Microambiente e macroambiente empresarial: Como analisar?

Microambiente e macroambiente empresarial: Como analisar?

Os conceitos de macroambiente e microambiente empresarial são apresentados primeiramente pelo pai do marketing, Philip Kotler. De acordo com ele, no ambiente de marketing, existem algumas variáveis que podem, de alguma forma, afetar tanto a competitividade como a rentabilidade de uma organização.

Composto por forças a agentes que são ligados à empresa e têm capacidade para alterar sua capacidade competitiva, o microambiente envolve as variáveis externas (não controláveis), como a política interna do negócio, a concorrência, o público alvo, os fornecedores e os prestadores de serviços, e variáveis internas (controláveis), como a produção, o financeiro, o comercial, os Recursos Humanos e as estratégias de marketing.

O macroambiente de uma empresa, por sua vez, é composto por variáveis externas mais complexas. Essas, são questões de ambientes sociais (demográfico/cultural), ambientes econômicos, naturais e políticas/legais, que têm capacidade para interferir em seu funcionamento, seja de forma positiva ou negativa. Nesse sentido, vale ressaltar que essas variáveis são capazes de afetar o conjunto da sociedade e suas atividades. E isso acontece porque elas envolvem matérias relativas à população.

Para que uma empresa tenha êxito em suas ações e resultados positivos em suas estratégias de marketing, é fundamental que suas ações sejam desenvolvidas de forma adaptada para o microambiente e para o macroambiente. E é nesse momento que muitos empreendedores ficam em dúvida sobre como fazer análises construtivas de micro e macroambiente empresarial para fazer com que o negócio cresça.

Quer saber como fazer análise de microambiente e de macroambiente empresarial? Confira neste artigo exclusivo todas as dicas e informações que temos para você! Veja abaixo:

O que é microambiente empresarial?

O microambiente empresarial é composto por variáveis internas controláveis e externas, não controláveis. Assim, ambas afetam o modo como uma empresa funciona diante de seu mercado. Isto é, o sucesso das ações de marketing de um negócio depende, de forma direta, de outros atores do microambiente interno empresarial. São eles: os fornecedores, os intermediários, os concorrentes, os clientes e os públicos, além dos elementos internos.

Microambiente interno

O microambiente interno são as variáveis internas da empresa, ou seja, aquelas que podem ser controladas internamente. Dessa forma, é possível identificar as forças e as fraquezas dentro de tais variáveis. Elas são os próprios setores da empresa, assim sendo, RH, marketing, comercial, financeiro e outros.

Microambiente externo

O microambiente externo são as variáveis que não se pode controlar. Entre elas estão os fornecedores, que são de extrema importância no que se refere à entrega de valor para os clientes de uma empresa. Isso porque são eles que dispõem dos recursos necessários para que um negócio possa oferecer produtos e/ou serviços aos clientes.

Também os intermediários, que, por sua vez, são os responsáveis por fazer as intermediações necessárias para que esta empresa consiga fazer com que os seus produtos/serviços cheguem até o público alvo.

Já os concorrentes são importantes para que os profissionais de marketing da empresa saibam de que forma devem elaborar estratégias ou uma campanha que seja melhor do que a da concorrência.

Enquanto isso, os clientes devem ser estudados pela empresa para que ela saiba exatamente como conquistá-los e os fidelizar.

Os públicos, por sua vez, são quaisquer grupos com interesse real na capacidade do negócio de atingir seus principais objetivos.

Isto é, para que uma empresa tenha eficiência em todo o seu processo de vendas, é essencial que ela tenha conhecimentos sobre a complexidade de seu microambiente (produção, financeiro, comercial, RH, marketing, fornecedores, intermediários, clientes, concorrentes, públicos). Isso porque quaisquer alterações nesse ambiente devem ser captadas para que o profissional de marketing saiba como se manter atualizado e encontre soluções.

Como fazer a análise de microambiente empresarial?

A análise do microambiente empresarial é realizada para que a empresa saiba como se comportam os seus setores e como se comportam as variáveis externas. Estas variáveis incluem os fornecedores, os intermediários, os clientes, os concorrentes e o público. Portanto, trata-se de uma análise de ambiente que tem o objetivo de captar as informações necessárias para que se possa desenvolver estratégias eficientes. Tudo isso em função da conquista de resultados positivos.

Dessa forma, para fazer a análise de microambiente empresarial será preciso levar em consideração as informações da gestão empresarial, setor de produção, do setor comercial, do RH e o marketing; mas, também, as relações com os fornecedores, intermediários, clientes, concorrentes e os públicos. Afinal, essas informações oferecem os indicadores que o negócio precisa para elaborar estratégias mais eficientes para atingir os seus principais objetivos.

Qual é a capacidade de produção da sua empresa? De que forma o setor comercial atua? Há problemas de RH? Como tem sido o desempenho das suas estratégias de marketing? Como é a relação com os fornecedores? De que forma os intermediários estão fazendo com que os seus produtos/serviços cheguem até o consumidor final? Como os clientes se comportam em relação aos produtos/serviços da sua empresa? A sua empresa é melhor que os seus concorrentes? Qual público atende?

Para o desenvolvimento da análise de microambiente empresarial será preciso responder a todas essas questões e organizá-las de forma lógica. Assim, se pode ter as informações necessárias para que haja planejamento e organização nas estratégias de marketing. Afinal, o sucesso da campanha de marketing do seu negócio depende diretamente da forma como as variáveis internas e externas que compõem o microambiente têm influenciado a empresa.

O que é macroambiente empresarial?

O macroambiente de uma empresa é composto por variáveis externas, não controláveis, que são bem mais complexas em comparação às variáveis que compõem o microambiente. Entre essas variáveis externas estão as forças como:

  • O ambiente demográfico: se refere ao estudo da população (tamanho, idade, sexo, etnia, localização e todos os dados estatísticos importantes para a empresa). Ele é essencial para que o negócio saiba como se comportam os indivíduos que constituem o mercado.
  • as questões econômicas: englobam o comportamento do consumidor (hábitos de compra) e os fatores que podem afetar o seu poder de compra.
  • o ambiente natural: é composto pelos recursos naturais que os profissionais da empresa utilizam como subsídio e que podem ser afetados pelos recursos utilizados pela equipe de marketing.
  • o ambiente tecnológico: se refere à pesquisa e desenvolvimento por parte da empresa para que a mesma saiba como utilizar essa força para obter sucesso.
  • as questões políticas e legais: envolvem as leis, questões governamentais e as pressões que são capazes de limitar as organizações e indivíduos.
  • e o ambiente cultural: engloba as instituições e forças que têm poder para afetar os valores básicos da empresa, bem como o modo como a sociedade enxerga o negócio, as preferências desse público e como ele se comporta.

Isto é, todas essas forças que compõem o macroambiente empresarial têm capacidade para afetar, de forma positiva ou negativa, as ações de marketing desenvolvidas por uma empresa.

Como fazer a análise de macroambiente empresarial?

A análise de macroambiente empresarial é realizada para que uma empresa saiba como se comportam as forças do seu macroambiente. Isso significa entender o ambiente demográfico, as questões econômicas, o ambiente natural, o ambiente tecnológico, as questões políticas e legais e, também, o ambiente cultural. Dessa forma, para fazer a análise desse ambiente, será necessário realizar pesquisas e estudos mais complexos a fim de obter todas as informações necessárias para desenvolver ações de marketing inteligentes.

Isto é, será preciso saber para qual ambiente demográfico a empresa atua, qual é a situação econômica e se ela está afetando o poder de compra de seus consumidores, quais são os recursos naturais utilizados pela equipe de marketing, verificar de que forma o desenvolvimento e pesquisa se dá por parte do negócio a fim de alavancar sua lucratividade, quais são as questões políticas e legais que limitam as suas atividades e a cultura do público alvo, em especial, a forma como este enxerga a empresa.

Quais são as características demográficas dos indivíduos que constituem o mercado do seu negócio? De que forma a situação econômica está afetando os hábitos de compra dos seus clientes? Como os profissionais do empreendimento têm utilizado os recursos naturais como subsídio? Como a sua empresa tem investido em desenvolvimento e pesquisa para promover melhorias? Quais aspectos políticos e legais têm influenciado nas limitações do seu negócio? Qual é a cultura dos seus potenciais clientes?

Para o desenvolvimento da análise de macroambiente empresarial será imprescindível responder a todas essas perguntas e organizar essas informações de forma inteligente. Afinal, com essa análise será possível elaborar as iniciativas e ações de marketing com organização e planejamento, o que é primordial para uma campanha de sucesso.

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Como fazer a análise de microambiente e de macroambiente empresarial

Uma empresa precisa ter conhecimento sobre as variáveis internas e externas que influenciam de forma direta nas ações de marketing por ela desenvolvidas. Ou seja, não há como a equipe de marketing agir sozinha para garantir os resultados positivos desejados pelo negócio. Isso porque todos os fatores e forças que envolvem as variáveis também exercem impacto nas campanhas publicitárias da empresa.

Nesse sentido, a análise de microambiente e de macroambiente empresarial trata-se de uma pesquisa que leva em consideração todas as variáveis discutidas. São elas:

  • a empresa
  • os fornecedores
  • os intermediários
  • os clientes
  • os concorrentes
  • os públicos
  • o ambiente demográfico
  • as questões econômicas
  • o ambiente natural
  • o ambiente tecnológico
  • as questões políticas e legais
  • e o ambiente cultural

Isto é, a junção das análises do micro e do macroambiente do negócio.

Assim sendo, para fazer esta análise será preciso responder a todas as questões que envolvem as variáveis internas e variáveis externas. Em suma, trata-se de um estudo bastante complexo. Com ele, a equipe de marketing tem todas as informações necessárias para a realização e desenvolvimento de estratégias e campanhas que possam obter objetivos. Entre estas estratégias e campanhas, estão vender mais, captar novos clientes e/ou fidelizar o público.

Com a análise de microambiente e de macroambiente empresarial, uma empresa também pode se tornar um negócio mais organizado e atuar de forma planejada. Além disso, ela tem informações pertinentes à elaboração de ações de marketing realmente eficientes.

Afinal, quando se tem um relatório completo é possível ter um estudo completo sobre como a empresa deve atuar, não apenas diante de seu mercado, mas, também, em relação ao seu funcionamento interno.

Conclusão

Para fazer a análise de microambiente e de macroambiente é preciso reunir todas as questões que envolvem as várias áreas internas e externas de um negócio. Essa análise completa, por sua vez, permite que uma empresa atue de forma sólida no mercado e elabore campanhas publicitárias que realmente sejam capazes de atingir o público alvo. Dessa forma, todos os fatores que podem influenciar na estratégia de marketing são levados em consideração por essa pesquisa complexa e profunda.

No entanto, vale ressaltar que é preciso unir teoria à prática para que se tenha os resultados desejados, como vender mais ou captar mais clientes para uma empresa. Dessa forma, é importante que seja desenvolvida uma análise de microambiente e de macroambiente empresarial de qualidade para que o negócio tenha êxito nas questões que se referem às campanhas de marketing. Isso significa que cada estudo de cenário e comportamento deve ser elaborado com cuidado e de forma detalhada.

A análise de microambiente e de macroambiente serve não apenas para promover as ações de marketing, mas também para que a empresa tenha amplo conhecimento na área em que atua. O sucesso das estratégias publicitárias, afinal, nada mais é do que a consequência sobre a forma como a empresa investe em pesquisa para agradar e atender às expectativas de seu público consumidor.

Os passos para a formalização do MEI

Os passos para a formalização do MEI

Você sabia que uma das formas mais simples de se tornar um empreendedor de sucesso é aderindo ao programa de micro empreendedorismo individual, tornando-se um MEI? Esse regime permite que qualquer pessoa acima de 16 anos, que não possua vínculo de sociedade em nenhuma outra empresa, obtenha um CNPJ e todas as condições e os benefícios de uma empresa — como a possibilidade de abertura de conta corrente no nome do negócio, acesso a financiamento de órgãos públicos e emissão de nota fiscal. Quer saber um pouco mais sobre o assunto? Então acompanhe agora mesmo no nosso post algumas dicas sobre como se formalizar como um Microempreendedor Individual e tenha a certeza de que está abrindo um negócio da forma certa!

Informe-se

O Portal do Empreendedor é um site que foi desenvolvido especialmente para quem deseja formalizar sua atividade profissional e obter os benefícios de uma empresa — como a emissão de notas fiscais. No site, ao acessar o menu MEI – MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL, é possível ler sobre quais são as atividades permitidas ao empresário, que tipo de pessoa pode se tornar um, quais são os cuidados e benefícios inerentes, além, claro, das obrigações e muitas outras informações.

Formalize-se

Se você estiver de acordo com as exigências para se tornar um Microempreendedor Individual e desejar fazer sua formalização, basta acessar, no site, o menu FORMALIZE-SE e preencher os dados solicitados. Esse processo leva apenas alguns minutos e já garante o número do seu CNPJ e os documentos que comprovam sua situação.

Imprima os documentos

Com os todos os dados devidamente preenchidos, basta imprimir os documentos gerados — como o Certificado de Condição de Microempreendedor Individual, o Carnê de Pagamento Mensal (DAS) e o Relatório Mensal de Receitas Brutas. E pronto! Você já é um MEI e pode dar seguimento ao seu negócio como um empreendedor formalizado!

Lembre-se da DASN

Deve-se preencher anualmente a Declaração Anual Simplificada (DASN), que é uma declaração dos seus rendimentos ao longo do ano. Esse formulário pode ser gerado por meio do Portal do Empreendedor, juntamente com as indicações sobre como preenchê-la.

A atuação propriamente dita

Uma vez formalizado como MEI, o empreendedor deve se atentar a alguns procedimentos, como a emissão de notas fiscais e o pagamento de tributos. Confira, a seguir, algumas orientações:

Emissão de notas fiscais

Para emitir notas fiscais como MEI, primeiramente deve-se procurar a Secretaria de Finanças da prefeitura da sua cidade e obter as orientações necessárias. Existem também muitas cidades que oferecem esse serviço on-line, e, por isso, é importante se informar corretamente para saber como deve proceder. Se você conta com a ajuda de um escritório de contabilidade, o contador poderá ajudar nesse quesito.

Pagamento de tributos

Todo MEI tem a obrigação de fazer o pagamento mensal de tributos de acordo com a sua atividade, seja ela de comércio ou de prestação de serviços. Esse pagamento é realizado através do DAS, que é emitido a partir do Portal do Empreendedor. Recentemente foi criado também o Carnê da Cidadania do MEI, um carnê para que seja possível se programar com relação aos pagamentos. Havendo atraso nos pagamentos, deverá ser gerado, no Portal do Empreendedor, um novo boleto para pagamento, com data de vencimento e valores atualizados.

Se tiver ainda alguma dúvida, o melhor a se fazer é procurar o Sebrae de sua cidade ou um dos escritórios contábeis que fazem atendimentos gratuitos para auxiliar nesse processo de formalização. No mais, mãos à obra!

Vídeo do Sebrae sobre ‘Como se tornar uma MEI’

Agora que já está pronto para se tornar um microempreendedor individual de sucesso, comente aqui e nos conte em que fase do processo se encontra! Compartilhe suas experiências conosco e participe da conversa!

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CMV: Como calcular o Custo de Mercadoria Vendida

CMV: Como calcular o Custo de Mercadoria Vendida

CMV é a sigla para Custo de Mercadoria Vendida. Você não deve, em hipótese alguma, confundir esta variável com o lucro ou outros dados, pois o Custo Mercadoria Vendida possui sua própria complexidade. O cálculo do CMV envolve uma série de fatores:

  • o custo investido na aquisição de insumos ou matérias-primas;
  • os serviços realizados sobre os produtos;
  • o lucro obtido com as vendas;
  • o capital empenhado na logística;
  • o custo de mercadoria que não foi vendida;
  • e outros.

Apresentação do termo

Realizar um bom controle de seus dados pode ser a chave para o sucesso de seu empreendimento. Você já deve ter notado que em muitas circunstâncias, se uma loja ou empresa tem grandes dificuldades para vender ou negociar um produto, ela se esforçará para se livrar de diversas formas. A principal delas é a diminuição de custo. O que incorre também em diminuição de lucros para cada venda. Você deve se perguntar: o que a empresa ganha diminuindo seus preços em promoções e ações semelhantes?

Às vezes, a empresa não ganha nada. A diminuição de preço é tanta que em alguns casos o produto pode sair com baixa margem de lucro. Mas a empresa ganha mais ao vender seu produto por um baixo custo do que ao deixá-lo parado por um longo período no estoque. Se você é iniciante no negócio de vendas, pode até duvidar desse dado, mas estocar produtos é algo oneroso. E, às vezes, também é difícil de administrar.

O estoque é oneroso pois ele não possui custos apenas do ponto de vista monetário em si. Ele também apresenta gastos com a logística. Se algum produto é um fracasso em vendas e, portanto, permanece no estoque, ele irá causar prejuízos para a empresa. Entre eles, atingir sua data de vencimento e ser descartado (representando um prejuízo total do investimento feito sobre essa mercadoria). Mas também ocupa um espaço no depósito que poderia ser utilizado por um produto que realmente tivesse algum giro.

Entendendo estes fatos, você poderá compreender melhor a importância do Custo de Mercadoria Vendida (CMV) e aprender a realizar o cálculo.

O que é CMV?

CMV é a sigla para Custo de Mercadoria Vendida. A definição desse conceito é a soma do estoque inicial com as compras e com o estoque final. Esse cálculo ajuda a saber melhor o seu real lucro e os custos de mercadorias.

Outros fatores estão envolvidos nesse cálculo. São eles:

  • o custo investido na aquisição de insumos ou matérias-primas;
  • os serviços realizados sobre os produtos;
  • o lucro obtido com as vendas;
  • o capital empenhado na logística;
  • o custo de mercadoria que não foi vendida.

Assim, o CMV realiza o cálculo da venda de suas mercadorias levando em conta também o que não é vendido. Realizar este cálculo serve para que seus resultados sejam mais precisos. E, assim, você consegue tomar ações estratégicas mais efetivas na administração de sua empresa. 

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Por exemplo

Sou um comerciante do produto X, sobre o qual aplico um lucro 75% sobre cada venda. Ou seja, cobro por aquela mercadoria 75% a mais do valor que investi na compra do estoque, os custos dos funcionários, enfim, todo o capital investido para a aquisição da mercadoria. Apesar de meu lucro de 75% sobre as vendas, em um determinado período conseguiu vender apenas 60% do meu estoque.

Embora eu ainda tenha conseguido retirar os 75% do lucro das vendas realizadas, uma parte considerável deste capital foi utilizado para realizar as ações necessárias de destinação do estoque não vendido. Seja o descarte, a doação ou qualquer outro fim que a mercadoria não vendida tenha tomado.

Em números, comprei um lote do produto X que vem com 10 unidades. Por cada unidade paguei $ 100. Assim, meu preço de venda era $ 175. Vendi 6 unidades do produto X, tendo como entrada de capital um total de $ 1050. Considerando que gastei $ 1000 pela compra do lote e, que para me “livrar” de cada unidade não-vendida gastarei em média $ 12,5 (hipoteticamente), acabo por ficar com um lucro total de zero. Ou seja, não perdi e nem ganhei com esta negociação.

Nesta negociação, o comerciante foi infeliz por alguns equívocos. Dentre eles, compra de um estoque o qual não poderia vender em sua totalidade, consequente mau-estabelecimento de preços, o que incorre em pouco lucro líquido e, certamente, não considera adequada o CMV, o que acabou por inviabilizar todo o processo. Com as fórmulas exibidas a seguir, você poderá ter noção de como realizar o cálculo do Custo de Mercadoria Vendida.

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Termos técnicos

  • Inventário – sistema que estabelece a entrada e saída de mercadorias e insumos em um empreendimento. Deve ter atualizações de dados em tempo real, como todo o estoque vendido e adquirido. Assim, é possível realizar o cálculo sob duas perspectivas, veja qual é a mais adequada para sua situação:
    • Cálculo monetário – realiza os cálculos levando em conta a medida em valores, e não em unidades. Tem como ênfase a avaliação financeira.
    • Cálculo por mercadoria – mais utilizado para logística e operações. Realiza os cálculos com base na quantidade de estoque.

O cálculo do CMV

Agora que você já está introduzido aos nomes de alguns dados, vamos às fórmulas.

Cálculo do CMV por mercadoria

Primeiramente, calcularemos o CMV de seu inventário por mercadoria. Assim, o Custo de Mercadoria Vendida é igual à equação do estoque inicial (EI), mais compras (C), mais devoluções de compras (DC), menos devoluções de vendas (DV), menos estoque final (EF). Em resumo, temos que:

CMV = EI + C + DC – DV – EF

Dessa forma, o cálculo a ser realizado é bem simples. Portanto, se você pegar o exemplo em que o Estoque Inicial é 500, as Compras equivalem a 500, as devoluções de compras são 40, as devoluções de vendas são 50 e o estoque final é 500, temos o seguinte cálculo:

CMV = 500 + 500 + 40 – 50 – 500

CMV = 490

Para realizar o cálculo do CMV é muito simples! Basta utilizar a mesma fórmula, realizando a multiplicação dos valores concretos pelo respectivo valor unitário do produto em questão. Portanto, supondo que o valor do produto seja R$ 10, basta efetuar o mesmo cálculo da fórmula anterior, multiplicando os valores por 10.

Realizar o custo de mercadorias vendidas de sua empresa regularmente permite que você tenha maior conhecimento sobre a solidez de seu estoque, suas vendas e seus rendimentos. Cuide destes dados para que a saúde econômica de seu empreendimento não seja prejudicada.

Cálculo do CMV por saldo monetário

Para calcular o Custo de Mercadoria Vendida pelo saldo monetário, ou seja, sabendo os valores gastos, se utiliza uma fórmula muito parecida com a do cálculo por mercadoria. A sua diferença é que são retirados os valores de devolução, seja de compra ou de venda. Assim, a fórmula é a seguinte:

CMV = EI + C – EF

Sendo, CMV, o custo de mercadoria vendida, o EI, o estoque inicial, o C, compras, e o EF, o estoque final. Seguindo o mesmo raciocínio do outro cálculo, multiplicando os valores por R$ 10,00, considerando que cada mercadoria custa esse valor, o exemplo é o seguinte:

  • EI = R$ 5.000,00
  • C = R$ 5.000,00
  • EF = R$ 5.000,00

Fazendo com que a fórmula do cálculo seja:

CMV = 5.000 + 5.000 – 5.000

CMV = R$ 5.000,00

Considerações finais

Lembre-se que para o devido cálculo desta e de outras variáveis é necessário ter o conhecimento atualizado dos números relacionados ao estoque, portanto, utilize algum software de controle de estoque com atualizações automáticas, preservando assim a exatidão dos resultados obtidos com seus cálculos. Este programa deverá realizar o registro instantâneo sobre todas as entradas e saídas que acontecem no estoque.

Dentre as estratégias que também podem ser bastante efetivas para melhorar os índices de custo mercadorias vendidas, busque fazer com que sua empresa tenha alta efetividade em todas as etapas de produção. Estabeleça rotinas e processos, integre funcionários de toda a equipe, faça uma boa gestão de espaço físico, faça compras programadas com seus fornecedores e um mapeamento regular e periódico de seu estoque.

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Como Montar uma Loja de Acessórios para Celular: Guia Completo [2026]

Como Montar uma Loja de Acessórios para Celular: Guia Completo [2026]

Capinhas, películas, fones, carregadores e power banks estão entre os acessórios mais vendidos do varejo brasileiro, e a procura só cresce junto com a renovação constante de smartphones.

Se você está pensando em empreender nesse mercado, veja a seguir um passo a passo completo de como montar uma loja de acessórios para celular, do plano de negócios à divulgação, com as informações atualizadas para 2026.

Um bom mix de produtos, como capinhas e acessórios variados, e essencial para atrair clientes na loja.

Por que abrir uma loja de acessórios para celular vale a pena

O mercado de acessórios para celular tem um diferencial interessante em relação a outros segmentos do varejo: o ticket médio de cada item costuma ser baixo, mas a recorrência de compra é alta. Capinhas e películas se desgastam, fones se perdem ou quebram, e cada lançamento de smartphone gera uma nova onda de demanda por acessórios compatíveis.

É também um negócio relativamente simples de iniciar, com investimento inicial mais baixo do que outros segmentos do varejo, o que o torna uma opção comum tanto para quem está empreendendo pela primeira vez quanto para quem já atua no comércio e quer diversificar.

Passo a passo para montar uma loja de acessórios para celular

1. Faça um plano de negócios

Antes de qualquer investimento, coloque no papel tudo o que envolve a abertura da loja. O plano de negócios deve reunir, no mínimo:

  • Como está o mercado na sua região;
  • Quem são os principais concorrentes;
  • A média de investimento necessário para esse tipo de negócio;
  • O ticket médio dos produtos que pretende vender;
  • Custo mínimo e máximo com os equipamentos essenciais para colocar a loja em funcionamento.

Com esse levantamento, você tem uma visão clara do que precisa e um roteiro de por onde começar a agir.

2. Escolha um bom ponto comercial

A localização é um dos fatores que mais pesam no sucesso de uma loja de acessórios para celular. Não adianta ter o mix de produtos ideal se o ponto está em um local de difícil acesso ou pouco movimento.

Regiões com grande circulação de pedestres e que já são procuradas para compras costumam funcionar melhor. Vale pesquisar com calma e decidir entre loja própria ou quiosque dentro de um shopping ou centro comercial — essa segunda opção vem ganhando espaço, mas costuma ter concorrência direta mais acirrada, já que reúne vários lojistas do mesmo segmento lado a lado.

Por ser um negócio relativamente compacto, não é necessário um grande espaço: prateleiras bem organizadas deixam os produtos à vista dos clientes e reduzem a necessidade de grandes balcões.

3. Defina o investimento inicial

Com o ponto escolhido, é hora de definir o investimento inicial. Você vai bancar tudo sozinho, dividir com sócios ou recorrer a um empréstimo?

No cálculo do investimento inicial, considere aluguel do espaço, compra do primeiro lote de produtos, equipamentos, decoração, contratação de funcionários (se houver) e custos de abertura formal da empresa, incluindo CNPJ.

4. Regularize a documentação da empresa

CNPJ, nome da loja, alvará de funcionamento e demais licenças precisam estar em ordem antes da abertura, para evitar riscos como apreensão de produtos ou interdição do espaço. Como esse processo pode levar algumas semanas, o ideal é iniciá-lo com antecedência.

Loja de acessórios para celular pode ser MEI?

Pode, mas o CNAE precisa ser escolhido com atenção. Para o comércio de peças e acessórios de telefonia, o CNAE mais indicado costuma ser o 4752-1/00 — Comércio varejista especializado de equipamentos de telefonia e comunicação. Esse código aceita enquadramento como MEI e segue o Anexo I do Simples Nacional, com alíquotas entre 4% e 19% conforme o faturamento. Como o enquadramento correto depende do mix exato de produtos vendidos, vale confirmar o CNAE com um contador antes de formalizar a empresa — um guia completo sobre o MEI ajuda a entender os limites e obrigações da categoria.

Interior de loja de tecnologia com prateleiras organizadas exibindo celulares e acessórios
A organização das prateleiras e a decoração do espaço influenciam diretamente a experiência de compra.

5. Invista na decoração do espaço

Defina o orçamento para a decoração e pense em como quer destacar a loja. Elementos que remetem à tecnologia e cores que transmitam amplitude e sensação de boa iluminação costumam funcionar bem no segmento.

Evite criar pontos cegos na loja, principalmente perto de prateleiras e balcões — isso ajuda tanto na segurança quanto na facilidade do cliente encontrar o que procura. Um ambiente acolhedor incentiva o cliente a voltar e, com o tempo, se tornar fiel à loja.

6. Organize equipamentos e um sistema de gestão

Liste tudo que a loja precisa para começar a vender: prateleiras, ganchos para capinhas, balcão de atendimento, máquina de cartão, computador com acesso à internet e uma ferramenta de controle financeiro e de vendas.

Esse controle é essencial logo no início do negócio, já que o retorno do investimento demora a aparecer e os primeiros ganhos costumam ser reinvestidos em estoque e aluguel.

Para manter as finanças organizadas, muitos lojistas usam planilhas para loja de acessórios para celular no começo e migram para um sistema para loja como o eGestor conforme o volume de vendas cresce — o sistema roda direto do navegador, sem instalação, o que permite usar um computador mais simples no dia a dia da loja.

7. Defina a equipe

Você vai tocar a loja sozinho, com ajuda de família ou vai contratar funcionários? Essa decisão precisa estar definida antes da abertura, para dar tempo de recrutar quem vai ajudar nas vendas.

Priorize pessoas com facilidade para lidar com o público — o atendimento costuma ser o fator decisivo entre uma loja de acessórios e outra, já que o produto em si é parecido entre concorrentes.

8. Fique de olho nas tendências

Ao montar o estoque inicial, não se limite ao básico — capinhas para os modelos mais populares, películas, cabos e cartões de memória. Acompanhe também o que está em alta no momento: acessórios para os lançamentos mais recentes de smartphones, suportes para carro, carregadores sem fio e power banks compactos costumam ter boa saída.

9. Defina os preços

Tenha o preço de cada produto definido antes de abrir as portas, evitando valores aleatórios, muito baixos ou muito altos. Uma pesquisa rápida com a concorrência ajuda a calcular uma média de mercado para cada tipo de acessório.

Preços acima da média precisam de justificativa clara: qualidade superior, garantia estendida ou exclusividade de marca são argumentos que sustentam um valor mais alto sem afastar o cliente.

10. Defina seu diferencial

Mesmo com concorrência por perto, o diferencial é o que faz o cliente escolher a sua loja e não a do lado. Pergunte-se: você tem produtos exclusivos de alguma marca? Trabalha com acessórios de maior durabilidade? Oferece algo que ainda é novidade no mercado local?

11. Invista em divulgação

Como o mercado de acessórios para celular é concorrido, ser visto faz toda a diferença. Hoje, isso passa por uma combinação de canais: perfil ativo no Instagram e no TikTok mostrando lançamentos e promoções, cadastro completo no Google Meu Negócio para aparecer em buscas locais e atendimento via WhatsApp Business para tirar dúvidas rápido.

Vale também considerar a venda em marketplaces, como Mercado Livre e Shopee, como um canal complementar à loja física, além das ações tradicionais de divulgação local, como parcerias e distribuição de material impresso nas proximidades do ponto de venda. Centralizar esses canais em um atendimento omnichannel evita que o cliente perceba a loja física e as redes sociais como experiências desconectadas.

Como o eGestor ajuda na gestão da sua loja de acessórios para celular

O eGestor é um sistema de gestão online que ajuda a controlar vendas, estoque e finanças da loja em um só lugar, incluindo a emissão de nota fiscal eletrônica. Por rodar direto do navegador, não exige instalação nem um computador potente — o que facilita bastante para quem está começando. Faça seu cadastro e teste gratuitamente.

Conclusão

Montar uma loja de acessórios para celular envolve etapas relativamente simples, mas que precisam ser bem planejadas: escolha do ponto, investimento inicial, documentação, equipe, definição de preços e uma estratégia de divulgação que combine presença física e digital. Seguindo esse passo a passo e mantendo o controle financeiro em dia desde o início, você terá um negócio com boas chances de se pagar rápido e crescer de forma sustentável.

Fones de ouvido, power bank, capinha de celular, smartphone e câmera organizados sobre fundo branco.

Perguntas frequentes sobre como montar uma loja de acessórios para celular

  1. Quanto custa para abrir uma loja de acessórios para celular?

    O valor varia bastante conforme o tamanho do ponto, o volume de estoque inicial e a região, mas costuma ser um dos investimentos mais baixos dentro do varejo físico, o que facilita a entrada de quem está empreendendo pela primeira vez.

  2. Vale mais a pena uma loja própria ou um quiosque em shopping?

    Depende do orçamento e do perfil de cliente que se quer atingir. O quiosque costuma ter custo de instalação menor e já conta com fluxo de pessoas garantido, mas divide esse fluxo com concorrentes diretos no mesmo espaço.

  3. É melhor vender só na loja física ou também online?

    O ideal é combinar os dois. Ter presença em redes sociais, Google Meu Negócio e marketplaces amplia o alcance da loja sem exigir um investimento tão alto quanto abrir um segundo ponto físico.

  4. Preciso de um sistema de gestão desde o início?

    Não é obrigatório, mas é recomendado. Muitos lojistas começam com planilhas e migram para um sistema de gestão assim que o volume de vendas e de itens de estoque cresce e a planilha deixa de dar conta do controle.

Jim Collins: Empreendedores de Sucesso

Jim Collins: Empreendedores de Sucesso

Jim Collins é considerado um dos maiores especialistas do mundo em gestão de empresas e liderança e sustentabilidade empresarial, apontado por muitos como o sucessor de Peter Drucker, o grande nome da administração contemporânea.

Nasceu nos Estados Unidos em 1958. Iniciou os estudos do universo organizacional e se graduou em Matemática na Escola de Negócios da Universidade de Stanford. No ano de 1992 recebeu da Universidade, onde também fez MBA,o prêmio Distinguished Teaching, uma honraria pelo destaque obtido na abordagem do universo empresarial.

Foi consultor da Mckinsey & Company e da Johns Hopkins School of Medicine. Atuou como gerente de produtos na Hewlett – Packard e foi executivo sênior na divisão internacional da CNN. Apaixonado pela investigação do universo organizacional, criou, em 1995, no Colorado, o laboratório Boulder, instituição voltada para o estudo de temas como gestão e liderança.

O Boulder funciona como um polo de fomento de conhecimento e capacitação. Além da atividade de pesquisa, abriga um centro de treinamento, onde oferece cursos de atualização e aperfeiçoamento para líderes e executivos dos mais diversos setores corporativos e da administração pública.

Como escritor, Collins publicou seis livros, traduzidos para 32 idiomas, ultrapassando 12 milhões de cópias vendidas.

O universo de Jim Collins

Uma boa porta de entrada para o universo de Jim Collins é a palestra realizada em 2010 no HSM ExpoManagement. Na ocasião, Collins falou à plateia sobre cinco paradigmas de uma boa administração, que podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso, a perenidade e o declínio.

Lição 1 – Cuidado com o declínio

Essa lição é abordada no livro “Como os Gigantes Caem“, que se concentra em explicar o fracasso de grandes organizações empresariais, estabelecendo para tal cinco estágios que levam à derrocada.
O livro aborda os segredos do fracasso com base em anos de estudo e levantamento de casos empreendidos por sua equipe. O estudo encontrou pontos comuns na trajetória dessas organizações.

O livro tem três abordagens sequenciais. A primeira delas é tentar responder quais são as causas recorrentes para o declínio da empresa. A segunda é desenvolver o aprendizado do diagnóstico da ameaça, que consiste em identificar o estágio de declínio em que a empresa se encontra, os sintomas e o que está por trás deles. A terceira é a abordagem da cura. É possível reverter o declínio? Como? Em que ponto ele se torna um processo irreversível?

O grande segredo do combate ao declínio é, exatamente, saber diagnosticar as causas. Os sintomas são facilmente encobertos pelo fato de o declínio suceder o apogeu, o ápice, o momento em que o sucesso oferece a impressão de que tudo caminha na direção certa e que não existem problemas na organização.

O ideal seria que as empresas estivessem preparadas para evitar o início do declínio, o que requer vigilância e capacidade de diagnóstico. É o que prega Jim Collins, cujos ensinamentos indicam serem as próprias organizações e suas práticas os responsáveis pela queda, ao contrário da crença na prevalência das ameaças externas na definição do destino da organização.

Jim Collins

Estágios do Declínio

Primeiro Estágio – Excesso de confiança originado pelo sucesso

O mundo dos negócios em pleno curso do século XXI é o mundo da tecnologia como fator estratégico, preponderante e vital. A regra se aplica a uma empresa do século XX como a um Estado da História Antiga, mas não há dúvidas de que no ambiente competitivo do século XXI não há lugar para estagnação.

Jim Collins, em suas pesquisas, observou que, apesar de todos os alertas, a estagnação acontece. A liderança no mercado pode ser atribuída a diversos fatores, inclusive, garante Collins, a sorte, que pode não durar para sempre.

A Motorola, por exemplo, demorou a perceber a ameaça dos concorrentes ao StarTac e acabou superada pelos modelos mais avançados. Não importa a posição que a organização ocupe, não importa o quanto ela é líder em seu segmento, o quanto a marca é amada e desejada, o quanto os produtos são um sucesso, o quanto o relacionamento e o pós-venda são satisfatórios e abastecem a longevidade e o sucesso da empresa com clientes satisfeitos. Há sempre alguém trabalhando duro para superá-la e isso pode acontecer a qualquer momento.

Esse tema é recorrente no mercado de produtos de alta tecnologia, mas se aplica até mesmo a governos. O excesso de confiança pode destruir grandes projetos estratégicos nacionais, na medida que governos se descuidam da comunicação e da política.

Toda batalha é infinita

É preciso que as organizações entendam que não há batalha vencida, toda batalha é infinita e que todas as frentes devem ser cuidadas. A crença em que aquilo que trouxe a empresa ao auge é o mesmo que irá mantê-la nessa condição é um sintoma que indica que a fase de declínio começou.

Não se está dizendo que as mudanças são impositivas, mas elas devem ser cogitadas, estudadas e buscadas sempre. É preciso entender que é necessário melhorar sempre, seja um processo, seja uma tecnologia interna, seja um novo atributo ao produto, seja uma redução de custos na logística de distribuição.

Trazendo a abordagem para a realidade de um líder, o declínio acontece quando ele chega ao auge, ao melhor posto dentro da empresa, e conclui que nada mais poderá abalar sua trajetória, deixa de buscar autodesenvolvimento e se acomoda na perigosa crença de que tem o segredo do sucesso, de que não precisa mudar os seus métodos. Logo esse líder será superado.

Para que não se chegue ao dissabor de enfrentar as fases seguintes, é preciso que a organização se mantenha vigorosa, com foco em inovação constante, seja dos processos, seja dos produtos, seja na forma e nos modelos de gestão.

Segundo Estágio – Busca indisciplinada do crescimento

A confiança não é uma questão de cálculo, mas de percepção. Certo ou errado, é a percepção que o gestor tem de suas próprias forças, dos desafios e dos competidores que vai determinar o seu nível de confiança.
Quando a confiança se respalda mais em crenças que nos fatos, quando se descuida da reflexão e do planejamento, começa o desatino.

Collins aponta que as empresas bem sucedidas são impregnadas pelo paradigma da “diversificação dos negócios”. O problema é quando o paradigma se torna um dogma. Jim Collins atenta para a pressão sofrida pelos dirigentes pela expansão dos negócios.

Não há qualquer movimento dentro de uma empresa que não precise ser calculado. Destemor e ousadia sem cálculo é suicídio. Há vários vícios que irão comprometer o sucesso da empresa, muitas vezes de forma irreversível.

A citação ao caso da Ames, varejista que, para competir com o Walmart, fez uma aquisição malfadada, cujo objetivo era dobrar de tamanho em um ano. Certamente vários fatores foram descuidados. Havia condição de treinar pessoal suficiente para assumir funções estratégicas dentro das novas unidades? Havia conflito de cultura entre as duas organizações?

Passo maior que as pernas

Em outras palavras, trata-se do famoso passo maior que as pernas, mas há outros equívocos estratégicos perigosos que podem ocorrer em razão da busca indisciplinada por crescimento, como o afastamento da vocação da empresa. A organização entra em segmentos nos quais não tem expertise suficiente, que não tem qualquer afinidade com o negócio principal. Sem falar no risco de negligenciar as posições já ocupadas.

As razões que levam a tais comportamentos passam longe da boa prática de administração. São, antes, fruto de presunção dos gestores e colocação de objetivos pessoais acima do interesse da organização, o que leva a mesma a atropelar etapas, descuidar do planejamento e, em consequência, obter prejuízos, endividamento e um alto custo de imagem e abandono.

Um bom exemplo, recorrendo à guerra, está na Europa dos séculos XIX e XX, quando dois famosos exércitos foram dizimados pelo famoso “General Inverno”. Primeiro foi Napoleão, depois Hitler, que negligenciaram o planejamento e mataram milhões de soldados de frio e fome. Pior ainda para Hitler, que ignorou a experiência do passado, um dos paradigmas do planejamento, e terminou da mesma forma trágica, fruto da obsessão indisciplinada por expansão, que lhe custou vários problemas em outras frentes, como a ocidental, ao levar os Estados Unidos para dentro do conflito.

Jim Collins
Terceiro Estágio – Negação do Risco

O célebre livro de Voltaire, “Cândido, ou o Otimismo”, é um modelo exagerado, porém útil, para entender o risco de negligenciar as ameaças. O personagem central da trama é levado a uma trajetória que o conduz do mundo perfeito até uma rotina de dissabores, sempre acreditando que tudo se resolveria.

Muitas pessoas, quando expostas a ameaças iminentes, respondem que tudo vai se resolver, que é preciso ter otimismo. Otimismo à parte, negligenciar as ameaças é o caminho inequívoco para o declínio.

A IBM, quando o negócio de mainframe começou a declinar, foi alertada por um dos diretores, que fez um relatório apontando os riscos para a empresa. Esse, porém, não foi levado a sério.

Tudo isso vem a mostrar que na vida pessoal, na política e nos negócios é preciso fazer a gestão de riscos, se antecipar e estar preparado para evitar os danos e o declínio. Ignorá-los não irá fazê-los desaparecer, mas torná-los mais ameaçadores.

Quarto Estágio – Corrida pela salvação

Os estágios anteriores não foram enfrentados, o que mostra que faltou planejamento. Nessa hora, a tendência é que falte mais ainda porque é preciso encontrar soluções. O declínio é visível e ameaça a existência da organização. As soluções precisam ser imediatas e é quando surgem os remédios mágicos, os líderes visionários, as mudanças radicais, uma aquisição ou um novo produto milagroso.

Jim Collins afirma que essas soluções podem até surtir efeito por algum tempo, mas terão vida curta. É o momento de resgatar a sobriedade, o foco e a clareza. Não se chegou até essa situação num passe de mágica, não vai ser com uma solução mágica que tudo voltará a ser como era antes. É preciso ter compreensão da situação e planejar a saída com base em informações seguras e calculadas.

Quinto Estágio – Irrelevância ou Morte

Acontece quando a empresa já não tem mais fôlego financeiro para reagir, quando perdeu seus melhores profissionais para a concorrência e tudo que resta é fechar as portas ou sobreviver na irrelevância.

Lição 2 – Seja um líder nível 5

Jim Collins abordou os cinco níveis de liderança no livro “Good to Great“. Mais uma vez, as conclusões apresentadas no livro são fruto de estudo minucioso de várias empresas bem sucedidas. Empresas que cresceram durante quinze anos o triplo da média de seus concorrentes.

A abordagem feita pelo estudo teve como escopo as pessoas por trás desse crescimento, o que levou a esse conceito. O líder cinco é aquele que está no topo da hierarquia dos líderes, aquele que está capacitado a oferecer os melhores resultados com seu estilo de liderança.

Collins estabeleceu os níveis de acordo com habilidades inerentes a um líder. O nível 1 são as capacidades individuais. O 2 os atributos de equipe, o 3 a capacidade de administração, o quarto a de liderança e o 5 a humildade aliada a reunião de todas essas habilidades.

O líder nível 5 está menos comprometido com o sucesso pessoal do que com o sucesso do projeto. Seu compromisso é com os resultados do projeto. Eles se comprometem realmente com o legado que vão deixar para a organização. A promoção pessoal está em segundo plano. Por isso, divide o sucesso com a equipe e assume a responsabilidade pelo fracasso.

Collins conta que os líderes nível 5 são aqueles que comandam as melhores empresas, que estão por trás dos melhores resultados e guardam entre si grandes semelhanças no estilo de liderança.

Curiosamente, uma pesquisa comandada por Collins constatou que 99% desses líderes são desconhecidos da opinião pública. Talvez isso ocorra porque ele é tão obstinado por levar o projeto ao sucesso, por elevar os resultados e a estima de sua equipe que não tenha tempo para aparecer.

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Lição 3 – Não se permita ficar arrogante com o sucesso

Para Collins, a derrocada das grandes organizações encontra sua gênese na mesma fábrica de onde saiu o sucesso. É a ideia de que deu certo antes dará certo sempre.

Jim Collins acredita que a fidelidade a um modelo de gestão é uma ameaça, e não um benefício para a empresa. É preciso inovar sempre, agregar valor aos negócios, manter a equipe mobilizada, focada, intensa e criativa. O tempo é o inimigo das estruturas estagnadas e a deterioração dos resultados o indicador de que algo precisava ter sido feito.

Dizem que em time que está ganhando não se mexe. E os clubes de futebol brasileiros oferecem um ótimo padrão de análise.

O futebol brasileiro, desde o princípio, se estruturou com base em estruturas políticas e amadoras. Os clubes obtiveram resultados excepcionais no futebol, mas há forte crítica de que os clubes estagnaram em suas propostas de modelos de gestão.

A consequência disso é que hoje o futebol brasileiro, diante de um mundo globalizado, vive à margem do futebol europeu para onde, devido ao gap econômico, migram seus principais atletas. Com isso, perdem prestígio e torcedores para os clubes do velho continente, ficando sujeitos a uma ameaça permanente de se tornarem irrelevantes.

A partir do final da década passada, a mudança entrou na pauta. Alguns clubes vêm encontrando soluções importantes, com projetos econômicos ousados, estruturação de departamento e políticas de marketing e há quem já fale em rigor empresarial na gestão dos clubes, o que inclui preocupação com governança, transparência, compliance e controles. É o desafio da sobrevivência no momento em que a competição deixa de ser apenas pelos títulos, mas também pela atenção de torcedores e patrocinadores.

Isso serve para mostrar que o sucesso não é um trono ornamentado em ouro onde se acomoda confortavelmente o vencedor de hoje.

Lição 4 – Não desmotive os funcionários

É muito comum nas empresas a preocupação com a motivação dos funcionários. Será que os funcionários, ao chegar a uma nova empresa, já não carregam dentro de si motivação suficiente com o novo desafio?
Os estudos realizados por Collins concluem que sim, logo o esforço da empresa deve acontecer no sentido de evitar que essa motivação se perca. Para Jim Collins, a empresa deve estar aberta a novas ideias e projetos e oferecer condições para que os funcionários produzam melhor.

Os funcionários devem se sentir estimulados a participar, devem se sentir parte importante do negócio e a melhor forma para que isso aconteça é explorar ao máximo suas capacidades em favor da empresa, tudo isso aliado a uma política de reconhecimento.

Há que se esperar que um processo de recrutamento busque funcionários que estejam inclinados a se comprometer com os objetivos da empresa, que se motivem com a ideia de alcançar os resultados. Logo, ele irá se desmotivar se perceber que tudo é só discurso.

Lição 5 – Escolha as pessoas certas

Para Jim Collins, a habilidade número um em um executivo é saber escolher as pessoas certas para os lugares certos. Além disso, há atributos que precisam ser levados em conta para que as empresas escolham as pessoas certas. Alguns deles são:

  •  Pessoas certas se enquadram nos valores da organização – Os valores da empresa são seu código de ética. Eles não são enfeites, são para serem vividos porque os valores vão permear as relações internas e externas e formar a percepção da marca por parte dos stakeholders.
  • Pessoas certas tem responsabilidade, não emprego – O melhor profissional é aquele que está focado em suas responsabilidades, que se apaixona por elas e não pelo emprego. Ele não está preocupado em manter o emprego, mas em atingir metas e objetivos, em contribuir para o sucesso da equipe e da empresa.
  • Pessoas certas realizam 100% daquilo que se propõem fazer – Uma característica das relações de negócios é que uma das formas de se fazer clientes fiéis é cumprir com o prometido. Para que uma empresa consiga entregar esse valor aos clientes e stakeholders é preciso que tenha colaboradores com essa mentalidade. Funcionários assim deixam os gestores mais confiantes e isso impulsiona a empresa.

Críticas à obra de Jim Collins

Ainda que levado à condição de guru por sua obra literária, com escopo muito mais abrangente do que aquilo que foi abordado nessas poucas linhas, Jim Collins sofre uma crítica acerca da ausência do fator “cliente” em sua abordagem.

Acerca dessa crítica, a alegação é de que algumas das organizações apontadas por Collins como exemplo de sucesso em seus livros tiveram problemas posteriormente, possivelmente por não situar o cliente no centro de suas políticas estratégicas, ainda que ninguém negue o valor dos ensinamentos existentes em sua obra, que esse artigo ajuda a compreender um pouco.

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