetivos que você possui. Se não estiverem equilibrados, é necessário rever o planejamento orçamentário e pensar em ações para solucionar esse problema, como, por exemplo, reduzir despesas e custos.

Agora, se o planejamento orçamentário estiver seguindo suas necessidades, você pode calcular o resultado final do exercício, ou seja, o lucro líquido, e fazer a previsão para o Imposto de Renda.

Avaliação da necessidade de investimentos

O planejamento orçamentário também passa pela identificação dos investimentos necessários. Um dos pontos principais é a possibilidade de aumentar a estrutura de capital, seja por meio da aquisição de novos equipamentos e prédios, seja mediante modificações do processo produtivo.

O orçamento para investimentos deve ser condizente com os resultados aguardados pela empresa. É importante destacar que a demonstração de resultados não contabiliza os investimentos, mas eles são fundamentais para o crescimento do negócio.

A dica é financiá-los usando lucros retidos e que não foram distribuídos. Se necessário, também é possível buscar crédito em instituições financeiras, sempre lembrando que as parcelas devem ser pagas com os resultados.

Seguindo essas dicas, você consegue agregar valor às atividades empresariais e melhorar seus resultados. Mas, como vimos, isso também passa pelo cálculo dos investimentos.

Gestão financeira: Cálculo de investimentos

Como já vimos, seu negócio só pode crescer se você fizer investimentos consistentes. Eles podem ser categorizados como desembolsos feitos para a aquisição de bens, como equipamentos, máquinas, veículos, ferramentas etc. Os investimentos também podem ser usados para capacitações e treinamentos. Nesse caso, são chamados de operacionais.

Outra possibilidade é usar sobras de caixa e lucros para expandir o patrimônio da organização. Isso pode ser feito por meio da aplicação de dinheiro em fundos de investimento ou na compra de ações de outras empresas, por exemplo. Nessa situação, os investimentos são chamados de financeiros.

Você pode apostar em qualquer uma dessas categorias. Apenas precisa analisar fatores externos e internos, como o crescimento do mercado, o segmento em que a empresa atua, taxas de retorno de cada investimento etc.

O importante é que você faça o cálculo dos investimentos realizados, ou seja, utilize indicadores que permitam analisá-los. Os principais indicadores são:

Taxa Interna de Retorno (TIR)

Apresenta a taxa de retorno do investimento realizado, ou seja, a rentabilidade do projeto. Para interpretar o resultado da TIR, é preciso compará-la à Taxa Mínima de Atratividade (TMA), que indica o percentual mínimo que o projeto deve oferecer de retorno. O cálculo da TIR deve ser feito com uma calculadora financeira ou por meio de planilhas eletrônicas.

Quando a TIR for:

  • Maior que a TMA, o investimento é atrativo;
  • Igual à TMA, o investimento é indiferente;
  • Menor que a TMA, o investimento não compensa economicamente.

Valor Presente Líquido (VPL)

É a fórmula utilizada para calcular o valor presente dos pagamentos futuros, fazendo o desconto da taxa de custo de capital que foi determinada. O VPL existe, portanto, porque o dinheiro do futuro não vale a mesma coisa que o recurso que se tem no momento.

A taxa de custo de capital que deve ser descontada é definida com base em fontes confiáveis. A principal é a Selic, taxa de juros básica determinada pelo Banco Central.

Se o valor do VPL for, por exemplo, de R$ 17 mil, o investimento vale a pena se tiver um valor abaixo disso.

Payback

Esse último indicador aponta o prazo para que o lucro acumulado se iguale ao investimento inicial. O resultado é apresentado em dias, meses ou anos.

O payback considera o fluxo de caixa livre acumulado, que representa a soma dos fluxos de caixa da projeção. Caso o investimento seja novo, é normal que os primeiros meses tenham valores negativos, que vão se transformando em positivos com o passar do tempo.

Os resultados positivos mostram quando a empresa começou a lucrar com o investimento. Esse é o período em que o payback foi alcançado.

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Administração de fluxo de caixa

Já ficou bem claro que a gestão das finanças das pequenas e médias empresas dependem diretamente da administração do fluxo de caixa. Basicamente, isso significa gerenciar adequadamente todas as entradas e saídas de recursos financeiros.

Muitas vezes, o fluxo de caixa é realizado em uma planilha simples. Esse método não está errado, mas pode acarretar erros. Por isso, recomenda-se usar um software financeiro, que permitirá gerar relatórios acurados e ter mais precisão na análise.

Nesse processo de avaliação, você precisa se atentar a uma série de elementos, como contas a pagar e a receber, estoque, cartão de crédito etc. Sempre que perceber a existência de um desequilíbrio na movimentação financeira, utilize os relatórios para verificar a necessidade de vender mais, receber com mais rapidez ou reduzir/parcelar os pagamentos.

Então, o que verificar em cada um dos elementos do fluxo de caixa? Veja a resposta:

Contas a receber

Esse é um dos elementos que mais interfere no fluxo de caixa. Por isso, vale a pena identificar os clientes que estão devendo e separá-los por grupos, como faixas de valores ou dias em aberto.

Crie uma estratégia de comunicação para cada um dos grupos. Por exemplo: telefonar para quem deve valores altos há mais de 60 dias e mandar apenas um e-mail para quem está devendo há pouco tempo. A dica é não se esquecer de ninguém.

Outro ponto relevante é oferecer diferentes métodos de pagamento para os clientes. Você pode ofertar o pagamento em dinheiro no caixa, parcelamento no cartão de crédito, à vista no débito etc.

Você também pode oferecer descontos para os clientes que pagarem antecipadamente. Esse é um recurso que costuma dar bastante certo.

Contas a pagar

Se a ideia das contas a receber é acelerar o processo para que o fluxo de caixa da sua empresa fique positivo, aqui o objetivo é segurar os recursos financeiros pelo tempo máximo que puder.

Isso não significa deixar de pagar alguma conta ou quitá-la depois do vencimento. Na verdade, é importante saber quais são as obrigações financeiras que você possui e gerenciar os prazos de pagamento. As contas básicas (como água, luz e telefone, por exemplo) podem ser mantidas em débito automático.

Em relação aos fornecedores, o ideal é tentar negociar para melhorar as condições de pagamento e estender os prazos. Uma possibilidade é acordar o pagamento parcelado sem juros, por exemplo.

Com o equilíbrio entre as contas a pagar e a receber, o fluxo de caixa consegue se manter positivo e você não precisa retirar recursos do capital de giro nem pedir empréstimos para honrar os compromissos.

Estoque

Mercadorias armazenadas em estoque são sinônimo de dinheiro parado. A gestão do estoque está atrelada ao gerenciamento financeiro porque os produtos sem giro são evitados e a empresa tem mais recursos financeiros em caixa.

O ideal é trabalhar com uma quantidade mínima de produtos estocados. Assim você consegue atender às demandas dos clientes e não perde vendas, mas também não fica com muito dinheiro parado, o que pode ser prejudicial para o fluxo de caixa.

Gestão financeira: Acompanhamento de DRE

Chegamos agora ao Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE). Esse é outro ponto que já mencionamos rapidamente ao longo deste post, mas que não foi explicado. Então, vamos nos focar nesse elemento.

A DRE é uma ferramenta simples, utilizada para melhorar os resultados das empresas. É um relatório que mostra um resumo econômico das atividades e indica se houve lucro ou prejuízo no período analisado.

Esse documento também é obrigatório uma vez ao ano, mas muitas empresas o utilizam mensalmente para subsidiar as tomadas de decisão administrativas e gerenciais devido ao detalhamento do resultado líquido e da comparação de custos, receitas e despesas.

Por fim, a DRE também mostra se o negócio tem a capacidade de gerar riqueza e melhorar os resultados mediante mudanças na gestão, além de apresentar o status atual da empresa.

A DRE obedece ao regime de competência, que prevê a inclusão de custos, receitas e despesas na data de ocorrência, ou seja, do fato gerador. Sua estrutura é composta por:

  • Receita de vendas subtraída de deduções e impostos, chegando à receita líquida;
  • Receita líquida menos custo variável de produtos vendidos, mercadorias ou serviços prestados, que chegam à margem bruta;
  • Margem bruta menos despesas variáveis, resultando na margem de contribuição;
  • Margem de contribuição menos gastos com pessoal e despesas operacionais, totalizando o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, na sigla em inglês);
  • EBITDA menos depreciação, amortização, exaustão e outras receitas e despesas, alcançando o resultado operacional;
  • Resultado operacional menos tributos (Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL), chegando ao resultado líquido.

Essa é a estrutura geral, mas alguns itens podem ser excluídos ou adicionados conforme a necessidade da empresa.

A DRE pode ser analisada de acordo com 2 parâmetros:

Análise vertical

Permite a verificação do percentual do quanto cada conta de despesas ou custos representa em comparação com a receita bruta. Com o tempo, é possível controlar se o percentual se manteve estável, quais itens estão impactando em excesso e quais ajustes são necessários.

Análise horizontal

Facilita a visualização da proporção entre a elevação ou a redução de custos, receitas e despesas em determinado período de tempo. A comparação é feita sempre com os resultados do mês anterior, o que permite avaliar a produtividade e a rentabilidade da organização e verificar se os índices estão melhorando.

Lucratividade e rentabilidade

O último ponto deste post é a diferença entre lucratividade e rentabilidade e como você deve utilizar esses conceitos. Você sabia que uma empresa pode ser lucrativa, mas não rentável?

Para ficar mais claro, vamos conceituar cada um desses elementos a seguir:

Rentabilidade

Apresenta uma visão mais ampla e está relacionada à capacidade que um estoque de produtos ou um investimento tem de gerar lucros. A ideia é saber se os ganhos obtidos com a ação superam o dinheiro investido na própria empresa ou no estoque.

É por isso que o simples aumento de vendas não significa crescimento da rentabilidade. Por exemplo: se uma mercadoria é vendida por um preço X e esse valor sofre um desconto após um tempo, as vendas podem aumentar, mas isso nem sempre gera um impacto positivo no faturamento. Nesse caso, o aumento das vendas acaba escondendo um problema de rentabilidade.

O cálculo desse índice deve ser feito pela seguinte fórmula:

Rentabilidade = Lucro líquido / Investimento x 100.

Por exemplo: se a empresa tem um lucro líquido de R$ 100 mil e um investimento de R$ 50 mil, a rentabilidade será de 200%.

A rentabilidade é um indicador analisado pelos investidores. Mas atenção! Uma empresa só será rentável se sua receita for mais alta que as despesas e os custos fixos.

Lucratividade

Essa é a relação feita entre o lucro líquido e a receita total da empresa. Sua fórmula é a seguinte:

Lucratividade = Lucro líquido / Receita total x 100.

Seu resultado mostra quanto o negócio ganhou com a venda de alguns produtos. Esse índice é importante para fazer a precificação de mercadorias, produtos ou serviços. Assim, é possível determinar os preços de maneira consciente e sabendo qual será a margem de lucro.

Isso significa que a lucratividade depende dos resultados das vendas e do lucro de cada item comercializado.

Juntos, lucratividade e rentabilidade mostram resultados financeiros complementares e que podem levar a outras interpretações, como a necessidade de recursos para continuar operando o negócio e o limite mínimo de dinheiro para que a empresa se mantenha em funcionamento.

<a href="https://blog.egestor.com.br/author/pedro-henrique-escobar/" target="_self">Pedro Henrique Escobar</a>

Pedro Henrique Escobar

Pedro Henrique Escobar é formado em Administração e gerente de marketing no eGestor. O eGestor é uma ferramenta online para gestão de micro e pequenas empresas. Teste gratuitamente em: eGestor.

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2 Comentários

  1. claudinei vieira

    muito bom, obrgado

    Responder
  2. Lucio Costa

    Muito bom pessoal! Dicas excelentes para todo empreendedor.

    Responder

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