O que é empreendedorismo: conceito, tipos, perfil e como começar em 2026

O empreendedorismo é uma das forças que mais movimentam a economia brasileira — e a vontade de empreender só cresce. Para muita gente, o termo está ligado apenas a grandes empresas e inovações disruptivas, mas a realidade é mais ampla: todo dono de negócio é um empreendedor, assim como toda pessoa que sonha em ter o próprio negócio é um empreendedor em potencial.

No Brasil, a maior parte dos empreendedores está à frente de micro e pequenas empresas. Os mais de 9 milhões de MEIs e pequenos negócios em atividade respondem por cerca de 27% do PIB e empregam a maior parte dos trabalhadores formais — uma força econômica gigantesca, formada por gente que decidiu transformar uma ideia em renda.

Neste guia atualizado para 2026, você vai entender o que é empreendedorismo, qual é o perfil do empreendedor, os principais tipos de empreendedorismo (incluindo digital, feminino e social), o cenário do empreendedorismo no Brasil e dicas práticas para começar o seu próprio negócio.

O que é empreendedorismo?

O empreendedorismo é o processo de criação de um negócio a partir da identificação e resolução de um problema. Todo empreendimento começa com a intenção de resolver uma dor — ou de fazer melhor algo que já existe — e ganha vida quando essa solução sai do papel e chega ao mercado.

Empreender é diferente de simplesmente “abrir uma empresa”. Envolve identificar oportunidades, assumir riscos calculados, mobilizar recursos (próprios ou de terceiros) e executar com disciplina. Por isso, o empreendedorismo está fortemente ligado à inovação, mas não exige criar algo inédito: pode ser uma versão melhor, mais barata, mais acessível ou mais conveniente de algo que já existe.

O conceito moderno de empreendedorismo foi desenvolvido pelo economista austríaco Joseph Schumpeter, com base na sua teoria da Destruição Criativa. Para Schumpeter, o empreendedor é quem rompe equilíbrios de mercado ao introduzir novas combinações de produção, abrindo espaço para o desenvolvimento econômico. Mais tarde, autores como Robert Hisrich aprofundaram a definição:

“Empreendedorismo é o processo de criação de algo diferente e que tenha valor, em que se dedica esforço e tempo, se assume riscos financeiros, sociais e psicológicos, e se recebe as recompensas econômicas e pessoais consequentes.”

Robert D. Hisrich, em Empreendedorismo

Empreendedores são, hoje, considerados um dos principais motores do desenvolvimento econômico e social — geram empregos, distribuem renda, dinamizam cadeias produtivas e levam soluções a regiões antes ignoradas pelo grande capital.

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Empreender é simples? O que está por trás do conceito

Empreender significa estar pronto para agir nas mais variadas situações e ambientes — uma tarefa que se torna cada vez mais complexa em mercados competitivos e digitalizados. Ao contrário do que muita gente imagina, abrir e tocar um negócio não é simples: exige esforço, dedicação, jornadas longas (especialmente nos primeiros anos) e disposição para aprender o que for necessário.

Quem se aventura no empreendedorismo precisa gostar de desafios e se identificar com o perfil empreendedor. A boa notícia: as principais características desse perfil podem ser desenvolvidas com prática, leitura e mentoria, mesmo por quem não nasceu “fazendo negócio”.

Perfil do empreendedor: principais características

Empreendedores buscam e aplicam soluções para problemas, seja ajudando pessoas, otimizando processos ou criando produtos novos. Sabem lidar com mudanças, imprevistos e são bons em analisar situações, riscos e oportunidades. Cada empreendedor tem um perfil próprio — mas algumas características aparecem com frequência em quem dá certo:

  • Resiliência e perseverança: o empreendedor não desiste fácil. Problemas, riscos e desafios fazem parte da rotina. Ele supera obstáculos e segue até alcançar o objetivo.
  • Desejo de protagonismo: gosta de ter controle sobre a própria carreira e busca reconhecimento pelo que constrói.
  • Capacidade de lidar com riscos: aceitar incerteza está no cerne do empreendedorismo. Quem não tolera risco dificilmente prospera nesse caminho.
  • Autoconfiança: precisa acreditar na ideia, nas próprias habilidades e ter clareza para tomar decisões — mesmo as difíceis.
  • Otimismo realista: está ciente dos riscos, mas mantém a convicção de que o negócio pode dar certo. Otimismo alimenta resiliência.
  • Visão analítica: identifica oportunidades onde outros só veem ruído. É curioso, observa o mercado e converte tendências em ação.
  • Capacidade de execução: ideia sem execução não vira negócio. O empreendedor coloca a mão na massa, mesmo quando o cenário não é ideal.

Cada empreendedor tem motivações próprias que ajudam a moldar o tipo de negócio que vai construir. Muitos compartilham um perfil psicológico que combina capacidade de inspiração (por ideias, tendências e até críticas) com momentos de introversão analítica — quando a intuição entra em ação para conectar pontos que ninguém viu.

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Tipos de empreendedorismo

Existem várias formas de classificar o empreendedorismo. Os tipos de empreendedorismo mais reconhecidos hoje, considerando perfil, motivação e área de atuação, são:

Empreendedor nato

São os que mais se destacam no imaginário coletivo. Tiveram início precoce, muitas vezes em condições reduzidas, e construíram grandes empresas. Por terem começado jovens, desenvolveram cedo a capacidade de negociar e vender. São otimistas, visionários e totalmente comprometidos com o sonho — frequentemente associados a nomes como Steve Jobs, Henry Ford e Luiza Trajano.

Empreendedor que aprende

Pessoas que encontram uma oportunidade de negócio inesperada e decidem mudar de área para se dedicar a ela. São cautelosas: estudam viabilidade, mercado e concorrência antes de assumir o risco. A tomada de decisão é mais lenta, mas tende a ser mais consistente.

Empreendedor planejado

Não é a maioria, mas é o grupo com mais chances de sucesso. Investe em capacitação, planeja os próximos passos com método e minimiza riscos. Trabalha com metas claras e tem visão de longo prazo. Justamente por focar no planejamento é que aumenta as chances de o negócio prosperar.

Empreendedor herdeiro

Quem dá continuidade aos negócios da família. O perfil varia entre o inovador (que busca modernizar) e o conservador (que prefere manter a gestão anterior). Hoje é comum que herdeiros contratem executivos profissionais e atuem na governança, definindo direção sem operar o dia a dia.

Empreendedor por necessidade

Começa um negócio por não encontrar uma alternativa melhor de trabalho — desemprego, redução de jornada, crise familiar. É a forma mais comum no Brasil em períodos de crise, e também a mais arriscada: muitos entram no mercado sem preparo. Ainda assim, há histórias notáveis de empreendedores que começaram por necessidade e construíram negócios sólidos.

Empreendedor corporativo (intraempreendedor)

Executivos que se destacam dentro de grandes empresas e atuam como empreendedores internos — propondo projetos, captando recursos e construindo unidades de negócio. São negociadores natos, sabem montar times e usar ferramentas administrativas mesmo com restrições. O famoso “intraempreendedor”.

Empreendedor serial

Cria empresas, vende e usa o capital para começar a próxima — repetindo o ciclo. Para o empreendedor serial, a venda é apenas o fim de uma jornada e o começo da próxima. É um perfil comum no ecossistema de startups, onde os “fundadores em série” se tornam referências e mentores.

Empreendedorismo digital

O empreendedorismo digital é o tipo de empreendedorismo que tem como base produtos, serviços ou modelos de negócio que rodam no ambiente online. Inclui desde criadores de conteúdo e infoprodutores até e-commerces, SaaS (software como serviço), agências digitais, marketplaces e dropshipping.

Por que cresce tanto? Porque o digital reduz drasticamente as barreiras de entrada: não exige ponto físico, equipe grande ou investimento inicial alto. Em muitos casos, dá pra começar sozinho, com um notebook e uma conexão decente. Os principais formatos hoje:

  • E-commerce: loja virtual própria ou vendas em marketplaces (Mercado Livre, Shopee, Amazon, Magalu).
  • Infoprodutos: cursos online, e-books, mentorias e comunidades pagas.
  • SaaS: software com cobrança recorrente, geralmente via assinatura mensal ou anual.
  • Creator economy: monetização de audiência via redes sociais, YouTube, Twitch, Substack e plataformas similares.
  • Serviços digitais: design, marketing, programação, consultoria, edição de vídeo — tudo entregue remotamente.
  • Dropshipping e print on demand: vendas sem estoque próprio, com fornecedor responsável pela logística.

Atenção: o digital tem barreira de entrada baixa, mas a concorrência também é alta. Construir audiência, autoridade e diferenciais leva tempo. A IA, por sinal, está reformatando muitas dessas categorias — agências de conteúdo, design e atendimento estão se reinventando rápido em 2026.

Empreendedorismo feminino

O empreendedorismo feminino ganhou espaço expressivo no Brasil nos últimos anos. Segundo dados do Sebrae e do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), as mulheres já representam mais de 1/3 dos donos de negócios em atividade no país — e em alguns segmentos (moda, beleza, alimentação, educação, saúde) já são maioria.

O movimento vem acompanhado de redes de apoio específicas: aceleradoras, comunidades, linhas de crédito com condições diferenciadas (como o Pronampe Mulher) e programas de capacitação voltados ao público feminino. Os principais desafios ainda são:

  • Acesso a capital — empreendedoras costumam ter mais dificuldade para conseguir crédito comparado aos homens, mesmo com históricos similares.
  • Conciliação entre vida pessoal e negócio, especialmente para mães empreendedoras.
  • Representatividade em setores tradicionalmente masculinos (tecnologia, indústria, agronegócio).

A boa notícia: o ecossistema de apoio cresce ano a ano, com programas como Rede Mulher Empreendedora, Sebrae Delas, Movimento Mulher 360 e investidoras-anjo focadas em fundadoras mulheres.

Empreendedorismo social

O empreendedorismo social coloca o impacto antes do lucro. O objetivo principal é gerar inovação e empregos com foco em benefício coletivo — saúde, educação, meio ambiente, redução de desigualdade. Esses empreendedores compartilham as características clássicas (visão, criatividade, determinação), mas direcionam a energia para causas, não apenas para retorno financeiro.

Atuam em ONGs, fundações, negócios de impacto, B Corps, cooperativas e órgãos públicos. Muitos modelos de negócio social conseguem unir sustentabilidade financeira (sem depender só de doações) com missão social — uma tendência crescente no país.

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Empreendedorismo no Brasil em 2026

Segundo pesquisas recentes do GEM e da Endeavor, mais de 70% dos brasileiros sonham em ter o próprio negócio — uma das taxas de “intenção empreendedora” mais altas do mundo, à frente de países como Estados Unidos e União Europeia. Mas só sonhar não basta: empreender exige qualificação, planejamento e disposição para enfrentar um cenário complexo.

Desafios tributários e a Reforma Tributária

O Brasil tem um dos sistemas tributários mais complexos do mundo, com mais de 11 mil normas em vigor. O Simples Nacional simplificou muito a vida das pequenas empresas, unificando tributos em uma única guia (DAS), mas ainda deixa de fora algumas obrigações acessórias e setores específicos.

Em 2026, começa a transição da Reforma Tributária: novos tributos como CBS, IBS e Imposto Seletivo entram em fase de teste e devem substituir gradualmente PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS até 2033. Para o empreendedor, é hora de adaptar sistemas, processos e planejamento.

Crescimento e scale-ups

Apesar do número de empresas abertas ser alto, a parcela que cresce de forma consistente ainda é pequena. Estima-se que apenas 1% a 2% das empresas brasileiras alcancem crescimento de 20% ao ano por três anos seguidos — as chamadas scale-ups. Apesar de poucas, elas respondem por uma fatia desproporcional dos novos empregos formais.

Acesso a crédito

Conseguir crédito empresarial ainda é um desafio relevante. Juros altos, exigência de garantias e burocracia restringem o acesso para quem está começando. Programas como o Pronampe e linhas de cooperativas de crédito (Sicoob, Sicredi, Cresol) ampliaram o leque, mas ainda há lacuna entre a necessidade real do empreendedor e a oferta disponível.

Capacitação e ecossistema

A boa notícia é que o ecossistema brasileiro de apoio ao empreendedor cresce a cada ano. Sebrae, universidades, aceleradoras (Endeavor, ACE, Liga Ventures), incubadoras e fundos de venture capital criam um ambiente cada vez mais robusto. Cursos online, comunidades e mentorias estão amplamente acessíveis — em muitos casos, gratuitos.

Como começar a empreender: dicas práticas

Se você tem vontade de entrar no mundo do empreendedorismo, aqui vão algumas dicas que aumentam suas chances:

  1. Invista em capacitação. Cursos do Sebrae, livros de referência, podcasts e mentorias preparam para os desafios que vão aparecer.
  2. Busque um sócio que te complemente. Ninguém faz tudo sozinho. Procure alguém forte naquilo que você não é (operação, vendas, técnica, finanças).
  3. Coloque a mão na massa. Não fique meses planejando a “ideia perfeita”. Lance uma versão simples, valide com clientes reais e melhore depois.
  4. Fale sobre a sua ideia. Validar com possíveis clientes, parceiros e mentores ajuda a identificar pontos cegos antes de investir tempo e dinheiro.
  5. Invista em presença digital. Em 2026, qualquer negócio precisa estar minimamente presente em buscas e redes sociais. Site, Google Meu Negócio e perfil ativo já são o piso.
  6. Construa uma boa cultura. Mesmo no início, defina valores e comportamentos esperados. Cultura organizacional pode ser o maior diferencial competitivo no longo prazo.
  7. Use um sistema de gestão. Controlar receitas, despesas, estoque e fluxo de caixa desde o início evita surpresas e prepara a empresa para crescer.
  8. Acredite e persista. Os desafios são diários. O sucesso quase sempre exige resistência maior que a esperada.

Perguntas frequentes sobre empreendedorismo

O que significa ser empreendedor?

Ser empreendedor significa identificar oportunidades, assumir riscos calculados e transformar ideias em produtos ou serviços que gerem valor. Vai além de “abrir uma empresa”: envolve mentalidade de protagonismo, capacidade de execução e disposição para aprender com erros.

Quais são os principais tipos de empreendedorismo?

Os principais são: empreendedor nato, empreendedor que aprende, empreendedor planejado, empreendedor herdeiro, empreendedor por necessidade, empreendedor corporativo (intraempreendedor) e empreendedor serial. Quanto à área de atuação, destacam-se o empreendedorismo digital, o empreendedorismo social e o empreendedorismo feminino.

Qualquer pessoa pode ser empreendedor?

Sim. Algumas características ajudam (resiliência, autoconfiança, tolerância a risco), mas todas podem ser desenvolvidas com prática, capacitação e mentoria. O que de fato separa quem dá certo de quem não dá costuma ser persistência e capacidade de execução, não talento natural.

Qual é a diferença entre empreendedor e empresário?

O empresário é quem toca um negócio formalizado, com obrigações legais e contábeis. O empreendedor é quem cria algo novo a partir da identificação de uma oportunidade — pode ou não estar formalizado. Em geral, todo empreendedor que dá certo se torna empresário, mas nem todo empresário começou empreendendo (alguns herdam, compram ou apenas operam um negócio existente).

É possível empreender sem dinheiro?

É possível começar com pouco — especialmente em modelos digitais, prestação de serviços ou negócios que podem operar com baixa estrutura inicial. Mas “empreender sem dinheiro” totalmente é raro: você sempre precisará investir tempo (que tem custo de oportunidade) e algum capital para registro, ferramentas básicas e divulgação. Programas como MEI, Pronampe e crédito em cooperativas ajudam a viabilizar o começo.

O que é empreendedorismo digital?

É o tipo de empreendedorismo cujo modelo de negócio funciona principalmente no ambiente online: e-commerces, infoprodutos, SaaS, creator economy, serviços remotos, dropshipping. Tem barreira de entrada baixa, mas concorrência alta — e exige domínio mínimo de marketing digital, dados e tecnologia.

Conclusão

O empreendedorismo é uma das forças que mais movem o Brasil. Mais do que abrir empresas, empreender é assumir o protagonismo, identificar oportunidades, criar soluções e transformar ideias em valor real para clientes, colaboradores e para a economia como um todo.

Em 2026, com transformações importantes no horizonte (Reforma Tributária, IA reformatando setores inteiros, novas formas de crédito), o empreendedor que se capacita, planeja e executa com disciplina sai na frente. Os caminhos hoje são mais variados do que nunca — digital, social, feminino, corporativo — e o ecossistema brasileiro nunca teve tantos recursos para apoiar quem quer começar. O resto é colocar a mão na massa.

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Escrito em: 29/04/26
Rafaela Konze

Rafaela Konze

Rafaela Konze é analista de marketing e SEO na Zipline Tecnologia. Especialista em criação de conteúdo e estratégias de crescimento orgânico, escreve sobre gestão, empreendedorismo e tecnologia nos blogs do eGestor e do NFe+. Teste gratuitamente em eGestor.

Comentários:

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5 Comentários

  1. Confisco contabilidade

    Muito bom artigo, parabéns!

    Responder
  2. Ricardo

    Excelente artigo muito bem explicado, Parabéns!!

    Responder
  3. Marcos

    Gostei do texto.
    Artigo muito bem escrito, apenas fico com uma dúvida referente a esses perfis empreendedores.
    De onde estão surgindo essas nomenclaturas?
    Você poderia informar a fonte de pesquisa que utilizou para escrever a respeito delas?

    Responder
  4. Julia Benetti

    Parabéns pela aula, essa exposição me lembrou uma excelente aula que tive com o professor Anderson Macohin sobre empreededorismo e advocacia!

    Responder

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